Homens cristãos

Observações acerca da ciência de diversos autores

2020.11.30 18:33 BlindEyeBill724 Observações acerca da ciência de diversos autores

Observações acerca da ciência de diversos autores


Estes trechos são citados em diversos post’s excelentes do sempre recomendado blog do Prof.Oleniski (em https://oleniski.blogspot.com/) acerca da ciência , o intuito não é provocar, como no trecho em que Proclo compara a astronomia com as fábulas (porém, notemos que muitos cientistas e filósofos da ciência defendem uma leitura não realista da ciência, o que equivaleria a ciência à uma ‘fábula de precisão matemática”) mas somente trazer diversas perspectivas e ponto interessantes. Todas as traduções dele, tirando a de Feyerabend em Farewell to Reason, nesse caso como ele citou em inglês, tomei por bem traduzir.
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"O físico afirma que a ordem na qual ele arranja os símbolos matemáticos a fim de constituir um teoria física é um reflexo cada vez mais claro de uma ordem ontológica de acordo com a qual as coisas inanimadas são classificadas. Qual a natureza dessa ordem que ele afirma? Através de qual tipo de afinidades as essências dos objetos sob observação se aproximam uma das outras? Estas são questões que não são permitidas a ele responder. Ao afirmar que a teoria física tende a uma classificação natural em conformidade com a ordem na qual as realidades do mundo físico estão arranjadas, ele já excedeu o limite do domínio no qual seus métodos podem ser legitimamente exercidos. Por fortes razões esse método não pode descobrir a natureza dessa ordem ou dizer o que ela é. Precisar a natureza dessa ordem de forma exata é definir uma cosmologia. Expô-la a nossos olhos é expor um sistema cosmológico. Em ambos os casos é realizar um trabalho que não pertence essencialmente ao físico, mas ao metafísico." (tradução própria do original em francês)
PIERRE DUHEM, La Théorie Physique, son objet et sa structure, p.407
"Não se deve evitar toda contradição. É necessário tomar seu partido. Duas teorias contraditórias podem, com efeito, desde que não sejam misturadas e que não se estaja buscando o fundo das coisas, ser ambas instrumentos úteis de pesquisa."
HENRI POINCARÉ, apud, Pierre Duhem
"Se nos restringimos a invocar somente razões de lógica pura, não se pode impedir um físico de representar por diversas teorias inconciliáveis diversos conhuntos de leis ou mesmo um grupo único de leis. Não é possível condenar a incoerência na teoria física."
PIERRE DUHEM, La Théorie Physique, son objet, sa structure, p.148
"O que é uma teoria física? Um grupo de proposições matemáticas cujas consequências devem representar os dados da experiência. A validade de uma teoria é medida pelo número de leis experimentais que ela representa e pelo grau de precisão pelo qual ela as representa; se duas teorias diferentes representam os mesmos fatos com o mesmo grau de aproximação, o método físico considera-as como tendo absolutamente a mesma validade; ele não tem o direito de ditar nossa escolha entre essas duas teorias equivalentes e é obrigado a nos deixar livres. Sem dúvida, o físico vai escolher entre essas duas teorias logicamente equivalentes, mas os motivos que vão guiar sua escolha serão considerações de elegância, de simplicidade, de comodidade, razões de conveniência essencialmente subjetivas, contingentes e variáveis de acordo com o tempo, as escolas e as pessoas. Por mais graves que esses motivos possam ser em alguns casos, eles não serão jamais de tal natureza que a adesão a uma das teorias ou a rejeição da outra sejam consequências necessárias deles." (tradução minha do original em francês)
PIERRE DUHEM, Physique de Croyant
"Penso que essa 'terceira posição' não é muito assustadora ou mesmo surpreendente. Ela preserva a doutrina galileana de que o cientista busca uma descrição verdadeira do mundo, ou de alguns de seus aspectos, e uma explicação verdadeira dos fatos observados; e ela combina essa doutrina com a visão não-galileana que - não obstante isso permaneça o objetivo do cientista - ele não pode jamais saber com certeza se suas descobertas são verdadeiras, embora ele possa algumas vezes estabelecer com razoável certeza que uma teoria é falsa. Pode-se formular brevemente essa 'terceira visão' das teorias científicas dizendo que elas são genuínas conjecturas - palpites altamente informativos sobre o mundo que, embora não verificáveis (isto é, capazes de serem provados verdadeiros) podem ser submetidos a severos testes. Eles são tentativas sérias de descobrir a verdade." (Tradução minha do original em inglês. Itálicos no original).
KARL POPPER, Conjectures and Refutations, p. 154
"Ora, essas duas questões: 'existe uma realidade material distinta das aparências sensíveis?' e 'de qual natureza é tal realidade?' não pertencem de forma alguma ao método experimental. Este só conhece as aparências sensíveis e não pode descobrir nada que as ultrapasse. A natureza dessas questões transcende os métodos de observação empregados pela Física. Ela é objeto da Metafísica. Então, se as teorias físicas têm por objetivo explicar as leis experimentais, a Física teórica não é uma disciplina autônoma. Ela está subordinada à Metafísica." (tradução minha do original em francês)
PIERRE DUHEM, La Théorie Physique: son objet, sa structure, p. 31 (itálicos no original)
"Quando certas consequências de uma teoria são refutadas pelo experimento nós aprendemos que essa teoria deve ser modificada, porém não nos é dito pelo experimento o que deve ser mudado. Ele deixa para o físico a tarefa de encontrar o ponto fraco que atrapalha todo o sistema. Nenhum princípio absoluto dirige essa busca, a qual diferentes físicos podem conduzir em formas muito diferentes sem terem o direito de acusar um ao outro de ilogicidade. Por exemplo, alguém pode se obrigar a salvaguardar certas hipóteses fundamentais enquanto tenta restabelecer a harmonia entre as consequências da teoria e os fatos complicando o esquematismo no qual essas hipóteses são aplicadas invocando várias causas de erros e multiplicando correções. O outro físico, desdenhando tais complicados procedimentos artificiais, pode decidir mudar algumas das afirmações essenciais que suportam todo o sistema."
PIERRE DUHEM, The Aim and Structure of Physical Theory, pag.217
“É possível, diz ele, dar a razão de uma coisa de dois modos diferentes. A primeira consiste em provar de maneira suficiente um certo princípio. É assim que na Cosmologia [Scientia Naturalis] dá-se uma razão suficiente para provar que o movimento do céu é uniforme. No segundo modo, não se prova de uma maneira suficiente o princípio, mas o princípio sendo postulado no início, mostra-se que suas consequências concordam com os fatos. Assim, em Astronomia, é proposta a hipótese dos epiciclos e das excêntricas, pois, posta essa hipótese, as aparências sensíveis dos movimentos celestes podem ser salvaguardados. Contudo, isso não é uma razão suficientemente probante, pois elas poderiam ser salvaguardadas por uma outra hipótese.”
TOMÁS DE AQUINO

"O positivismo é filho do fracasso e da renúncia. Nasceu da astronomia grega e sua melhor expressão é o sistema de Ptolomeu. O positivismo foi concebido e desenvolvido, não pelos filósofos do século XIII, mas pelos astrônomos gregos que, tendo elaborado e desenvolvido o método do pensamento científico - observação, teoria hipotética, dedução e, finalmente, verificação através de novas observações -, acharam-se diante da incapacidade de penetrar no mistério dos verdadeiros movimentos dos corpos celestes, e que, em consequência, limitaram suas ambições a uma operação de salvamento dos fenômenos, isto é, a um tratamento puramente formal dos dados da observação, tratamento que lhes permitia fazer predições válidas, mas cujo preço era a aceitação de um divórcio definitivo entre a teoria matemática e a realidade subjacente."
ALEXANDRE KOYRÉ, As origens da Ciência Moderna

"A originalidade européia, a qual se evidencia muito palpavelmente na ciência, tem sua origem no Evangelho, cuja pregação plantou fundo nas mentes européias, muito antes de Bacon e Descartes, a convicção de que o universo era o produto racional do Criador e de que, como cristãos, eles tinham se tornado mestres e donos da natureza. O novo Organon da ciência não estava no extenso tatear de Bacon sobre fatos na maior parte das vezes irrelevantes, mas na convicção partilhada bem antes dele de que, uma vez que o mundo era racional, ele poderia ser compreendido pela mente humana, embora, como produto de um Criador, ele não podesse ser derivado da mente do homem, uma criatura. É óbvio que as sementes do Evangelho, ou mais concretamente do credo cristão, o qual afirma ao mesmo tempo a Antiga e a Nova Aliança, precisaram de uma matriz natural, social e psicológica para germinar em palpáveis originalidade e gênio sobre a natureza." (tradução minha do original em inglês)
STANLEY JAKI, The Origin of Science and the Science of its Origin, p.21
"Eu defendo que a racionalidade e a progressividade de uma teoria estão mais intimamente ligadas não à sua confirmação ou à sua refutação, mas sobretudo com sua eficácia na resolução de problemas." (Tradução própria)
LARRY LAUDAN, Progress and its Problems: Towards a Theory of Scientific Growth
"As teorias de Eudoxo e de Calipe eram construções puramente matemáticas. Nenhum desses dois astrônomos afirmava o que quer que seja sobre a mecânica dos movimentos celestes, da natureza das esferas concêntricas, nem da maneira na qual o movimento se transmitia de uma à outra. O modelo de Eudoxo sofreu uma nova modificação nas mãos de Aristóteles, que pretende utilizar essa teoria matemática para torná-la a base de um sistema mecânico. Aquilo que o interessava não era somente tentar reduzir as trajetórias observáveis dos planetas a combinações de movimentos circulares simples, mas também, e mais particularmente, compreender como se efetuava a transmissão do movimento, desde a esfera mais externa do céu, até à região sublunar."
G.E.R. LLOYD, Early Greek Science: Thales to Aristotle (tradução própria)
"Não se chega ao conhecimento científico pela aplicação de algum procedimento de inferência indutiva a dados coligidos anteriormente, mas, antes, pelo que é frequentemente chamado 'método da hipótese', isto é, pela invenção de hipóteses como tentativas de de resposta ao problema em estudo e submissão dessas hipóteses à verificação empírica. (...) Como já notamos anteriormente, uma verificação numerosa, com resultados inteiramente favoráveis não estabelece a hipótese conclusivamente; fornece apenas um suporte mais ou menos sólido para ela." CARL GUSTAV HEMPEL, Filosofia da Ciência Natural, p.30/31\*
"No centro geométrico do vasto, embora esférico, universo aristotélico medieval, descansa uma Terra esférica. Contrariamente à enganosa concepção popular contemporânea de que antes da descoberta da América por Cristóvão Colombo acreditava-se que a Terra era plana, nenhum defensor importante da Terra-plana foi conhecido no ocidente latino. Os argumentos de Aristóteles acerca da Terra esférica eram tão razoáveis e convincentes que sua verdade foi imediatamente aceita. Como evidência observacional, ele invocou as linhas curvas sobre as superfície da Lua, inferindo corretamente que estas eram projetadas pela sombra de uma Terra esférica interposta entre o Sol e a Lua. Ele também notou que mudanças na posição sobre a superfície da Terra traziam diferentes configurações estelares à visão, indicando uma superfície esférica."
EDWARD GRANT, Physical Science in the Middle Ages, p. 61

"Quando se trata de coisas sublunares, nós nos contentamos em tomar em conta aquilo que produz na maior parte dos casos, por causa da instabilidade da matéria que as forma. Quando, por outro lado, queremos conhecer as coisas celestes, usamos o sentimento, e fazemos apelo a uma multidão de artifícios muito distantes de toda verossimilhança. Portanto, nós que estamos colocados, como se diz, no lugar mais baixo do universo, devemos nos contentar com a aproximação de cada uma dessas coisas. Que tal é o caso torna-se manifesto pelas descobertas que se fazem sobre as coisas celestes; pois de diferentes hipóteses tiram-se as mesmas conclusões relativas aos mesmos objetos; entre essas hipóteses, existem as que salvam os fenômenos por meio de epiciclos, outras por meio de excêntricos, outras por meio de esferas desprovidas de astros e girando em sentido inverso.
Os deuses, certamente, possuem um julgamento mais seguro; mas, quanto a nós, precisamos contentar-nos em atingir apenas a aproximação dessas coisas; pois somos homens...de modo que falamos de acordo com o que é verossímil e os discursos que fazemos assemelham-se a fábulas."
PROCLUS DIADOCHUS, Comentário ao Timeu de Platão

"A pesquisa bem-sucedida não obedece a padrões gerais; ela depende agora de um truque, ora de outro, e os movimentos que a avançam nem sempre são conhecidos pelos que a movem. Uma teoria da ciência que concebe padrões e elementos estruturais de todas as atividades científicas que a autoriza por referência a alguma teoria da racionalidade pode impressionar quem está de fora - mas é um instrumento muito bruto para as pessoas que com ela trabalham, isto é, para cientistas que enfrentam algum problema de pesquisa concreto. (...) Uma teoria da ciência é, então, impossível . Tudo o que temos é o processo de pesquisa e, lado a lado com ele, todos os tipos de regras práticas que podem nos ajudar em nossa tentativa de promover o processo, mas que podem nos levar ao erro."
PAUL FEYERABEND, Farewell to Reason, p. 281/283

"Galileu progrediu mudando as ligações familiares entre palavras e palavras (introduzindo novos conceitos), entre palavras e sensações (introduzindo novas interpretações naturais), recorrendo a princípios novos , desconhecidos (como sua lei de inércia e seu princípio da relatividade universal) e alterando o núcleo sensorial dos enunciados de observação. Ele foi estimulado pelo desejo de adaptar o ponto de vista copernicano. O copernicanismo se choca claramente com certos fatos evidentes, é incompatível com princípios bem estabelecidos e não é ajustado à “gramática“ da linguagem ordinária falada. Enfim, não é ajustado às “formas de vida” que contêm esses fatos e princípios e essas regras de gramática. Mas nem as regras nem os princípios são sacrossantos. (...) Podemos então mudar, criar novos fatos e novas regras gramaticais." PAUL FEYERABEND

"A dissolução do Cosmo, repito, me parece a revolução mais profunda realizada ou sofrida pelo espírito humano desde a invenção do Cosmo pelos gregos. É uma revolução tão profunda, de consequências tão remotas, que, durante séculos, os homens (...) não lhe apreenderam o alcance e o sentido. Ainda agora, ela é muitas vezes subestimada e mal compreendida."
ALEXANDRE KOYRÉ
"O que é exato no que concerne à posição de Sir Karl (...) é a idéia da testabilidade em princípio. (...) O que é vago, no entanto, com respeito à minha posição são os critérios reais (se é isto que se requer) que devem ser aplicados quando se decide que determinada incapacidade de resolução de enigmas (puzzles) há de ser ou não atribuída à teoria fundamental, tornando-se assim uma ocasião de grande preocupação. Essa decisão, contudo, é idêntica em espécie à decisão sobre se o resultado de determinado teste falseia ou não determinada teoria, e sobre esse assunto Sir Karl é necessariamente tão vago quanto eu."
THOMAS KUHN, Reflexões sobre meus críticos, In. A Crítica e o Desenvolvimento do Conhecimento, p.306, trad. Octavio Mendes Cajado, Ed. Cultrix
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2020.11.28 00:00 altovaliriano O Stark em Winterfell - Bran e o Rei Pescador

Texto original: https://asoiaf.westeros.org/index.php?/topic/125401-the-winged-wolf-a-bran-stark-re-read-project-part-ii-asos-adwd/page/3/&tab=comments#comment-6823505
Autor: SacredOrderOfGreenMen / float-freely-forever
O texto abaixo é uma tradução.
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ASOIAF tem sido chamada de "uma carta de amor à democracia" pela forma como critica impiedosamente o feudalismo e a monarquia e por (aparentemente) não dar a nenhum rei um POV (apenas a duas rainhas), ao mesmo tempo em que apresenta todos os homens que são capazes de sentar no trono ou usar uma coroa como sendo, em última análise, indignos. Há Robert Baratheon, o Rei Devasso; seu sucessor, o rei Joffrey, cuja reivindicação foi baseada em uma mentira e mostrou-se ineficaz e inadequado ao papel de todas as formas possíveis; Viserys, o Rei Pedinte, seu pai Aerys, o Rei Louco e muitos outros. Renly, Stannis, Balon, Euron. Todos ficam aquém ou falham.
O feudalismo é exibido como uma ordem social inerentemente violenta, supérflua e repugnante em quase todos os aspectos. Todos os aspectos, exceto um: os Starks, e em particular a narrativa da realeza mágica que existe em torno de Bran.
"O Stark em Winterfell" é a encarnação do Rei Pescador em ASOIAF, uma figura lendária da mitologia inglesa e galesa que está espiritual e fisicamente conectado à terra, e cujas fortunas, boas e ruins, são espelhadas no reino. É uma história que, ao contar como o rei é mutilado e depois curado pelo poder divino, valida essa monarquia. O papel de "O Stark em Winterfell" é feito para ser o que seu criador, Brandon o Construtor, foi: uma fusão de opostos aparentes – homem e deus, rei e vidente verde, e o monólito que é seu assento é tanto castelo quanto árvore, uma "monstruosa árvore de pedra" (AGOT, Bran II).

"Era diferente quando havia um Stark em Winterfell"

Um ditado que existe na família é invocado por Ned e Catelyn em AGOT quando da viagem para o Sul: "Tem de haver um Stark em Winterfell sempre".
Por que? Quando falada, a frase é entoada, quase como um leigo medieval da Igreja Católica a repetir uma oração em latim, não entendendo completamente o que as palavras significam, mas sabendo que elas são importantes de alguma forma.
Outras Grandes Casas não vivem com essa restrição: Jon Arryn esteve ausente do Vale por grande parte de 14 anos, sem uma data clara para voltar [...]. Nestor Royce era seu regente. Um primo distante de Tywin Lannister, Damion, é deixado para governar, e ninguém parece particularmente preocupado que nenhum Lannister do ramo principal vivesse lá. Doran Martell prefere governar a partir dos Jardins de Água.
É o Liddle que Bran encontra nas montanhas do Norte que nos dá a razão mais clara e explícita do porquê sempre deve haver um Stark em Winterfell:
Quando havia um Stark em Winterfell, uma donzela podia percorrer a estrada do rei usando o vestido do dia de seu nome e nada sofrer, e os viajantes encontravam fogo, pão e sal em muitas estalagens e castros. Mas agora as noites são mais frias, e as portas estão fechadas. (ASOS, Bran II)
Até certo ponto, Bran também já havia articulado isto:
Já tinha idade suficiente para saber que não era realmente por ele que gritavam… Era a colheita que festejavam, Robb e suas vitórias, o senhor seu pai e o avô e todos os Stark desde há oito mil anos que aclamavam. Mas, mesmo assim, aquilo fez com que inchasse de orgulho. (ACOK, Bran III)
Quando há um Stark em Winterfell, a terra é pacífica e o povo não morre de fome. Ter um Stark em Winterfell é, por definição, ter uma boa senhoria. O fato de que os nortenhos dependem dos Starks para sua própria sobrevivência está implícito para muitos de seus vassalos, e muitas vezes são as Casas que traçam sua própria existência a eles que são os mais fanáticos em sua lealdade.
Lyanna Mormont, cuja Casa recebeu terras de Rodrik Stark raivosamente rejeita as exigências de Stannis por lealdade, escrevendo: "A Ilha dos Ursos não reconhece nenhum rei que não o Rei do Norte, cujo nome é STARK."
Outra jovem senhora do Norte, Wylla Manderly vocifera contra as mentiras de Freys sobre Robb e do desagravo (fingido) de seu pai: "os lobos nos acolheram, nos alimentaram e nos protegeram contra nossos inimigos. [...]. Em troca, juramos que seríamos sempre homens deles. Homens dos Stark!“ (ADWD, Davos III)
Bran nos diz em AGOT que, nos Clãs das Montanhas (entre outros), "quando a neve caísse e os ventos gelados uivassem do norte, [...] os agricultores deixariam seus campos congelados e fortificações distantes, carregariam suas carroça" e se refugiaram na vila de inverno de Winterfell. Quando os homens dos clãs dizem a Asha que eles preferem que seus "homens morram lutando pela garotinha de Ned do que sozinhos e famintos na neve, chorando lágrimas que vão congelar em suas bochechas" também é provável que estejam fazendo uma tentativa desesperada de recuperar seu refúgio.
Por conta da vila de inverno, ser o Stark em Winterfell é um cargo imensamente importante que não tem equivalente em nenhum outro lugar. Significa ser um governante prático que conhece seus súditos intimamente e que cuida deles quando o inverno chega – algo que eles recordam constantemente. Ned pratica isso em seu próprio governo em Winterfell:
O pai costumava dizer que um senhor devia comer com seus homens se esperava conservá-los. Arya um dia o ouviu dizer a Robb: “Conheça os homens que o seguem e deixe que eles o conheçam. Não peça aos seus homens para morrer por um estranho”. Em Winterfell, havia sempre um lugar extra à sua mesa, e todos os dias um homem diferente era convidado a juntar-se a eles. (ACOK, Arya II)
Na mitologia da Europa Ocidental, (tendo em conta que a Europa Ocidental é a principal inspiração de GRRM para Westeros), há um conjunto de lendas sobre o chamado Rei Pescador. O Rei Pescador, também conhecido como o Rei Mutilado ou Rei Ferido, contém dentro de sua linhagem o rei bretão Arthur e o rei galês Bran, o Abençoado.
Para os ingleses, o Rei Pescador é um dos guardiões do Santo Graal. Ele foi ferido ou mutilado e, como resultado, é infértil, e é sustentado apenas pelo poder do Graal. Por sua vez, sua terra se torna infértil e estéril também, e o único alimento possível ali é peixe, daí vem seu nome. Em algumas versões, o pai é o Rei Ferido e seu filho é o Pescador. O usuário do Tumblr theelliedoll analisa essa conexão, escrevendo em seu metatexto:
O sentido do Rei Pescador como um personagem mítico não é tanto as particularidades de seu caráter ou mesmo de sua lesão, mas o simples fato de que sua aflição (sexual) é transferida para suas terras. O mito pressupõe assim uma conexão mística, inextricável e empática entre rei e reino que exige do rei uma virilidade potente e generativa, e assim o mito funciona como a narrativa simbólica que articula uma ideologia dominante no poder [da Europa Medieval, a inspiração de Westeros para GRRM]. Essa ideologia de poder é a ideia da divindade do rei, que é em si inseparável das noções de herança e primogenitura.
O mito do Rei Pescador funciona então simplesmente como uma estratégia de legitimação da autoridade real e, consequentemente, de uma monarquia cada vez mais absolutista, percebida (e culturalmente representada) como a única forma imaginável de governo.
O Stark em Winterfell é o equivalente de ASOIAF ao Rei Pescador, cujas infortúnios pessoais são espelhadas na própria terra. Há pelo menos dois casos na história em que o Rei do Inverno é referido como "O Stark em Winterfell" [no Brasil, traduzidos como “Stark de Winterfell”]:
"O Stark de Winterfell queria a cabeça de Bael" (ACOK, Jon VI)
"O Stark de Winterfell teve de dar uma mão [para parar a rebelião na Patrulha da Noite]” – (ASOS, Jon VII)

"Ele é o jovem Rei Arthur" - GRRM, sobre Bran

Há um personagem, na narrativa, que é chamado por outros e chama-se Stark em Winterfell: Bran, filho de Lorde Eddard e Lady Catelyn:
Sou o príncipe. Sou o Stark em Winterfell.
É o Stark em Winterfell, e o herdeiro de Robb. Tem de parecer principesco – juntos, vestiram-no de forma condizente com um senhor.
Era um Stark em Winterfell, filho do seu pai e herdeiro do irmão e quase um homem-feito.
-(ACOK)
E que também detém os intimamente associados títulos de príncipe e herdeiro de Winterfell:
Ele era o Príncipe de Winterfell, filho de Eddard Stark, quase um homem-feito e, além disso, um warg
"também é o nosso príncipe, o filho de nosso senhor e o verdadeiro herdeiro de nosso rei" (Meera para Bran)
Jojen fitou-o comseus olhos verde-escuros. – Não há nada aqui que nos faça mal, Vossa Graça.
Ele é o nosso príncipe. -(Meera para Samwell Tarly)
De noite, todos os mantos são negros, Vossa Graça. -(Jojen para Bran)
A história de Bran também é muito semelhante à encarnação galesa do Rei Pescador: Bran, o Abençoado, que lutou contra um exército de guerreiros mortos-vivos (wights) que foram continuamente revividos por um caldeirão mágico (O Coração do Inverno). Seu meio-irmão, (Jon Snow) se esconde entre os mortos após uma batalha a fim de ser jogado no caldeirão (Jon, veja bem, poderia muito bem estar dentro de Fantasma, cujo nome foi a última palavra que ele falou, e a Patrulha da Noite poderia muito bem ter entrado em colapso agora, sem falar na própria Muralha) e ser capaz de destruí-lo , mas morre no processo. Ele tem um nome muito semelhante a um dos outros títulos do Rei Pescador: o Rei Ferido. A história o chama, e ele chama a si mesmo, repetidamente, de "quebrado".
apenas quebrado. Como eu, pensou.
Bran – ele falou, sem vontade. Bran, o Quebrado. – Brandon Stark. – O menino aleijado.
mas quem se casaria com um garoto quebrado como ele?
Através das brumas dos séculos, o garoto quebrado só podia observar.
O sofrimento de Bran por causa de sua mutilação e a própria Winterfell estar "quebrada" estabelece uma ligação empática entre rei e reino.
GRRM disse o seguinte de Tolkien, quem ele admira:
O Senhor dos Anéis tinha uma filosofia muito medieval: que se o rei fosse um bom homem, a terra prosperaria. Olhamos para a história real e não é assim tão simples. Tolkien pode dizer que Aragorn se tornou rei e reinou por cem anos, e ele foi sábio e bom. Mas Tolkien não faz a pergunta: qual era a política fiscal de Aragorn? Ele manteve um exército permanente? O que ele fazia em tempos de inundação e fome?
-GRRM também implicitamente fez a pergunta: Como os seres humanos, que são falhos e mortais, podem virar monarcas perfeitos, como o Rei Pescador deveria ser? A história de Bran, entrelaçada com a de seu antepassado Brandon, o Construtor, é sua resposta a essa pergunta. Desde o início, os Starks foram preparados pelos Deuses Antigos. A lenda westerosi diz que o Construtor teve a ajuda de gigantes, e usou a magia dos Filhos da Floresta para construir a Muralha. Quando Catelyn olha nos olhos da árvore-coração de Winterfell, ela pensa que eles são "mais velhos do que Winterfell. Se as lendas eram verdadeiras, tinham visto Brandon, o Construtor, assentar a primeira pedra; tinham visto as muralhas de granito do castelo crescer à sua volta. (AGOT, Catelyn I)
Jon Snow, outro que não é um Stark pela linha masculina, tem pesadelos em que as Criptas "não são seu lugar" e recusa a oferta de Stannis para ser o Senhor quando ele percebe, "o represeiro era o coração de Winterfell... mas para salvar o castelo, Jon teria de arrancar esse coração até suas antigas raízes e entregá-lo ao faminto deus de fogo da mulher vermelha. Não tenho o direito, pensou. Winterfell pertence aos deuses antigos" (ASOS, Jon XII)
Quando Rickon levou os Walders para as Criptas, Bran ficou furioso: "Você não tinha o direito! [...] Aquele lugar é nosso, dos Stark!
Não é por acaso que os contos sugerem que a árvore-coração, "o coração de Winterfell" é dito ter testemunhado o trabalho do Construtor. Na verdade, no Norte, a árvore-coração é usada como testemunha para votos de todos os tipos, incluindo casamentos e contratos. Ramsay e "Arya" dizem seus votos em frente a uma árvore-coração, e Jojen diz a Bran que os filhos da floresta não tinham "nem tinta, nem pergaminhos, nem linguagem escrita. Em vez disso, tinham as árvores, e os represeiros acima de tudo”.
Juntando o que aprendemos sobre a história da Casa Stark em O Mundo de Gelo e Fogo, pudemos ler como o crescimento de seu domínio não era só reflexo do crescimento de Winterfell "ao longo dos séculos como se fosse uma monstruosa árvore de pedra", mas que havia um propósito mais profundo para as guerras que eles travaram. Eles mataram o warg Gaven Greywolf na "Guerra dos Lobos" e o Rei Warg da Ponta do Dragão Marinho, matando seus vidente verdes e levando suas filhas como prêmios.
Estes podem ter sido os eventos históricos que levaram Haggon a dizer: "Ao sul da Muralha, os ajoelhadores nos caçariam e nos matariam como porcos..". Theon Stark, o Lobo Faminto, matou o Rei Marsh e casou-se com sua filha, e é comum rumores de que os crannogmanos se casaram com os Filhos da Floresta. Com base na visita de Howland à Ilha das Faces e ao status de Jojen como um sonhador verde podemos supor que eles têm estreitas conexões com a magia do Deuses Antigos, tenham se casado ou não.
A razão para essas guerras contra outros praticantes da magia do Norte remonta a Brandon o construtor, que eu vou supor também foi o Último Herói, uma vez que foram Winterfell e a Muralha que conseguiram alcançar o que o Último Herói estava determinada a fazer:
E assim, enquanto o frio e a morte enchiam a terra, o último herói decidiu procurar os filhos da floresta, na esperança de que sua antiga magia pudesse reconquistar aquilo que os exércitos dos homens tinham perdido.
Isso remonta a um grande pacto que ele fez com os Filhos há 8000 anos: em troca da ajuda mágica destes, de ser o único legítimo possuidor dessa magia, e ter o mandato para conquistar o Norte, o Construtor e seus descendentes dariam sacrifícios aos Deuses Antigos, preservariam seus represeiros e manteriam os Outros à distância. Todo o propósito do lema da Casa Stark é expresso em "O Inverno está Chegando". Não é um vanglória – como é comumente observado –, é algo mais. É uma justificativa para o direito deles de governar. Ao absorver a magia no sangue do Rei Warg e do Rei Marsh, os Reis do Inverno estavam agindo conforme o pacto. Assim como o Rei Pescador, ou seja, o Rei Arthur, protegeu o Santo Graal, também os Starks mantêm a árvore-coração, tirando dela poder e legitimidade.
É muito provável que o próprio Construtor tenha sido um vidente verde, fundindo-se com a árvore-coração como parte de seu pacto com os Deuses Antigos para se tornar o primeiro Stark em Winterfell. "Bran" significa "corvo" em galês e Corvo de Sangue diz a Bran que as mensagens foram enviadas por corvo entrando-se na pele deles:
Foram os cantores quem ensinaram aos Primeiros Homens a enviar mensagens por corvos... mas, naqueles dias, as aves podiam dizer as palavras. As árvores se lembram, mas os homens esquecem, então agora escrevem a mensagem em pergaminho e amarram em volta da perna da ave com quem nunca compartilharam a pele. (ADWD, Bran III)
Isso não é um acidente, pois GRRM afirmou que os nomes de seus personagens foram escolhidos com "uma boa quantidade de reflexão". Apenas dois indivíduos na narrativa tem a capacidade confirmada de entrar na pele de corvos, e ambos são vidente verdes. Dizem que os reis da Era dos Heróis – o Construtor entre eles – viveram por centenas de anos, exatamente o que os verdes fazem, usando os represeiros como uma espécie de aparelho de manutenção sobrenatural da vida na velhice. Jojen aprofunda nossa compreensão do papel dos represeiros quando diz:
Quando
[os cantores e vidente verdes]
morriam,
entravam na floresta,
em uma folha, um galho ou uma raiz,
e as árvores se lembravam
Todas as suas canções e feitiços, suas histórias e orações, tudo o que sabiam sobre esse mundo. Os cantores acreditam que os represeiros são os antigos deuses.
Quando cantores morrem, eles se tornam parte dessa divindade.
(ADWD, Bran III)
Se o Construtor era de fato um vidente verde, e a árvore-coração de Winterfell seu repouso final (lembre-se daquela lagoa preta bacana ao lado, que ninguém nunca tocou o fundo) – como há fortes evidências de que ele seria – então isso significa que a jornada de Brandon esteve, desde o início, sob o olhar direto de seu ancestral. Quando Bran fala pela primeira vez da árvore-coração, ele diz que "sempre o assustara; as árvores não deveriam ter olhos, pensava Bran, nem folhas que se parecessem com mãos”.
À medida que o preparo de Bran como herdeiro do Construtor continua, ele cai cada vez mais sob sua influência, atraído pelos represeiros cada vez mais, especialmente para a árvore-coração:
Bran sempre gostara do bosque sagrado, mesmo antes, mas nos últimos tempos achara-se cada vez mais atraído para lá. Até a árvore-coração já não o assustava como antes. Os profundos olhos vermelhos esculpidos no tronco claro ainda o observavam, mas, de algum modo, agora tirava conforto disso. Os deuses olhavam por ele, dizia a si mesmo, os deuses antigos, deuses dos Stark, dos Primeiros Homens e dos Filhos da Floresta, os deuses do seu pai. Sentia-se seguro à vista deles, e o profundo silêncio das árvores o ajudava a pensar. Bran passara a refletir muito desde a queda; a refletir, a sonhar e a falar com os deuses. (ACOK, Bran VI)
Era uma árvore estranha, mais esguia do que qualquer outro represeiro que Bran tivesse visto e desprovida de rosto, mas pelo menos fazia-o sentir que os deuses estavamali com ele (ASOS, Bran IV)
A árvore-coração em Winterfell viu a colocação da primeira pedra, e foi no Bosque Sagrado que Bran fez sua última escalada sobre as paredes de Winterfell. Verão notavelmente uivava com medo, como se sentindo que algo terrível estava prestes a acontecer do mesmo jeito que Vento Cinzento fizera nas Gêmeas:
Estava no meio da árvore, deslocando-se com facilidade de galho em galho, quando o lobo se pôs em pé e começou a uivar.
Bran olhou para baixo. O lobo calou-se, olhando-o através das fendas de seus olhos amarelos. Um estranho arrepio o atravessou, mas recomeçou a trepar. Uma vez mais o lobo uivou.
Quieto – gritou. – Senta. Fique. Você é pior que a minha mãe – os uivos seguiram Bran até o topo da árvore quando, por fim, saltou para o telhado do armeiro e para fora de vista.
Os Deuses Antigos (e Corvo de Sangue) estão fortemente implícitos em ter previsto seu destino, assim como Summer sentiu. Eles têm inteiramente a intenção de que ele desempenhará seu papel na saga e cumprirá o pacto, quer ele queira ou não:
– Muito dele se transformou em árvore – explicou a cantora que Meera chamava de Folha. – Ele viveu além de seu tempo mortal e, ainda assim, permanece aqui. Por nós, por você, pelos reinos dos homens. Apenas uma pequena força permanece em sua carne. Ele tem mil olhos e um, mas há muito para ver. Um dia, você saberá.
Observei-o por um longo tempo, observei-o com mil olhos e com um. Vi você nascer, e o senhor seu pai antes de você. Vi seus primeiros passos, ouvi sua primeira palavra, fiz parte de seu primeiro sonho. Estava observando quando caiu. E agora finalmente você veio até mim, Brandon Stark, embora a hora seja tardia.
(Bran II e III, ADWD)
A resposta da GRRM à pergunta "Como pode um mortal se tornar um rei perfeito?" é evidente na narrativa de Bran: Apenas tornando-se algo não completamente humano, tendo características divinas e imortais, como a um represeiro, fundidas em seu ser – e, portanto, tornando-se mais ou menos do que completamente humano, dependendo de sua perspectiva.
Este é o único tipo de monarquia ao qual GRRM confere legitimidade, do tipo onde o rei sofre em sua jornada e é quase desumanizado pelo bem de seu povo. O Último Herói (o Construtor) em sua busca pelos Filhos, viu todos os seus 12 companheiros morrerem. Jojen agora está perto da morte, e diz a Bran que:
[…] Terra e água, solo e pedra, carvalhos, olmos e salgueiros, estavam aqui antes de nós, e ainda permanecerão quando tivermos ido.
Assim como você – disse Meera. Aquilo entristeceu Bran. E se eu não quiser permanecer quando vocês se forem?, quase pergunto.-(Bran, ADWD)
Bran viverá mais que seus amigos, Meera e Jojen. Embora ele se reencontre com seus irmãos Arya, Sansa, Rickon e até mesmo Jon, e sua vida com eles seja feliz, Bran viverá mais do que eles também, e que seus filhos. Ele viverá mais que Nymeria, Cão Felpudo, Fantasma e até Verão. Corvo de Sangue lhe disse:
Tenho meus próprios fantasmas, Bran. Um irmão que amava, um irmão que odiava, uma mulher que desejava. Através das árvores, ainda os vejo, mas nenhuma de minhas palavras jamais os alcançou. O passado permanece no passado. (Bran, ADWD)
Através da árvore-coração de Winterfell, Bran será na velhice como Corvo de Sangue é agora, "meio cadáver e meio árvore, [...] parecia menos um homem do que uma sinistra estátua feita de madeira retorcida" e imerso nas memórias de uma infância feliz que está perdida para ele: Ele e Arya correndo brincando com espadas de gravetos no bosque sagrado; escalando as paredes de pedra enquanto Arya e Sansa têm uma luta com bolas de neve; o pai que se senta ao lado do fogo falando "suavemente da era dos heróis e das crianças da floresta"; uma mãe ordenando-lhe para descer antes que caia; ele, Jon e Robb treinando no pátio.
Perto do fim de sua vida, Bran não será tanto um ser humano. Mais como um veículo e canal das energias mágicas que são a fonte do poder da Casa Stark. Ele será um rei quando "nunca pediu para ser um príncipe", um vidente verde quando "era com a cavalaria que sempre sonhara": Ele será o Stark em Winterfell, preso ao lugar primeiro pela paralisação de suas pernas e sua ligação com o lobo gigante e as árvores, depois por sua ligação física com a própria árvore-coração.
Seja qual for a barganha faustiana que o Construtor fez para ajudar os Filhos, é claro que ele não apenas se ofereceu: ele ofereceu seus herdeiros. A jornada de Bran, seu preparo como Senhor, warg e agora vidente verde é processo que possivelmente levará milhares de anos em construção. O próprio Bran vê seu papel de Senhor, o Stark em Winterfell, como seu destino, sua única escolha:
Por que teria de desperdiçar seus dias ouvindo velhos falando de coisas que só compreendia parcialmente? Porque está enfraquecido, lembrou-lhe uma voz no seu interior. Um senhor na sua cadeira almofadada podia ser aleijado. [...] Mas um cavaleiro no seu corcel de batalha não podia. Além disso, era o seu dever. (ACOK, Bran II)
Depois que ele olhou profundamente para o Coração do Inverno, o Corvo de Três Olhos disse a ele: "Agora você sabe por que você deve viver... porque o inverno está chegando."

A Nova Era

A extensão da ajuda dos Cantores a Bran, Casa Stark e o reino traz à mente a pergunta: Por quê? Por que fariam isso? Eles vivem em uma caverna protegida, e estão à beira da extinção em qualquer caso, então o que importa para eles que a humanidade em Westeros possa ser dizimada? A Resposta está na previsão de Folha dos anos que estão por vir:
Foram para baixo da terra – Folha respondeu. – Nas pedras, dentro das árvores. Antes dos Primeiros Homens chegarem, toda esta terra que você chama de Westeros era nosso lar, e mesmo naqueles dias éramos poucos. Os deuses nos deram longas vidas, mas não grandes números, para não saturar o mundo, como os cervos saturariam a floresta se não existissem lobos para caçá-los. Aquela era a aurora dos dias, quando nosso sol estava nascendo. Agora ele se põe, e este é nosso longo minguar. Os gigantes estão quase desaparecidos também, eles que eram nossa perdição e nossos irmãos. Os grandes leões das montanhas do oeste foram mortos, os unicórnios se foram, os mamutes são apenas algumas centenas. Os lobos gigantes sobreviverão a todos nós, mas sua hora também chegará. No mundo que os homens fizeram, não há espaço para eles, ou para nós.
(Bran III, ADWD)
Folha está prevendo a morte de todas as raças mágicas e anciãs do mundo, até mesmo lobos gigantes. Dado que a magia dos represeiros inclui poderes de profecia, talvez ela esteja correta, talvez não. O que é relevante, no entanto, é o que não foi previsto que acabaria: os represeiros e os sacrifícios de sangue dados a eles são de onde vem magia de Westeros. Onde um assentamento humano declinou, os represeiros retornam, como Brienne descobriu nos Sussurros e Bran no Fortenoite. Ambos encontraram represeiros jovens, magros e sem rosto. A civilização ândala, que teme e queima madeiras selvagens, também está morrendo, a medida que o Sul entra em colapso por meio da violência e da fome.
A explicação está nos represeiro, e na ajuda a Bran e, por extensão, ao reino: os filhos pretendem que a humanidade seja herdeira da administração das árvores sagradas que guardam as almas de seus ancestrais e sua memória. A humanidade, ao contrário dos Cantores, se reproduz rapidamente, e qualquer que seja a origem exata dos Outros (seja como arma criada pelos Cantores que saiu pela culatra, ou como alguns teóricos sugerem, troca-peles que realizaram o que Varamyr não conseguiu fazer através de bebês masculinos como as oferendas de Craster, ou algo totalmente diferente), foi apenas com a chegada da humanidade que os Outros entraram para os registro histórico. Os Outros agem como uma ferramenta cósmica contra uma humanidade que esgotaria a terra como "como os cervos saturariam a floresta se não existissem lobos para caçá-los."
Os Outros são os lobos para caçar humanos, o gelo para trazer equilíbrio ao fogo. Os Starks em Winterfell agem como um dos guardiões desse equilíbrio, a tranca em um portão que mantém à distância um poder sombrio na terra, assim como os valirianos eram para o que estava nas profundezas das Quatorze Chamas. Eles manterão esse equilíbrio até que talvez eles, por sua vez, encontrem o mesmo destino que os Cantores e sejam substituídos por outro invasor de Essos. Não surpreeende que Winterfell pareça ter sido projetado tendo em mente a luta contra os Outros e suas criaturas.
Sugere-se que a Ordem Sagrada dos Homens Verdes tenha se combinado de alguma forma com a terra se analisarmos sua pele verde, aura mágica e a administração de um poderoso bosque de represeiros, e é certo que desempenharão algum papel neste projeto, embora ainda não esteja muito claro qual é esse papel, assim como os detalhes desse projeto.

Conclusão

Há uma relação entre as diferentes figuras míticas e as fontes de seu poder:
Em todo caso, há um esboço de força sobrenatural, e até mesmo divindade, na entidade que age como uma ponte entre presente e algo muito maior: Winterfell para o passado antigo, o represeiro para a divindade e o Santo Graal para o deus-criador cristão. A imagem do Rei Pescador em ASOIAF é criada a partir da fusão do papel do Rei do Inverno ao vidente verde, e, por sua vez, a de Winterfell à árvore-coração. Ela se baseia em uma série de enxertos entre seres diversos e distintos, como afirma este meta-texto:
Simbolicamente, o enxerto imagina a súbita junção de coisas diferentes - uma fusão que pode ser perturbadora ou transformadora. O enxerto representa não apenas uma prática horticultural, mas também uma forma de compreender as fronteiras permeáveis e produtivas entre eu e outros, humanos e não humanos, bem como as conexões entre passado, presente e futuro...
Talvez o mais importante, enxertando noções de primogenitura e ideias estritas de parentesco, introduzindo incerteza em distinções renascentistas entre alto e baixo, animais e plantas, humanos e não humanos.
O Stark em Winterfell por sua natureza é destinado a ser um vidente verde, e sua ligação com o castelo é inseparável de sua ligação com a árvore-coração. Através disso, por sua vez, Winterfell adquire o aspecto de uma árvore, assim como o represeiro tem aspectos de pedra. Cada um se torna como o outro, fundido em praticamente um ser, assim como o rei adquire qualidades de divindade e, no caso do Criador Cristão, o deus é pensado como um rei ("rei dos reis, que do teu trono olha para ti"). Winterfell, nunca se diz ter sido "construído" na narrativa. Em vez disso, "Milhares e milhares de anos antes, Brandon, o Construtor, erguera [raised] Winterfell e, segundo alguns diziam, a Muralha." -(AGOT, Bran IV). "Criar" [raise], da maneira que você "cria" uma criança ou cultura, é a maneira pela qual você lida com algo que é orgânico, vivo, com sensibilidade própria. Bran também nota que aqueles que "construíram" Winterfell "nem sequer tinham nivelado a terra; havia colinas e vales por trás dos muros de Winterfell”.
Winterfell é assimétrico e irregular, como as coisas vivas e orgânicas são. Esta imagem está fortemente impressa nela que se diz que "o edifício fora crescendo ao longo dos séculos como se fosse uma monstruosa árvore de pedra, com galhos nodosos, grossos e retorcidos, e raízes que se afundavam profundamente na terra." Cada um feito mais forte por essas relações, com o Stark em Winterfell servindo como um ducto humano.
Da mesma forma que Winterfell se torna como uma árvore, o represeiro tem aspectos de não ser de alguma forma do mundo de carne e osso. Um Blackwood observa sobre um represeiro: "Por mil anos não mostrou nem uma folha. Quando se passarem mais mil anos, ela se transformará em pedra, [...]. Represeiros não apodrecem”.
Muitas vezes na narrativa, a madeira é comparada com osso, liso e branco, e osso é um tecido do corpo que permanece muito tempo após a morte, separado da carne viva. O Construtor também está associado com Ponta Tempestade. "Uns diziam que os filhos da floresta o ajudaram a construí-lo, dando forma às pedras com magia; outros afirmavam que um garotinho lhe tinha dito o que fazer, um garoto que cresceria para se tornar Bran, o Construtor”. -(ACOK, Catelyn III)
Entender o Construtor como um Rei Pescador resolve muitas contradições na história história dele, especialmente a ideia de que um homem procurou por uma raça de seres que fizeram suas casas de madeira e folha para aprender a construir um castelo de pedra. Havia um propósito muito além do aprendizado; ele foi propor uma união: a civilização humana e a floresta primordial, para criar um monólito que é tanto castelo quanto árvore, governado por um homem que é rei e xamã. Como deveria ser. E como será, pelo único rei em Westeros que GRRM e sua história valorizam e honram:
Brandon Stark, o herdeiro de Winterfell, filho de Lorde Eddard e Lady Catelyn.
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2020.11.27 00:36 darkssister Se existirem deuses, porque o mundo está tão cheio de dor e injustiça?

Em mais uma análise de A Guerra dos Tronos e a Filosofia vou falar sobre o ultimo capitulo da Parte Três “O Inverno está chegando”, parte que trata principalmente do sobrenatural da saga.
12- “POR QUE O MUNDO ESTÁ TÃO CHEIO DE INJUSTIÇA?”: OS DEUSES E O PROBLEMADO MAL por Jaron Daniël Schoone
Schoone começa a basear sua discussão em uma frase dita na série, como aqui tenho interesse em discutir apenas sobre o universo dos livros vou iniciar a discussão baseada em trecho que o próprio destacado ACOK.
— Não tem medo? Os deuses podem enviá-lo para algum inferno terrível por todo o mal que já fez.
— Que mal? — soltou uma gargalhada. — Que deuses?
— Os deuses que fizeram todos nós.
— Todos? — ele zombou. — Diga-me, passarinho, que tipo de deus faz um monstro como o Duende, ou uma idiota como a filha da Senhora Tanda? Se os deuses existirem, fizeram as ovelhas para que os lobos possam comer carneiro, e os fracos para os fortes brincarem com eles.
(AGOT, Sansa IV)
Se existe um Deus onisciente, onipotente e bondoso qual o motivo dele deixar o mal prosperar? Se o mal existe “acreditar nos deuses de Westeros também se mostra irracional.” (p. 168)
Mas o que é o mal?
O autor elenca dois tipos de mal: o moral e o natural. O mal moral é causado pela humanidade, o mal natural seria a dor e o sofrimento causado por ocorrência na natureza (nada mais triste que Robert, Stannis e Renly verem seus pais morrerem em um naufrágio). Atitudes que são consideradas o mal moral depende muito da cultura. Schoone dá como exemplo os Dothraki e os homens de ferro, culturas nas quais o saque e a violação não são considerados errados.
Para o filosofo e padre Santo Agostinho, o mal não foi criado ele é apenas a falta de bondade e por isso Deus não criou o mal. Outro argumento de Agostinho é baseado na premissa do livre arbítrio.
“Deus considera uma virtude moral o fato de o homem ter livre-arbítrio (...)” (p.171), Deus cria um mundo bom e os seres humanos escolhem causar o mal e Deus não pode impedir pois violaria o livre-arbítrio.
-Então culpe esses seus preciosos deuses, que trouxeram o garoto até nossa janela e lhe deram um vislumbre de algo que nunca deveria ter visto.
-Culpar os deuses?- ela disse, incrédula. - A mão que o atirou era sua. Queria que ele morresse.
(ACOK, Catelyn VII)
Se considerarmos que o Deus de 7 faces (o mais próximo do deus cristão segundo o autor) também segue a premissa do livre arbítrio, esse poderia ser um argumento de Sansa para o Cão (e ele provavelmente iria rir).
Schoone avalia que se a definição de mal de agostinho e mal e o bem seriam conceitos polares, exemplo: para que uma montanha exista um vale deve existir também. O bem e o mal não funcionam bem assim. Outra questão (muito bem) colocada é: O livre-arbítrio é tão valioso assim para compensar o tanto de mal que existe?
Culpar os deuses pelo mal natural
-Deixei de acreditar em deuses no dia em que vi o Orgulho do Vento quebrar-se do outro lado da baía. Jurei que quaisquer deuses que fossem monstruosos a ponto de afogar minha mãe e meu pai nunca teriam a minha adoração.
(ACOK, Davos I)
O mal natural não poderia ser explicado da mesma forma que os males morais. Porém Agostinho argumenta que o mal natural é necessário para a existência do mal moral.
O meistre Cressen decide envenenar Melisandre usando o estrangulador, (...) Mas como Cressen sabia que esse cristal era venenoso? Bom, provavelmente ele foi ensinado pelos meistres de sua Ordem que esse cristal tinha o efeito mortal apropriado. Mas como esses meistres sabiam? Em algum momento deve ter acontecido um primeiro assassinato usando esse cristal. Mas como o primeiro assassino sabia que esse cristal teria um efeito mortal? Presumivelmente, essa pessoa notou (...) porque alguém o ingeriu acidentalmente e acabou morrendo. Mas este último evento é um mal natural.
(p.175)
Dessa forma os homens saberiam como criar o mal moral observando o mal natural. Para o autor essa ideia é fraca, além do mais, não explicaria a existência de fenômenos como a tormenta que quebrou o Orgulho do Vento pois “Ninguém descobriu como usar desastres naturais para criar males morais” (p. 175).
Humanos não podem causar desastres naturais (há controvérsias) mas os deuses poderiam, nesse caso os deuses seriam maléficos. Mas a existência de deus mal significa a ausência de deus bom? Para falar sobre isso, Schoone utiliza de exemplo a eterna luta entre R’hllor e o Grande Outro. A existência do Grande Outro significa que R’hllor não é onipotente...e há possibilidade dele não ser tão bom assim, certo?
Observando tudo parece que a existência do mal no mundo prova que na verdade os deuses não existem em ASOIAF, porém esse argumento diz respeito apenas a deuses bons, justos e potentes, e eles podem muito bem não ser.
“Os deuses raramente são bons, Jon Snow” (ADWD Jon XII)
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2020.11.20 15:15 BlindEyeBill724 Praeambula Fidei, artigo do Prof.Edward Feser

Praeambula Fidei, artigo do Prof.Edward Feser


Segue a tradução do artigo do Prof.Edward Feser em torno do Praeambula Fidei (por que isso é importante à apologética cristã, ver o post introdutório deste subrredit¹), encontrado originalmente em → http://edwardfeser.blogspot.com/2012/01/point-of-contact.html, com alguns outras traduções contextuais para que o leitor tenha acesso facilitado. Também realizarei alguns comentários quando julgar pertinente, espero que aproveitem algo (os comentários seram precedidos de CT, comentário do tradutor).
PONTO DE CONTATO
Bruce Charlton identifica seis problemas para os apologistas cristãos modernos² e propõe uma solução. Suas observações são todas interessantes, mas eu quero me concentrar no primeiro e mais fundamental dos problemas que ele identifica, que é que o conhecimento metafísico e moral que mesmo os pagãos tinham no mundo antigo não pode mais ser tomado por certo:
O cristianismo é um salto muito maior da modernidade secular do que do paganismo. O cristianismo parecia a conclusão do paganismo - um ou dois passos adiante na mesma direção e construindo sobre o que já estava lá (na cosmovisão clássica, CT): as almas e sua sobrevivência além da morte, a natureza intrínseca do pecado, as atividades de poderes invisíveis e assim por diante. Com os modernos, não há nada sobre o que construir (exceto talvez memórias de infância ou realidades alternativas vislumbradas através da arte e da literatura).
Desse problema seguem-se muitos outros, continua Bruce:
O Cristianismo moderno, conforme experimentado pelos convertidos, tende a ser incompleto - precisamente porque o Cristianismo moderno não tem nada sobre o que construir. Isso significa que o Cristianismo incompleto moderno carece de poder explicativo, parece ter pouco ou nada a dizer sobre o que parecem ser os principais problemas da vida. Por exemplo, o Cristianismo moderno parece não ter nada a ver com política, direito, arte, filosofia ou ciência; habitar um reino minúsculo e cada vez menor, isolado das preocupações diárias. O cristianismo moderno frequentemente exclui milagres; pecado original; o nascimento virginal, a encarnação e a natureza dual de Cristo; A morte, ressurreição e expiação de Cristo; a Santa Trindade; anjos, demônios e guerra espiritual invisível e assim por diante - mas sem esses e outros elementos, o cristianismo não se mantém unido nem satisfaz o anseio humano.
E
O Cristianismo moderno muitas vezes parece superficial - parece confiar demais no ditame das Escrituras e da Igreja - isso porque os modernos carecem de uma base nas percepções espontâneas da Lei Natural, do animismo, do senso de poder sobrenatural ativo na vida cotidiana. O Cristianismo moderno (após a primeira onda de experiência de conversão), portanto, parece seco, abstrato, legalista, proibitivo, não envolvente, sem propósito.
Como se costuma dizer, leia tudo. Acredito que haja muita verdade no que Bruce tem a dizer. Para ter certeza, nem por um momento penso (e presumo que Bruce não pense) que o Cristianismo realmente é "superficial", "incompleto", "seco", "sem propósito", desprovido de “Poder explicativo”, com “nada para construir” por meio de um terreno comum com a modernidade secular, etc. Muito pelo contrário. Mas concordo que pode parecer assim para muitas pessoas modernas. (Parecia mais ou menos assim para mim em meus dias ateus, antes de descobrir o que o Cristianismo, e em particular o Catolicismo, realmente disse - isto é, o que seus maiores representantes realmente sustentaram historicamente, em contraste com as distorções do cristianismo, seja liberal ou fundamentalista, que o substituiu em grande parte da opinião pública.)
O problema, em parte, é de circunstâncias históricas e culturais. Veja um exemplo simples, a descrição cristã de Jesus Cristo como Senhor e Salvador. Para as pessoas modernas, esse tipo de conversa pode soar insuportavelmente piegas; na verdade, às vezes acho isso insuportavelmente piegas, a menos que o contexto seja capaz de neutralizar as terríveis associações culturais que passaram a cercá-lo. Portanto, se estou ouvindo uma referência a Jesus como Senhor ou Salvador no contexto da Missa (seja a forma extraordinária ou a forma ordinária celebrada de forma digna), isso não me incomoda de forma alguma; mas se o ouço proferido por um televangelista, sinto (talvez como um Dawkins ou um Hitchens sentiriam) uma necessidade irresistível de mudar de canal.
Pense, porém, nas associações que uma palavra como “Senhor” teria para alguém no mundo antigo ou medieval - faria lembrar um imperador ou um aristocrata. Pense no que "Salvador" significaria em um contexto cultural onde antigas comunidades locais estavam sendo engolidas por impérios implacáveis ​​e aparentemente invencíveis, e onde sistemas morais rigoristas como o estoicismo e o neoplatonismo competiam pela lealdade da intelligentsia - isto é, digamos, onde as pessoas tiveram uma sensação contínua de estarem em perigo físico real e de fracasso moral pessoal contínuo. Uma descrição de Jesus de Nazaré como "Senhor" e "Salvador" teria o reverso das conotações sentimentais e efeminadas que os secularistas ouvem agora - pode trazer à mente um Constantino severo cavalgando para o resgate a cavalo, digamos, em vez de um Mister Rogers com cabelo comprido e sandálias, pronto com um sorriso e um Band Aid para nossa estupidez espiritual.
Combine a política igualitária, a moral fácil e a riqueza relativa e a estabilidade social das últimas décadas, e poucas pessoas no mundo secular moderno estão procurando por um Senhor ou Salvador no sentido que os antigos e medievais teriam entendido. Adicione a isso o fato de que "Jesus é o Senhor!" tornou-se a expressão de uma religiosidade emocional e terapêutica veiculada por meio de camisetas, adesivos de para-choque e música ruim produzidos em massa, e toda a ideia é destinada ao secularista moderno a parecer ininteligível e repulsivamente cafona. (Raspe um Novo Ateu e você frequentemente descobrirá que este é o tipo de coisa contra a qual ele está reagindo, e tudo o que ele conhece do Cristianismo.)
Então, isso é parte do problema. Mas isso pode ser remediado se os proponentes de uma forma de cristianismo muscular e intelectualmente rigorosa - ou seja, do cristianismo simpliciter, como existiu historicamente - redescobrirem sua herança ancestral. Com isso, eles redescobrirão também a herança do mundo pagão e encontrarão nela os recursos para se comunicarem com o homem moderno, na verdade com qualquer homem. Os aristotélicos e os neoplatônicos sabiam que Deus existe, sabiam que o homem não é uma criatura puramente material, sabiam que o bom e o mau são características objetivas do mundo e que a razão nos direciona a buscar o bem. Eles sabiam dessas coisas através de argumentos filosóficos que não perderam nada de sua força, argumentos que foram recolhidos e refinados por pensadores cristãos e que informaram a grande tradição escolástica.
Como o Papa Leão XIII expressou belamente em Aeterni Patris, os tesouros intelectuais dos pagãos são como os vasos de ouro e prata que os israelitas tiraram do Egito, prontos para serem empregados a serviço da verdadeira religião. Assim, a Escolástica, cujo renascimento esta encíclica promoveu, felizmente, adotou tudo o que era de valor no pensamento de gregos e romanos, judeus e árabes. Com filosofia como com arte, literatura e arquitetura, se você quiser aprender o que os maiores não-cristãos têm a oferecer, venha para a Igreja, que o absorve e protege - honrando nossa natureza divinamente dada e seus produtos, mesmo enquanto ela cria eles mais elevados pela graça. Ela lembra ao homem o que ele já sabe, ou pode saber, por meio de seus próprios poderes, antes de revelar a ele verdades que ele não poderia chegar por conta própria. Ela fala com ele em sua própria língua - a linguagem da teologia natural e da lei natural, que são, em princípio, acessíveis a todos, e não têm prazo de validade. Até os secularistas modernos conhecem essa linguagem, pois não são menos humanos do que seus ancestrais pagãos. O problema é que eles falam isso apenas no nível de escola primária ou mesmo no jardim de infância, enquanto o maior dos antigos pelo menos tinha proficiência relativa ao ensino médio. Mas, por meio da educação, eles, como os antigos pagãos, podem ser preparados para o trabalho de pós-graduação proporcionado pela revelação divina.
Esta é, obviamente, a ideia do que Tomás de Aquino chamou de praeambula fidei - os preâmbulos da fé, pelos quais a filosofia abre a porta para a revelação (onde a fé e a revelação, tenha em mente, corretamente entendidas, não são de forma alguma contrária à razão, mas um desenvolvimento - expliquei como na primeira metade de um post anterior³). Mas isso nos leva a outro problema. Como o fariseu que despreza a piedade e virtude sincera do samaritano, alguns cristãos desprezam a teologia natural e a lei natural como ímpias ou pelo menos questionáveis. Eles desprezam a natureza humana e, com ela, qualquer compreensão não-cristã de Deus e da moralidade, como algo totalmente corrupto e sem valor; ou eles estão dispostos, pelo menos verbalmente, a afirmar essa natureza, mas apenas se ela for efetivamente absorvida na ordem da graça, como o monofisista que está disposto a reconhecer a natureza humana de Cristo apenas se primeiro ela for completamente divinizada. Na primeira tendência, somente a fé e as Escrituras devem ser suficientes para trazer alguém ao Cristianismo, os preâmbulos que se danem. Sobre este último, a natureza humana é concebida de uma forma que (para tomar emprestado uma frase do Papa Pio XII) ameaça "destruir a gratuidade da ordem sobrenatural" ao elevar o natural ao sobrenatural, tratando de fato a teologia natural e a lei natural como se apenas o cristão pudesse entendê-los corretamente. Em ambos os casos, o cristianismo pode vir a parecer uma questão de mero diktat (como diz Bruce Charlton) - fideísta, inacessível e irrelevante para o mundo dos não crentes.
A primeira tendência, obviamente, está associada a Lutero e Calvino, embora seja justo reconhecer que há protestantes que resistiram a ela. Ao mesmo tempo, sua própria resistência é frequentemente resistida por seus correligionários, como é ilustrado por uma famosa disputa entre os teólogos protestantes do século 20 Emil Brunner e Karl Barth. Brunner argumentou que a teologia natural representa um "ponto de contato" entre a natureza humana e a revelação divina, pelo qual a primeira pode ser capaz de receber a última (embora mesmo Brunner qualifique sua noção de "teologia natural", para que não implique a certeza da existência de Deus apenas pela razão natural como é afirmado pelo catolicismo). Barth respondeu com raiva (em uma obra com o título conciso "Não!"), Rejeitando qualquer sugestão de que a natureza humana contribui com algo para o "encontro" entre Deus e o homem e argumentando que qualquer "ponto de contato" necessário foi ele próprio fornecido pela revelação, em vez do que a natureza humana. Isso é um pouco como dizer que a bola de bilhar A bate na bola de bilhar B ao atingir, não a superfície de B, mas uma superfície fornecida por A. Se for inteligível, isso apenas empurra o problema para trás: Como a superfície fornecida por A em si tem alguma eficácia vis-à-vis B? E como o “ponto de contato” fornecido pela própria revelação faz qualquer contato com a natureza humana?
Também é justo apontar que alguns pensadores católicos modernos têm opiniões que pelo menos flertam com a segunda tendência que descrevi acima - embora em parte sob a influência de Barth. Hans Urs von Balthasar procurou encontrar Barth no meio do caminho, rejeitando a concepção do estado natural do homem desenvolvida dentro da tradição tomista e central para a Neo-Escolástica promovida por Aeterni Patris de Leo (uma concepção que eu descrevi em um post recente sobre o pecado original). Nessa visão tradicional, o objetivo natural dos seres humanos é conhecer a Deus, mas apenas de uma forma limitada. O conhecimento íntimo e “face a face” da natureza divina que constitui a visão beatífica é algo a que não estamos destinados por natureza, mas é um dom inteiramente sobrenatural que se tornou disponível a nós somente por meio de Cristo. No lugar dessa doutrina, Balthasar colocou o ensino de seu colega proponente da Nouvelle Théologie Henri de Lubac, que sustentava que esse fim sobrenatural é algo para o qual somos ordenados pela natureza. Se é mesmo coerente afirmar que um dom sobrenatural pode ser nosso fim natural, e se o ensinamento de Lubac pode, em última análise, ser reconciliado com a doutrina católica tradicional da "gratuidade da ordem sobrenatural" reafirmada por Pio XII, há várias décadas tem sido assunto de feroz controvérsia. Mas a implicação aparente (mesmo que não intencional) da posição defendida por de Lubac e Balthasar é que não existe uma natureza humana inteligível à parte da graça e à parte da revelação cristã. E, nesse caso, é difícil ver como poderia haver uma teologia natural e uma lei natural inteligível para alguém ainda não convencido da verdade dessa revelação.
Relacionado a isso está a tendência de Etienne Gilson de tirar a ênfase do núcleo aristotélico do sistema de Tomás de Aquino e apresentá-lo como uma "filosofia cristã" distintiva. Como Ralph McInerny argumentou em Praeambula Fidei: Thomism and the God of the Philosophers, a posição de Gilson, como a de Lubac, ameaça minar a visão tradicional tomista de que a filosofia deve ser claramente distinguida da teologia e pode chegar ao conhecimento de Deus à parte da revelação. Essas visões, portanto, “involuntariamente [corroem] a noção de praeambula fidei” e “nos conduzem por caminhos que terminam em algo semelhante ao fideísmo” (p. Ix).
O livro de McInerny, junto com outras obras recentes como O Desejo Natural de Ver Deus de Lawrence Feingold de acordo com São Tomás de Aquino e Seus Intérpretes e Natura Pura de Steven A. Long, marcam uma recuperação há muito esperada dentro do pensamento católico convencional de uma compreensão da natureza e graça que já foi moeda comum, e à parte da qual a possibilidade da teologia natural e da lei natural não pode ser adequadamente compreendida. Nem, eu diria, outras questões cruciais podem ser apropriadamente entendidas à parte dele (como o pecado original, como argumento na postagem vinculada acima). A confusão entre o natural e o sobrenatural também pode estar por trás de uma tendência em alguns escritos católicos contemporâneos de enfatizar exageradamente os aspectos distintamente teológicos de algumas questões morais. Por exemplo, uma exposição da moralidade sexual tradicional que apela principalmente ao Livro do Gênesis, a analogia do amor de Cristo pela Igreja ou a relação entre as Pessoas da Trindade pode parecer mais profunda do que um apelo (digamos) ao fim natural de nossas faculdades sexuais. Mas o resultado de tal ênfase teológica desequilibrada é que para o não crente, a moralidade católica pode (novamente para usar as palavras de Bruce Charlton) falsamente "parecer confiar somente no ditame da Escritura e da Igreja" e, portanto, apelar apenas para o relativamente "minúsculo e encolhido reino” daqueles dispostos a aceitar tal afirmações. Não conseguirá explicar adequadamente àqueles que ainda não aceitam os pressupostos bíblicos da "teologia do corpo" do Papa João Paulo II ou de uma "teologia da aliança da sexualidade humana", apesar de seus méritos, exatamente como o ensino católico é racionalmente fundamentado na natureza humana, em vez do comando divino ou eclesiástico arbitrário. A graça não substitui a natureza, mas a aperfeiçoa; e um relato que enfatiza fortemente o primeiro sobre o último está fadado a parecer infundado.
O próprio falecido percebeu isso, quer todos os seus expositores o façam ou não. Em Memória e Identidade, ele diz:
Se quisermos falar racionalmente sobre o bem e o mal, devemos retornar a Santo Tomás de Aquino, ou seja, à filosofia do ser [ou seja, à metafísica tradicional]. Com o método fenomenológico, por exemplo, podemos estudar experiências de moralidade, religião, ou simplesmente o que é ser humano, e tirar delas um enriquecimento significativo de nosso conhecimento. Porém, não devemos esquecer que todas essas análises pressupõem implicitamente a realidade do Ser Absoluto e também a realidade do ser humano, ou seja, ser uma criatura. Se não partirmos dessas pressuposições “realistas”, acabamos no vácuo. (p. 12)
E no capítulo V da Fides et Ratio ele advertiu:
“Há também sinais [hoje] de um ressurgimento do fideísmo, que não reconhece a importância do conhecimento racional e do discurso filosófico para a compreensão da fé, na verdade, para a própria possibilidade de crença em Deus. Um sintoma atualmente difundido dessa tendência fideística é um “biblicismo” que tende a fazer da leitura e exegese da Sagrada Escritura o único critério de verdade
Outros modos de fideísmo latente aparecem na escassa consideração concedida à teologia especulativa, e em desdém pela filosofia clássica da qual os termos da compreensão da fé e da formulação real do dogma foram extraídos. Meu venerado Predecessor, o Papa Pio XII, advertiu contra esse descaso com a tradição filosófica e contra o abandono da terminologia tradicional.”
E o Catecismo promulgado pelo Papa João Paulo II, citando Pio XII, afirmava que:
A razão humana é, estritamente falando, verdadeiramente capaz por seu próprio poder natural e luz de alcançar um conhecimento verdadeiro e certo do único Deus pessoal, que zela e controla o mundo por sua providência, e da lei natural escrita em nossos corações pelo Criador. (par. 37)
Há uma razão pela qual o primeiro Concílio Vaticano, embora insistindo que a revelação divina nos ensina coisas que não podem ser conhecidas apenas pela razão natural, também ensinou que:
A mesma Santa Mãe Igreja sustenta e ensina que Deus, a fonte e o fim de todas as coisas, pode ser conhecido com certeza a partir da consideração das coisas criadas, pelo poder natural da razão humana.
E
Não só a fé e a razão nunca podem estar em conflito uma com a outra, mas elas se apoiam mutuamente, pois por um lado a razão justa estabeleceu os fundamentos da fé e, iluminada por sua luz, desenvolve a ciência das coisas divinas ...
E
Se alguém disser que o único, verdadeiro Deus, nosso criador e Senhor, não pode ser conhecido com certeza das coisas que foram feitas, pela luz natural da razão humana: seja anátema.
E
Se alguém disser que a revelação divina não pode se tornar crível por sinais externos e que, portanto, os homens e as mulheres devem ser movidos à fé apenas pela experiência interna ou inspiração privada de cada um: que seja anátema.
E
Se alguém disser ... que os milagres nunca podem ser conhecidos com certeza, nem a origem divina da religião cristã pode ser provada deles: que seja anátema.
O objetivo de tais anátemas não é resolver por decreto a questão de se Deus existe ou se os milagres realmente ocorreram; obviamente, um cético ficará comovido, se for o caso, apenas por receber argumentos reais para essas afirmações, não pela mera insistência de que existem tais argumentos. Os anátemas são dirigidos ao cristão subjetivista e fideísta que rejeitaria a exigência do ateu de que a fé fosse dada uma defesa objetiva e racional e que, assim, faz do Cristianismo motivo de chacota. Pregar o cristianismo aos céticos sem primeiro definir o praeambula fidei, e depois reclamar quando eles não o aceitam, é como gritar em inglês com alguém que só fala chinês e, em seguida, descartá-lo como um tolo quando ele não o entende. Em ambos os casos, embora certamente haja um tolo na foto, não é o ouvinte.
________________________
¹- Em https://www.reddit.com/ApologeticaCrista/comments/jx3m63/uma_breve_introdu%C3%A7%C3%A3o_pessoal_%C3%A0_apolog%C3%A9tica_crist%C3%A3/
²- Os pontos de Bruce Charlton quais o Prof.Edward Feser se refere, e quais não cita em seu artigo são os seguintes:
  1. A ausência de judaísmo
O Cristianismo moderno tem que passar sem os séculos de tradição judaica desenvolvendo uma compreensão da natureza de Deus, os profetas e suas profecias, a vida devocional dos Salmos etc; mas os cristãos modernos têm que descobrir tudo isso do zero e por si próprios, e muitas vezes não conseguem.
  1. Confusão
A vida moderna é hedônica, distraída - frequentemente drogada. Consequentemente, as pessoas muitas vezes não sabem ao certo a natureza da vida. Além disso, nas últimas décadas, a cultura dominante tem sido ativamente contra o Bem. A arte moderna é anti-beleza, as filosofias modernas são anti-verdade, a moralidade moderna é uma inversão do Direito Natural. A propaganda (implícita e explícita) inculca que os ideais espontâneos dos humanos (religião nativa, diferenças sexuais, família, nação, lealdade, coragem) estão errados. Em suma, os modernos estão profundamente (deliberadamente) confusos sobre questões profundas. Portanto, os apologistas cristãos modernos têm que explicar a condição humana, a natureza básica da vida; antes de explicar como o cristianismo é a resposta.
  1. Inoculação anticristã
A cultura dominante agora se inocula especificamente contra o Cristianismo e os pré-requisitos do Cristianismo. Ele fornece argumentos prontos, fundamentados no hedonismo materialista moderno, para serem usados ​​contra todas as evidências ou etapas de argumentação que possam levar ao Cristianismo, se rigorosamente seguidas. A apologética cristã não pode avançar um passo sem eliciar esses slogans, e a impaciência moderna, a distração e um curto espaço de atenção fazem o resto. Que esses argumentos materialistas hedônicos sejam circulares, incoerentes e infundados é irrelevante na prática; porque eles efetivamente bloqueiam o desenvolvimento de uma metafísica alternativa da qual sua invalidade seria aparente.
3- http://edwardfeser.blogspot.com/2011/09/modern-biology-and-original-sin-part-ii.html
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2020.11.17 01:51 Delicious_Emu_7366 Eu acho que estou deixando de ser hetero e virando bi...

Me ajudem por favor. Eu tenho 18 anos e sempre tive atração por mulheres, tanto sexual, quanto emocional, mas de uns meses pra cá eu comecei a sentir um certo tesão em homens sarados e musculosos, isso começou qnd eu vi um homem bombado no Feed do Instagram, aí de Lá pra cá comecei a pesquisar fotos e vídeos deles pelados, cheguei até a me masturbar e fui até o fim vendo esse tipo de conteúdo, mas depois de gozar sempre me arrependo muito e peço perdão a Deus.
Porém, é apenas tesão, de Lá pra cá eu não achei nenhum rosto de homem bonito, ah não ser de um só cara q vi numa série na netflix, eu não sei se o que tá acontecendo é por conta de ver muita pornografia ou se é em um fetiche que eu tenho por sêmen, pôs em 2018 eu tive um pensamento de "e se eu fosse gay ou bi?" Aí as vezes eu pensava em relações sexuais com homens, até sentia um certo tesão mas dps tinha esquecido, porém isso voltou com força esse ano.
Por favor ficarei muito grato se me responderem, mesmo eu sendo cristão, eu só quero ter certeza se eu estou virando bissexual (Ainda sinto atração por mulheres) ou se isso é apenas efeito da pornografia ou de meu fetiche. Boa noite a todos vcs.
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2020.11.17 01:23 Delicious_Emu_7366 É possível deixar de ser hetero e virar bi??

Me ajudem por favor. Eu tenho 18 anos e sempre tive atração por mulheres, tanto sexual, quanto emocional, mas de uns meses pra cá eu comecei a sentir um certo tesão em homens sarados e musculosos, isso começou qnd eu vi um homem bombado no Feed do Instagram, aí de Lá pra cá comecei a pesquisar fotos e vídeos deles pelados, cheguei até a me masturbar e fui até o fim vendo esse tipo de conteúdo, mas depois de gozar sempre me arrependo muito e peço perdão a Deus.
Porém, é apenas tesão, de Lá pra cá eu não achei nenhum rosto de homem bonito, ah não ser de um só cara q vi numa série na netflix, eu não sei se o que tá acontecendo é por conta de ver muita pornografia ou se é em um fetiche que eu tenho por sêmen, pôs em 2018 eu tive um pensamento de "e se eu fosse gay ou bi?" Aí as vezes eu pensava em relações sexuais com homens, até sentia um certo tesão mas dps tinha esquecido, porém isso voltou com força esse ano.
Por favor ficarei muito grato se me responderem, respeito muito vcs lgbts por sua luta em todos esses anos, mesmo eu sendo cristão, eu só quero ter certeza se eu estou virando bissexual (Ainda sinto atração por mulheres) ou se isso é apenas efeito da pornografia e de meu fetiche. Boa noite a todos vcs.
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2020.11.04 14:13 Magic_is_useles Por que vocês vão na igreja? É por tradição? É por medo? É porque são obrigados? Ou para socializar?

Antes de tudo, eu gostaria de dizer que eu não tenho nada contra a religião que as pessoas escolhem. Eu só não tolero mesmo é a hipocrisia e ignorância de alguns que se dizem "cristãos".
Por que você vai na igreja? Você acredita em Deus? Você acredita em tudo que está na bíblia? Tenho 19 anos, não bebo, não fumo, sou hétero, nunca roubei, nunca machuquei propositalmente, não tenho arrependimentos de minhas escolhas e não vou à igreja já faz 4 anos.
Eu tenho uma família religiosa e tradicional. Ironicamente, em minha família há bem mais mulheres do que homens, mas o machismo reina. Eu sou constantemente questionado sobre as minhas escolhas e constantemente difamado pelo meu afastamento da igreja.
Eu acredito em Deus, mas não porque alguém me disse, ou porque está escrito na bíblia, ou porque eu acredito em milagres. Eu acredito em Deus porque eu não acredito que o universo foi criado do nada. Se você estuda um pouco de física e matemática, você percebe que tudo é regido por essas leis e é como se vivessemos em um sistema onde tudo se encaixa perfeitamente na matemática.
Eu acredito que o nosso universo teve um arquiteto, mas não necessariamente que ele seja um homem barbudo com cabelos grisalhos. Para mim, Deus poderia ser a própria matemática ou os números. Eu não consigo acreditar nas histórias da bíblia. A história da criação, por exemplo, foi passada oralmente por muitas gerações até ser escrita por Moisés. Quem garante que aquelas histórias realmente aconteceram? É uma lenda! Eu acredito que bíblia trás mais dúvida e confusão do que respostas.
Sinceramente, eu me desapeguei à igreja devido todas as suas atitudes e injustiças que eu presenciei. Eu posso confirmar que pelo menos por onde eu passei, eu encontrei mais pessoas ruins vindo da igreja do que de fora dela. Por que a igreja atrai tantos picaretas? Eu não me importo com o que as pessoas acreditam, elas tem direito de buscar as suas motivações no que quiser, mas o que mais tem são pessoas que nunca estudaram se fingindo de pastores e enganando as pessoas por grana.
Como vocês podem ver, eu tenho bastante ressentimento com as igrejas e o que está acontecendo na atualidade não ajuda muito também, mas o assunto que eu quero trazer aqui é: você vai ou não na igreja? Se sim ou não, porque você vai ou não vai. Por que eu pergunto isso? Eu pergunto isso porque a minha vida inteira eu tive dúvidas a respeito dos dogmas e a existência de Deus, mas eu nunca pude perguntar isso para as pessoas da minha família, porque sempre que eu chego perto desse assunto eles se sentem incomodados.
O que me parece é que os meus criadores só estão seguindo essa religião devido a tradição, mas não sabem o porque fazem isso. Isso é ruim, porque é esse tipo de coisa atrasa a nossa sociedade. A igreja pensa pelas pessoas. Essas pessoas não buscam os seus propósitos ou pensam o porque fazem o aue fazem, elas só seguem o que a igreja manda que 0,1% das vezes é algo bom.
Uma pessoa que comete crimes, que não estuda, que rouba, etc, é punida pelas consequências de suas escolhas. A minha conclusão é que você não precisa da igreja para chegar à conclusão de que ser bom é melhor. Você chega à essa conclusão mais fácil estudando e pensando por si próprio. E mais do que isso, você entende que é melhor para esse mundo se as pessoas são conscientes e são livres para fazerem as suas próprias escolhas.
Do contrário, nós temos um monte de pessoas nas igrejas, que se não fosse o medo do inferno, elas estariam roubando e matando por pura ignorância. Eu não acredito nessa história de "O ser humano é ruim por natureza", pois quanto mais você pensa por si mesmo, mais você quer um mundo igual, um mundo com direitos iguais, um mundo preservado e que progride para um futuro de modo sustentável.
Desculpe pelo textão, essa é a minha visão pelo o que eu vivi. Me digam: vocês acreditam em Deus? Não acreditam? Vão ou já deixaram de ir à igreja? Por que? Me deixem as suas opniões, esse é um assunto que incomoda muitos, mas que eu acho interessante de se discutir.
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2020.10.24 20:29 assis96 VII SEMINÁRIO PIETRO UBALDI

HOJE, das 15h às 18h30, o Grupo Espírita Servidores de Jesus (GESJ) apresentará o VII SEMINÁRIO PIETRO UBALDI (online), com o tema: AS GRANDES MENSAGENS.
O GESJ dispõe do Grupo de Estudo da Obra de Pietro Ubaldi, fundado em 2012, chamado Centro de Estudos Ubaldianos de Niterói (CEU-NIT). O grupo realiza 1 (um) seminário por ano sobre as obras de Pietro Ubaldi.
Pietro Ubaldi recebeu através de sua mediunidade inspirativa 7 (sete) Grandes Mensagens de 1931 a 1953, todas ditadas pela fonte que ele chamou de "Sua Voz", cujo conteúdo e linguagem vibrante nos faz lembrar, perfeitamente, a Boa Nova de Cristo.
Convidamos estudiosos das Obras de Pietro Ubaldi e Allan Kardec para nos apresentar os iluminados conteúdos destas Grandes Mensagens, conforme programação abaixo:
15h: Abertura.
15h5: Palestra 1 - Introdução às Grandes Mensagens (Tales Argolo)
15h30: Palestra 2 - Mensagem do Natal (Rosany Barcellos)
15h55: Palestra 2 - Mensagem da Ressurreição (Julio Damasceno)
16h20: Palestra 3 - Mensagem do Perdão (Leonardo Baptista)
16h45: Palestra 4 - Mensagem aos Cristãos (Maurício Crispim)
17h10: Palestra 5 - Mensagem aos Homens de Boa Vontade (Rosana Manso)
17h35: Palestra 6 - Mensagem da Paz (Rafael Ludolf)
18h: Palestra 7 - Mensagem da Nova Era (Gilson Freire)
18h25: Encerramento
Todo o evento será transmitido pelo youtube do GESJ, neste link: http://bit.ly/seminarioubaldi
Paz e bem!
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2020.10.04 02:23 Olmequinha Tenho medo de ser gay

Eu só tenho 14 anos e morro de medo de fazer parte do grupo LGBT. Não é por preconceito, mas tenho medo de ser julgado por isso. Tenho medo doq meus pais achariam. Tenho medo da relação entre eu e meus amigos mudar. E principalmente, medo da igreja. Eu sempre fui cristão, minha família tbm, e eu sempre fui ensinado q ser gay é "errado" e q gays vão para o inferno, e esse é o meu maior medo de ir pro inferno. Nunca gostei de homens, mas tenho medo de acabar gostando, como por exemplo, eu sou muito próximo de um amigo meu. Pode ser só amizade, mas pode ser outra coisa, nunca senti nada além, mas sei lá
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2020.09.29 19:02 cobrinha_ANCAP desabafo ancap

não ha nada de errado no coletivismo quando ele é voluntario, quando ele respeita que antes dele vem a liberdade dos individuos de escolher pertencer ou não a aquele coletivo.

não ha contradição alguma entre uma ordem religiosa que seja absolutamente coletivista e obrigue seus membros a dar a ela todos seus bens, q os proiba de casar, q negue toda a sua individualidade, desde q isso seja voluntario e desde q eles possam renunciar a esse coletivo.

o libertarianismo não nega os direitos de individuos se unirem e criarem o seu coletivismo, desde que eles respeitem a liberdade dos individuos e o seu direito de livre associação ou não.

o ser humano é um ser social e sacrificios pelo coletivo são muito bem vindos, quando são voluntarios, como é o caso dos grandes sabios, profetas, pessoas inovadoras que foram perseguidas entre outras que se sacrificaram pelo bem maior.

ser anarco capitalista nada tem haver com ser um adorador do dinheiro, vc pode querer viver de subsistencia, nenhum ancap vai te criticar por isso, o anarco-capitalismo e o libertarianismo são em essencia uma ideia moral de respeito a liberdade do individuo, se ele quiser ele pode ser mendigo se ele quiser ele pode ser trilionario e ninguém tem autoridade para querer regulamentar a riqueza dele, roubar impostos...
é uma filosofia moral de respeito ao individuo, o verdadeiro ancap segue essa filosofia porque ela representa as ideias morais mais elevadas que o ser humano pode alcançar, as religiões também partem de um contato do individuo com o sagrado, as instituições religiosas são só ponte para facilitar essa jornada, a liberdade do individuo é sagrada.

a esquerda fala que é burrice ser "pobre de direita", a esquerda fala isso porque a esquerda é materialista e só por isso ja se corrompe no utilitarismo q ve os bens materias como mais importantes que os individuos, para a esquerda é preferivel conquistar os bens materias do que conquistas as virtudes, para a esquerda o individuo é descartavel, o que interessa é tomar o poder roubando os meios de produção(parques industriais, fabricas, fazendas...) dos ricos, que são exemplos de individuos que tiveram sucesso na vida, a esquerda teme os individuos que fizeram sucesso na vida, porque esses individuos inspiram o gado a também acreditarem em si mesmos como individuos e dependerem menos dos desmandos ditatoriais esquerdistas.

mas o pior não é tirar a riqueza dos individuos, isso um individuo pode renunciar de bom grado ele mesmo sem estar cometendo nenhuma imoralidade, como Cristo, Buda, entre outros que preferiram se dedicar ao bem da humanidade e não as riquezas, eles viam como mais imaturos os que priorizavam as riquezas, mas mesmo em toda a sua sabedoria eles nunca disseram que o povo deveria retirar as riquezas dos ricos, sempre respeitaram os caminhos dos individuos desde que estes respeitassem os outros, eles podiam dizer que os que priorizavam as riquezas não estavam no caminho certo, mas nunca concordaram com o estado e outras turbas de bandidos roubarem as riquezas de quem as possuia, provavelmente eles acreditavam que isso apneas serviria para alimentar um ciclo vicioso de psicopatas e populistas usarem o gado alienado para o serviço juso e tomarem eles as riquezas dos outros, numa espiral de violencia, desagregação social até uma era de trevas destruir a civilidade daquele lugar.

o verdadeiro anarco-capitalista não é um amante das riquezas, é um amante da liberdade, o maior amante das liberdades individuais e portanto o mais consciente da responsabilidade moral de se posicionar ou até se sacrificar pelos outros individuos(que são o coletivo), como muitos sabios e cristo o fizeram, principalmente quando individuos estão sendo oprimidos pelos estados, enquanto ao contrario, um funcionario publico mesmo quando ve que esta tendo que impor leis imorais por meio da violencia contra inocentes, o funcionario publico fica do lado das leis do estado e executa pela violencia as ordens da alta hierarquia estatal mesmo que ele como individuo repudie estar executando essas leis.

pouco mudou das ações do soldados romanos e dos atuais, o modelo de estado é o mesmo embora hja um maior retoque juridico, o direito natural vai ser sempre moralmente superior ao direito positivado, não existe coletivismo que possa ser saudavel senão aquele em que os individuos são voluntarios, assim como num clube privado onde quem não respeitada suas regras pode ser banido assim como pode se desligar dele, diferente do estado que é uma imposição violenta atraves do roubo de impostos, o estado nunca é saudavel, por isso o pobre que rechaça as migalhas das mafias estatais e socialistas não é um idiota, pelo contrario ele é admiravel, se ele ao inves disso respeita as liberdade dos individuos assim como ele quer que respeitem a dele proprio, ele sendo pobre e pensando assim ele é a pessoa menos suspeita de seguir o libertarianismo por interesses materiais ou modismo, ele é o modelo do homem que coloca principios acima de interesses vulgares imediatos e também acima da inveja que infelizmente domina os corações de tantos hoje em dia atraves das ideias esquerdistas, esse pobre de alma livre que não se vende as migalhas do estatismo é verdadeiro cristão, pois cristo aceitou todos os sacrificios sem se vender ao estado.

os pobres que dizem não a esquerda são a esperança e fé que nos é enviada e deve nos servir de inspiração para termos essa fé na humanidade, os pobres libertarios são a certeza de que no nosso tempo atual também existem grandes homens e que com a informação barata e descentralizada crescente, esse seculo pode ser o seculo do libertarianismo, da limpeza dos corações e mentes de novas gerações da corrupção moral esquerdista.

deixem os jovens conhecerem as ideias libertarias, incentivem seus filhos a pensarem sobre a importancia da responsabilidade individual, esse é o melhor remedio contra todas as doutrinações que reduzem as mentes de seus entes queridos a gados e zumbis violentos, amar um individuo é desejar que ele pense por si mesmo ao inves de adotar por lavagem cerebral, constragimento ou violencia as ideias de alguma maioria, por isso mesmo que a demcoracia que da o mesmo poder de voto, de 1 para 1 a um psicopata assassino e a um sabio é apenas mais uma ditadura perversa onde os melhores não tem vez, aonde manda a maioria temos a multidão mandando cristo para a cruz, é a sociedade de leis privadas que assegura ao individuo receber justiça e não ser devorada pelas multidões invejosas que de tempos em tempos guiam as democracias para a tirania, socrates ja falava disso no livro 8 da republica, e nunca vi um sabio que defendesse a democracia, esse sistema sinistro onde o voto dos piores individuos vale tanto quando o voto dos melhores, onde o voto de 1 milhão de parasitas vale 1 milhão a mais que o unico voto de um sabio, a democracia nunca seria o sistema de Jesus nem de nenhum sabio, pelo contrario, ela é o sistema perfeito para o assassinato dos sabios e o povo lavar suas mãos diluindo as responsabilidades individuais pelos atos governamentais, ha maior fabrica de irresponsabilidade individual que a democracia?

serão esses protestos violentos de uma nova geração que acredita por impoder uma narrativa pela força, senão o resultado de mimar e incentivar a irresponsabilidade indivual atraves da democracia?

o anarco-capitalismo é o melhor antidoto frente a tirania, tanto a da maioria, essa que o gado legitima simplismente porque muitos a seguem, tanto quanto a tirania de qualquer outro. justamente quando os deixarem cair suas mascaras de civilização e perseguirem a liberdade de expressão dos individuos, é que alguns de vocês dirão: bendita a obra dos libertarios! gratidão aos anarco-capitalistas!
esperamos que esse dia não seja tarde, que não seja diante de grandes nações impondo grandes censuras, mas sim antes, pois estados vivem para crescer e como erva daninha sugar o espaço natural dos individuos, a diminuição e o fim do estado dependem do engajamento dos individuos que tem no seu coração o amor e também duas palavras que são inseparaveis: a liberdade e a justiça.
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2020.09.20 03:36 IndicationFar Mãe...PQ???

Mano é lindo como em um dia sua vida esta normal e de um dia pro outro ela vira um inferno, bem, isso aconteceu comigo nesses últimos meses.
Basicamente minha família toda é cristã já que desde de pequenos meus pais,tios e avos foram ensinados e guiados para o cristianismo.
Ai nasceu eu um lindo filho de satã kkkkk, eu sou ateu, pansexual e um fudanshi, pra quem não sabe oq é eu leio mangás de homens em um relacionamento gay.E a alguns meses minha cara mãe pegou meu celular e viu aberta as guias de um mangá, para ser mais especifico era o mangá "Sign", ele é repleto de putaria, ela viu e começou a que papo de:
M: " você agora é gay",
Eu:" lógico que nn né mãe"
M: Filho Deus não gosta dessas coisas ele fica triste, seu anjo da guarda esta chorando pois o demônio esta zombando dele pois ele fez vc desviar dos seus caminhos cristãos... e etc.
Desde então eu não tenho privacidade e ganhei 3 meses de castigo e como bônus um culta inteiro sobre...
M:" Deus não fez homem para ficar com homem e mulher para ficar com mulher, o sexo anal é nojento lá é sujo, duas mulheres não tem nem oq encachar bla bla bla"
é serio até quando isso vai continuar, isso pq quando eu ira me assumir literalmente um dia antes eu vi ela e meu pai falando de como os gays estão estragando o mundo e como eles fazem todo mundo seguir esse moda agora.
Eu agradeço que não sou mente pequena e nem sou como eles.
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2020.09.12 21:46 MammothProcess cansei de política

o título é autoexplicativo. eu literalmente cansei de qualquer tipo de política, hoje ver isso me faz mal, muito mal. são conservadores contra liberalistas, cristãos contra ateus, homens contra mulheres, todos se vitimizando a 80km/h
sou jovem e meu emocional é bem fraco, e ver todo mundo se xingando não é pra mim. eu sinceramente me arrependo de ter entrado na internet tão cedo, mas no momento que eu percebi isso, a quarentena chegou e eu sou obrigada a ficar aqui por conta dos estudos e pelo fato de que não tem nada pra fazer. eu não tenho mais nada pra me distrair, e mesmo se tivesse, eu ia ficar com aquela neura de ficar olhando o celular a cada 5 minutos. eu me sinto completamente desgastada com isso tudo, e não tenho nenhum amigo pra falar sobre isso.
eu nunca entrei em contato com um psicólogo pra tentar melhorar, mas eu acho que eu nunca iria conseguir falar tudo pra ele, e eu não quero estressar meus pais com nada disso. eu realmente não sei o que fazer.
eu realmente tenho muito medo de que, em algum momento, eu seja obrigada a ter uma opinião política, por que eu não quero passar mais nenhum segundo pensando nisso.
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2020.09.08 03:55 LAGOOLIVEIRA A Consumação da Obra Únicana restauração do Senhor - a Nova Jerusalém

u / LAGOOLIVEIRA1postado poru / LAGOOLIVEIRAAgora mesmo

A Consumação da Obra Únicana restauração do Senhor - a Nova Jerusalém

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Página 1O TRABALHO ÚNICO NA RECUPERAÇÃO DO SENHOR (Sábado - Sessão da Tarde) Mensagem Nove A Consumação da Obra Únicana restauração do Senhor - a Nova Jerusalém Leitura da Escritura: Apocalipse 3:12; 21: 2, 9-23 I. A única obra na restauração do Senhor é elaborar a Nova Jerusa-lem - o objetivo final da economia de Deus - Apoc. 21: 10-11: A. A degradação da igreja é principalmente devido ao fato de que quase todos os cristãosostrabalhadores americanos estão distraídos para tomar algo diferente de Nova Jerusalémcomo seu objetivo.B. Devemos fazer apenas uma obra, que é tornar o povo escolhido de Deus seres ema Nova Jerusalém - 3: 12.II. A Nova Jerusalém é a consumação final da construção deos crentes, que foram feitos Deus em vida, na natureza, na constituição, e em expressão, mas não na Divindade; assim, há uma relação intrínsecarelação entre os crentes tornarem-se Deus em vida e na natureza e oprodução de Nova Jerusalém - 21: 2; 3: 12: A. A Nova Jerusalém envolve Deus se tornando homem, e o homem se transformando Deus emvida e na natureza, mas não na divindade, e Deus e o homem sendo mesclados para-juntos como uma entidade - João 1: 12-14; 14:20; 15: 5a; Rev. 21: 3, 10-11.B. Em Cristo, Deus se tornou o homem para fazer o homem Deus em sua vida e em sua naturezazapara que o Deus redentor e o homem redimido podem ser mesclados, constituídos, juntos para serem uma entidade - a Nova Jerusalém - vv. 3, 22.C. A Nova Jerusalém é uma composição dos escolhidos, redimidos, regenerados de Deus, santificado, renovado, transformado, conformado e glorificado pessoas que têmfoi deificado - João 3: 6; Heb. 2:11; ROM. 12: 2; 8: 29-30: 1. Para nós, sermos deificados significa que estamos sendo constituídos com ou processado e consumando o Deus Triúno para que possamos ser feitos Deus em vida e emnatureza para sua expressão corporativa para a eternidade - Ap. 21: 11.2. A deificação dos crentes é um processo na salvação orgânica de Deus queserá consumada em Nova Jerusalém; esta é a verdade mais elevada e oevangelho mais elevado - Rom. 5:10; Rev. 3:12; 21: 10-11.D. No início da Bíblia, há o único Deus, e no final há umgrande Deus corporativo, a Nova Jerusalém, um Deus-homem corporativo - o ampliado, incorporação universal divino-humana do processado e consumadoDeus Triúno com os crentes regenerados, transformados e glorificados - Gên.1: 1; Rev. 21: 3, 22; 22: 17a.III. Hoje nossa obra para o Senhor com sua questão deve ser governada edirigido pela visão da Nova Jerusalém; o que é revelado noa descrição desta cidade única deve ser o modelo do que somos ecomo trabalhamos - 3:12; 21: 2, 9-23: 63Página 2A. A Nova Jerusalém é uma consumação da construção orgânica doCorpo de Cristo nas igrejas locais; as igrejas locais são o procedimento paraDeus realizará a edificação do Corpo de Cristo para a edificação doNova Jerusalém - 1 Coríntios. 1: 2; 12: 12-13,27; Rev. 21: 2: 1. O Corpo de Cristo precisa das igrejas locais para sua existência e funcionamento - Atos 8: 1; 13: 1.2. As igrejas locais são as muitas expressões em muitas localidades de umCorpo de Cristo - Apoc. 1: 4, 11,3. No primeiro capítulo do Apocalipse vemos as igrejas locais, mas nos últimosimodois capítulos, vemos apenas uma cidade - v. 11; 21: 2.4. O desejo do Senhor é ganhar uma Nova Jerusalém por meio do precursor doCorpo orgânico de Cristo edificado nas igrejas locais - Ef. 4:16; Rev. 21: 2.B. A Nova Jerusalém é o candelabro universal de ouro - vv. 18b, 23: 1. A Nova Jerusalém é a consumação final dos candeeiros noEscrituras - Exo. 25: 31-37; 1 Reis 7:49; Zech. 4: 2; Rev. 1:20; 21: 18b, 23,2. As igrejas como candeeiros de ouro serão consumadas em Nova Jerusalémsalem, o agregado de todos os candeeiros - 1:20; 21: 18b, 23: uma. No livro do Apocalipse, há dois grandes sinais - o sinal do ourocandeeiros e o sinal da Nova Jerusalém - 1: 1, 12, 20; 21: 2, 10-11.b. A revelação começa com os candeeiros e termina com o candelabro -1: 20; 21: 18b, 23.c. Os candeeiros são sinais das igrejas, enquanto a Nova Jerusalémé um sinal da morada eterna de Deus - vv. 2-3, 22,3. A Nova Jerusalém, uma montanha de ouro, é o candelabro universal de ourosegurando o Cordeiro como a lâmpada que resplandece Deus como a luz - vv. 18b, 23; 22: 1, 5.C. A Nova Jerusalém é a eterna Betel - Gên. 28: 10-22; Rev. 21: 3, 22: 1. O sonho de Jacó era um sonho da meta de Deus, um sonho de Betel, um sonho docasa de Deus (Gen. 28: 10-22), que é a igreja hoje (1 Tim. 3:15) eque se consumará na Nova Jerusalém como a morada eternalugar de Deus e Seus eleitos redimidos (Ap 21: 3, 22): uma. Deus teve um sonho, e esse sonho era ter a Nova Jerusalém, umcidade construída, como a consumação de Sua economia - v. 2b. Nosso sonho é nos tornar a Nova Jerusalém como a consumação deA economia de Deus - vv. 9-10,2. Cristo, sendo a escada celestial em Betel, fala-nos como Deusdeseja ter uma casa na terra localizada com Seus remidos eeleitos transformados, para que ele possa trazer o céu à terra e unir a terra paracéu, para tornar os dois um por toda a eternidade - Jo 1:51; Gênesis 28: 10-22.3. A construção de Deus, a casa de Deus, é a morada mútua de Deus e do homem; A casa de Deus é o homem, e a casa do homem é Deus - Isa. 66: 1-2; 1 Cor. 3:16; Psa.90: 1; João 15: 5a; 14: 23,4. Sem futuro da eternidade, a Nova Jerusalém estará em toda a unidadeverso como algo elevado em direção aos céus sobre o qual o anjofamília vai subir e descer para trazer o céu para a terra e unir a terra para64Página 3céu para o tráfego divino, uma comunhão divina, entre Deus e o homem -2 Cor. 13: 14.D. A Nova Jerusalém é o eterno Monte Sião, o Santo dos Santos, o lugaronde Deus está - Apoc. 14: 1-5; 21: 1-3, 16; Heb. 12h22: 1. Na era da igreja, os homens-Deus que foram aperfeiçoados e amadurecidos sãoSião, os vencedores - Rev. 14: 1: uma. A igreja é a Jerusalém celestial, e os vencedores de são Sião comoo pico alto e o destaque - Heb. 12:22; Rev. 14: 1.b. Os vencedores são para a edificação do Corpo de Cristo para consumiracasalar a Nova Jerusalém - Rom. 12: 4-5; Eph. 4:16; Rev. 3: 12.2. No novo céu e nova terra, toda a Nova Jerusalém se tornaráSião; a Nova Jerusalém, a eterna Sião, será o Santo dos Santos, olugar onde Deus está - 21: 1-3, 16, 22.E. A Nova Jerusalém é a Sulamita real e consumada - uma corporaçãoSulamita, incluindo todo o povo escolhido e redimido de Deus - SS 6:13; Rev.21: 2, 9-10; 22: 17: 1. A maravilhosa Sulamita, a duplicação de Salomão, é a maior efigura final de Nova Jerusalém - SS 6:13; Rev. 21: 2.2. Como contrapartida de Salomão, a Sulamita se tornou a mesma que Salomão emvida, natureza e imagem, como Eva era para Adão - Gên. 2: 20-23: uma. Isso significa que o amante de Cristo se torna o mesmo que em vida, natureza e imagem para combinar com Ele em seu casamento - 2Co 3:18; ROM 8: 29; Rev. 19: 7; 21: 2.b. Os muitos amantes de Cristo eventualmente se tornarão duplicações de Deus emvida e na natureza, mas não na divindade; este é o cumprimento de Deustornar-se homem para que o homem se torne Deus, que é o ponto alto daa revelação divina.IV. “O Deus Triúno processado e consumado, de acordo com o bemprazer de Seu desejo e pela intenção mais elevada em Sua economia, é construir a Si mesmo em Seu povo escolhido e Seu povo escolhido emEle mesmo, para que tenha uma constituição em Cristo como uma mistura de divindadecom a humanidade de ser Seu organismo e Corpo de Cristo, como Seuexpressão eterna e a morada mútua para o Deus redentor e ohomem redimido. Uma consumação final desta estrutura milagrosade tesouro será a Nova Jerusalém para a eternidade ”- inscrever-se emTumba de Witness Lee.Trechos do Ministério: DEIFICAÇÃO - TORNANDO-SE DEUSNA VIDA E NA NATUREZA, MAS NÃO NA TRINDADEIsso nos leva à questão da deificação - a intenção de Deus de tornar os crentes Deus emvida e na natureza, mas não na divindade. Atanásio referiu-se à deificação quando noConselho de Nicea em A. D. 325, ele disse: "Ele [Cristo] foi feito homem para que pudéssemos ser feitos Deus." Embora o termodeificação seja familiar a muitos teólogos e professores cristãos, durantenos últimos dezesseis séculos, apenas um pequeno número ousou usar sobre a deificaçãodos crentes em Cristo.65Página 4Não fui influenciado por nenhum ensino sobre deificação, mas aprendi com meuestudo da Bíblia que Deus pretende tornar os crentes Deus na vida e na natureza, mas nãona Divindade. Por exemplo, 1 João 3: 2 diz: “Amados, agora somos filhos de Deus eainda não foi manifestado o que seremos. Sabemos que se Ele se manifestar, seremoscomo Ele porque nós O veremos assim como Ele é. ”Este versículo revelador claramente que seremos comoDeus.Deus nos torna semelhantes a Ele ao transmitir Sua vida e natureza a nós. 2 Pedro 1: 4 dizque nos tornamos "participantes da natureza divina". João 1: 12-13 diz que nascemos, regenerado, por Deus com Sua vida. Como filhos de Deus, somos "deuses bebês", tendo a vida de Deus enatureza, mas não Sua Divindade. A Divindade é única; Ele é o único que deveria estar trabalhandoenviado.Nós nascemos de Deus e hoje, tendo a vida e a natureza de Deus, somos parcialmente comoEle. Um dia, quando Ele vier, seremos total e inteiramente como Ele.Foi maravilhoso para Davi ser um homem segundo o coração de Deus, mas não foi o suficiente.Deus quer aqueles que podem dizer: “Não sou apenas uma pessoa segundo o coração de Deus. Eu sou deus emvida e na natureza, mas não em Sua Divindade. ”Por um lado, o Novo Testamento revela quea Divindade é única e que somente Deus, o único que possui uma Divindade, deve ser adorado.Por outro lado, o Novo Testamento revela que nós, os crentes em Cristo, temosvida e natureza e que estamos nos tornando Deus em vida e na natureza, mas nunca teremos SuaDivindade. ( Foi maravilhoso para Davi ser um homem segundo o coração de Deus, mas não foi o suficiente.Deus quer aqueles que podem dizer: “Não sou apenas uma pessoa segundo o coração de Deus. Eu sou deus emvida e na natureza, mas não em Sua Divindade. ”Por um lado, o Novo Testamento revela quea Divindade é única e que somente Deus, o único que possui uma Divindade, deve ser adorado.Por outro lado, o Novo Testamento revela que nós, os crentes em Cristo, temosvida e natureza e que estamos nos tornando Deus em vida e na natureza, mas nunca teremos SuaDivindade. ( Foi maravilhoso para Davi ser um homem segundo o coração de Deus, mas não foi o suficiente.Deus quer aqueles que podem dizer: “Não sou apenas uma pessoa segundo o coração de Deus. Eu sou deus emvida e na natureza, mas não em Sua Divindade. ”Por um lado, o Novo Testamento revela quea Divindade é única e que somente Deus, o único que possui uma Divindade, deve ser adorado.Por outro lado, o Novo Testamento revela que nós, os crentes em Cristo, temosvida e natureza e que estamos nos tornando Deus em vida e na natureza, mas nunca teremos SuaDivindade. ( deve ser adorado.Por outro lado, o Novo Testamento revela que nós, os crentes em Cristo, temosvida e natureza e que estamos nos tornando Deus em vida e na natureza, mas nunca teremos SuaDivindade. ( deve ser adorado.Por outro lado, o Novo Testamento revela que nós, os crentes em Cristo, temosvida e natureza e que estamos nos tornando Deus em vida e na natureza, mas nunca teremos SuaDivindade. (Estudo-vida de 1 e 2 Samuel, pp. 166-167) A NOVA JERUSALÉM - UMA COMPOSIÇÃO DE DIVINDADE E HUMANIDADEMISTURADO E MISTURADO JUNTOS COMO UMA ENTIDADEA conclusão da revelação divina na Bíblia é um edifício, a Nova Jerusalém.Este edifício é uma fusão e mesclagem da divindade com a humanidade. Isso é provado pelodescrição da Nova Jerusalém em Apocalipse 21. O versículo 3 refer-se à Nova Jerusalém como “O tabernáculo de Deus” e o versículo 22 diz: “Não vi templo nele, pois o Senhor Deus, o Todo-Poderosoe o Cordeiro é o seu templo. ”A Nova Jerusalém como tabernáculo de Deus é para Deus habitarem, e Deus e o Cordeiro como o templo são para os santos redimidos habitarem. Isso indicaque a Nova Jerusalém será uma morada mútua para Deus e o homem. Além disso, esteedifício é uma composição de seres humanos. Os portões são pérolas inscritas com os nomes deas doze tribos dos filhos de Israel (v. 12), e nas doze fundações estão como dozenomes dos doze apóstolos do Cordeiro (v. 14). Isso indica claramente que a Nova Jerusalémé uma composição do Deus Triúno, que é a essência, centro e universalidade, e Deuspessoas redimidas.A Nova Jerusalém é uma composição da divindade e humanidade mescladas e mescladasjuntos como uma entidade. Todos os componentes têm a mesma vida, natureza e constituição eportanto, são uma pessoa corporativa. É uma questão de Deus se tornar o homem e o homem se tornar Deus emvida e na natureza, mas não na divindade. Esses dois, Deus e homem, homem e Deus, são construídosjuntos sendo misturados e mesclados. Esta é uma conclusão, uma consumação, do edifício de Deus. Todos nós precisamos ter essa visão. ( A Nova Jerusalém é uma composição de divindade e humanidade mescladas e mescladasjuntos como uma entidade. Todos os componentes têm a mesma vida, natureza e constituição eportanto, são uma pessoa corporativa. É uma questão de Deus se tornar o homem e o homem se tornar Deus emvida e na natureza, mas não na divindade. Esses dois, Deus e homem, homem e Deus, são construídosjuntos sendo misturados e mesclados. Esta é uma conclusão, uma consumação, do edifício de Deus. Todos nós precisamos ter essa visão. ( A Nova Jerusalém é uma composição de divindade e humanidade mescladas e mescladasjuntos como uma entidade. Todos os componentes têm a mesma vida, natureza e constituição eportanto, são uma pessoa corporativa. É uma questão de Deus se tornar o homem e o homem se tornar Deus emvida e na natureza, mas não na divindade. Esses dois, Deus e homem, homem e Deus, são construídosjuntos sendo misturados e mesclados. Esta é uma conclusão, uma consumação, do edifício de Deus. Todos nós precisamos ter essa visão. ( do edifício de Deus. Todos nós precisamos ter essa visão. ( do edifício de Deus. Todos nós precisamos ter essa visão. (Estudo-vida de 1 e 2 Samuel, pp. 198-199) O diamante na caixa Se lermos a Bíblia sem prestar atenção a este ponto crucial, então, de uma forma muito realsentido, a Bíblia é para nós um livro vazio. Isso significa que embora a Bíblia seja real em si mesma, emnosso entendimento dela é a Bíblia vazia. Como ilustração, vamos supor que um certoA caixa, bastante atraente, contém um grande diamante. Uma criança pode estar interessada na caixamas não no diamante. Um adulto, no entanto, focaria sua atenção no diamante contidona caixa. Hoje, muitos cristãos estão preocupados com a Bíblia como a "caixa", mas eles não viram e66 Página 5não apreciam o “diamante” que é o conteúdo desta caixa, e podem até condenaraqueles que têm uma apreciação adequada do "diamante" na "caixa". O “diamante” no “Caixa” da Bíblia é a revelação de que em Cristo Deus fez o homem para que o homempode se tornasse Deus em vida e na natureza, mas não na Divindade.A grande maioria dos cristãos de hoje negligencia o ponto crucial na Bíblia que emCristo Deus tornou-se homem para fazer do homem Deus na vida e na natureza, mas não naGodhead e que Deus deseja se mesclar com o homem para ser uma entidade. Alguns não sónegligencie isso; eles acusam falsamente como heréticos que o ensinam. Hoje muitos acreditam em umaspecto deste ponto crucial - que Deus se tornou um homem chamado Jesus - mas eles não acreditamo outro aspecto - que o homem está se tornando Deus em vida e na natureza,Estudo-vida de 1 e 2 Samuel, p. 204) A LUZ EA LÂMPADAA cidade que não tem necessidade do sol nem da lua Apocalipse 21:23 diz: “A cidade não precisa do sol nem da lua parabrilhe nele, pois a glória de Deus o iluminou, e sua lâmpada é o Cordeiro” . No milênio oa luz do sol e da lua será intensificada (Is 30:26). Mas na Nova Jerusalémno novo céu e nova terra, não haverá necessidade do sol nem da lua. O único a lua estará no novo céu e nova terra, mas não estará disponível noNova Jerusalém; pois ali Deus, a luz divina, brilhará com muito mais intensidade. Não Havendo NoiteNa Nova Jerusalém não haverá noite, pois “não haverá mais noite” (Ap 22: 5a). “Não haverá noite” (21: 25b). No novo céu e nova terra, ainda haverá odistinção entre dia e noite, mas na Nova Jerusalém não haverá tal distinçãoção. Fora da cidade haverá noite, mas dentro da cidade não haverá noite porque oa cidade terá uma luz eterna e divina, o próprio Deus. A Glória de Deus iluminando a cidade como a luz da vida divina, e o Cordeiro sendo a lâmpada que irradia a luz divinapela Cidade Transparente como a GlóriaApocalipse 21:11 e 23 nos dizem que a Nova Jerusalém tem a glória de Deus e que elaa luz é como uma pedra preciosíssima, como uma pedra de jaspe, clara como o cristal. Na nova JerusalémCristo, como a lâmpada da cidade sagrada, brilhará com Deus como a luz para iluminar a cidadecom a glória de Deus, uma expressão da luz divina. “A cidade não precisa de sol nem dea lua para que nela brilhassem, pois a glória de Deus a iluminou, e sua lâmpada é aCordeiro” (v. 23). A glória de Deus, que é Deus expresso, ilumina a Nova Jerusalém.Portanto, a glória de Deus, com Deus como sua substância, essência e elemento, é a luz doNova Jerusalém que brilha no Cordeiro como sua lâmpada. A glória expressa de Deus, ou o Deusda glória expressa, é a luz brilhando em Cristo como a lâmpada através da parede de jaspe deA Nova Jerusalém como o jaspe mais precioso, que traz a aparência de Deus rica em vida (v. 11) .A aparência de Deus rico em vida acompanhada o brilho para uma expressão de Deus em Sua emanifestação final consumada.Em 21:23, vemos que Deus é a luz e Cristo é uma lâmpada. Isso indica que Deus e o Cordeiro é uma luz. Deus é o conteúdo, e o Cordeiro, Cristo, é o portador da luz, oexpressão. Isso significa que Deus, que é a luz, brilhará em Cristo como a lâmpada em toda a cidade. Esta é uma questão de dispensar divino, pois o brilho da luz divina é realmenteo dispensar de Deus Triúno processado aos crentes.67 é o portador da luz, oexpressão. Isso significa que Deus, que é a luz, brilhará em Cristo como a lâmpada em toda a cidade. Esta é uma questão de dispensar divino, pois o brilho da luz divina é realmenteo dispensar de Deus Triúno processado aos crentes.67 é o portador da luz, oexpressão. Isso significa que Deus, que é a luz, brilhará em Cristo como a lâmpada em toda a cidade. Esta é uma questão de dispensar divino, pois o brilho da luz divina é realmenteo dispensar de Deus Triúno processado aos crentes.67Página 6 Deus, a luz divina, precisa de uma lâmpada. Sem o Cordeiro sendo a lâmpada, o brilho de Deusiria nos matar. No entanto, com o Cristo redentor como lâmpada, a luz divina não matanós, mas em vez disso nos ilumina. Primeira Timóteo 6:16 diz que Deus habita em luz inacessível.Em Cristo, porém, Deus se torna acessível. Separado de Cristo, o brilho de Deus seria ummatando, mas em Cristo o brilho de Deus é uma iluminação. Porque a luz divina brilha atravéso Cordeiro, o Redentor, tornou-se amável e palpável. Através do Cordeiro como olamp A luz de Deus se torna um brilho agradável para o dispensar de Deus. ( A Conclusão doNovo Testamento, pp. 2731-2733) A ESPOSA DO CRISTO REDENTORA Nova Jerusalém não é apenas o tabernáculo de Deus, mas também a esposa dos redentoresCristo. Tanto no Antigo como no Novo Testamento, Deus compara Seu povo escolhido a uma esposa porSua satisfação no amor (Isaías 54: 6; Jeremias 3: 1; Ezequiel 16: 8; Oséias 2:19; 2 Coríntios 11: 2; Efésios 5: 31-32) .Na Nova Jerusalém como a esposa do Cristo redentor, Deus terá a mais plena satisfaçãoção no amor.Apocalipse 21: 9b e 10 dizem: “Vem esposa, eu te mostrarei a noiva, a do Cordeiro.E ele me levou em espírito para uma grande e alta montanha e me mostrou a cidade sagrada, Jerusalém, descendo do céu da parte de Deus. ”Pensar que uma noiva é principalmente para o casamento, a esposa é para o resto da vida. A Nova Jerusalém será uma noiva no milênio paramil anos como um dia (2 Pedro 3: 8) e então a esposa no novo céu e nova terrapara a eternidade. A noiva no milênio incluirá apenas os santos vencedores, mas a esposano novo céu e nova terra incluirá todos os filhos redimidos e regenerados de Deus (Rev. 21: 7) .A Nova Jerusalém será uma com o Cristo redentor, como Eva se tornado uma comAdão. Eva foi construída a partir de uma costela que foi tirada do lado de Adão, e então ela foi trazida volta a ele para ser uma carne com ele - ser um com ele na natureza e na vida (Gênesis 2: 21-24; Ef. 5: 25-27, 29-32). O princípio é o mesmo com a Nova Jerusalém como a esposa doredimindo Cristo. Ela será uma com o seu Redentor na natureza e na vida. Mais uma vez vemosque a Nova Jerusalém não pode ser uma cidade material, pois uma cidade física não pode ser uma comCristo na natureza e na vida. A Nova Jerusalém não terá apenas o elemento divino adicionado a ele e a natureza santa de Deus trabalhada nele,Ter a Igreja como miniatura A Nova Jerusalém como esposa do Cristo redentor tem uma igreja como sua miniatura.Isso é revelado pela palavra de Paulo em Efésios 5: 22-32, onde ele fala da igreja como ocontraparte de Cristo. A igreja é na verdade uma parte de Cristo, pois a igreja vem deCristo é para Cristo, assim como Eva saiu de Adão e foi para Adão.Em Efésios 5:32, Paulo diz: “Grande é o mistério, mas falo a respeito de Cristoe a igreja. ”O fato de que Cristo e a igreja são um só espírito (1 Cor. 6:17), conforme tipificadopelo fato de o marido e a esposa serem uma só carne, é o grande mistério. Certamente é um grande mistérioque a igreja como a contraparte de Cristo vem de Cristo, tem a mesma vida e natureza queCristo, e é um com Cristo. Tendo sido a Noiva de Cristo no MilênioNo novo céu e nova terra, Cristo terá uma esposa, mas no milênio Ele teráter uma noiva (Ap. 19: 7-8; 21: 2), consistindo nos crentes vencedores. Em sua voltaCristo se casará com os vencedores. Esse casamento é descrito em Apocalipse 19: 7-9.68 Página 7 Apocalipse 19: 7 diz: “Alegremo-nos e exultemos, e demos glória a Ele, peloo casamento do Cordeiro chegou, e Sua esposa se aprontou. ”O casamento doCordeiro é o resultado da conclusão da economia neotestamentária de Deus. Economia de Deus emo Novo Testamento é obter para Cristo uma noiva, uma igreja, por meio de Sua redenção evida divina. Pela operação contínua do Espírito Santo ao longo de todos os séculos, esse objetivoserá concluído no final desta idade. Em seguida, uma noiva, que consistirá na superaçãocrentes, prontos prontos.As palavras Sua esposaem Apocalipse 19: 7 especial-se à igreja (Ef 5: 24-25, 31-32), a noivade Cristo (João 3:29). No entanto, de acordo com Apocalipse 19: 8 e 9, a esposa, a noiva de Cristo, consiste apenas nos crentes vencedores durante o milênio, enquanto a noiva, a esposa, em Apocalipse 21: 2 é composta por todos os santos salvos após o milênio para semprenidade.Apocalipse 19: 7b nos diz que a esposa “se aprontou”. A prontidão donoiva depende tanto da maturidade dos vencedores em vida quanto de serem construídos juntos comouma entidade corporativa. Portanto, osedores não são apenas maduros em vida, mas também construídosjuntos como uma noiva.Apocalipse 19: 8 diz: “Foi-lhe permitido que se vestisse de linho fino, resplandecentee puro; porque o linho fino são as justiças dos santos ”. Aqui puro se refere aonatureza ebrilhante , para a expressão. Como virtudes, ou atos justos, não se refere aa justiça (que é Cristo) que Recebemos para nossa salvação, uma justiça que é objetivo e que nos qualifica para atender às exigências de Deus justo. As justiçasdos crentes vencedores em Apocalipse 19: 8 são subjetivos para que possam encontrar oexigência da vitória de Cristo. O linho fino, portanto, indica nossa superaçãovida. Na verdade, é o Cristo que vivemos de nosso ser. Constituído por todos os santos aperfeiçoadosEm última análise, no novo céu e nova terra, a Nova Jerusalém como a esposa do Cristo redentor será constituída de todos os santos perfeitos. Depois do milênio tudoos santos foi aperfeiçoados e constituídos juntos para ser a entidade maravilhosa daNova Jerusalém.A consumação da igreja como a contraparte de Cristo será a Nova Jerusalémno novo céu e nova terra para a eternidade. Apocalipse 21: 2 diz: “Eu vi a cidade santa, NovaJerusalém, descendo do céu de Deus, preparada como uma noiva adornada para seu maridobanda.” A Nova Jerusalém é uma composição viva de todos os santos redimidos e aperfeiçoados porDeus por todas as gerações . Esta é uma noiva, uma esposa de Cristo como Sua contraparte. Comoa esposa de Cristo, a Nova Jerusalém sai de Cristo e se torna Sua contraparte. Elaé preparado pela participação nas riquezas da vida e natureza de Cristo.Apocalipse 22:17 indica que Cristo e a Nova Jerusalém como Sua esposa serão umcasal universal para a eternidade. O Espírito, que é a totalidade do Deus Triúno processado, torna-se um com os crentes, que agora estão totalmente maduros para serem celebrados a noiva. Portanto, um consomatório do Deus Triúno processado e a consumação dos escolhidos, redimidos de Deus, como pessoas regeneradas e transformadas serão uma e serão um casal universal expressando o Deus Triúno para a eternidade. ( a consomatório do Deus Triúno processado e a consumação dos escolhidos, redimidos de Deus, como pessoas regeneradas e transformadas serão uma e serão um casal universal expressando oDeus Triúno para a eternidade. ( a consomatório do Deus Triúno processado e a consumação dos escolhidos, redimidos de Deus, como pessoas regeneradas e transformadas serão uma e serão um casal universal expressando oDeus Triúno para a eternidade. (A Conclusão do Novo Testamento, pp. 2700-2703) 69📷
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O TRABALHO ÚNICO NA RECUPERAÇÃO DO SENHORugerir uma tradução melhor
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2020.08.27 16:02 Scabello More about Belarus color "revolution"

Text from a amazing marxist virtual magazine from Brazil.

https://revistaopera.com.b2020/08/26/belarus-nacionalismo-e-oposicao/

Belarus: nacionalismo e oposição


As manifestações em Belarus estão recebendo uma grande cobertura nos meios ocidentais, o que se reflete na imprensa brasileira, que se contenta em traduzir e repetir aquilo que é dito em grandes veículos europeus. A amplitude e até a paixão dessa cobertura gera, por efeito de contraste, uma sensação de falta de profundidade, já que em meio de tantas notícias, carecemos até mesmo de uma introdução sobre aspectos específicos do conflito e dos atores que participam dele. O que a cobertura nos oferece, no entanto, é uma narrativa sobre manifestantes lutando contra um ditador em nome da liberdade, discurso fortalecido por uma certa abundância de imagens. Na frente desta luta, a candidata derrotada – alegadamente vítima de fraude – Sviatlana Tsikhanouskaya, uma “mulher simples”, “apenas uma dona de casa”, o símbolo da mudança. Em alguns dos meios de esquerda e alternativos, este posicionamento da grande mídia já gera uma certa desconfiança. Imediatamente surgem perguntas sobre quem forma essa oposição e se podemos fazer comparações com a Ucrânia em 2014, onde uma “revolução democrática” foi acompanhada por grupos neofascistas, ultranacionalismo e chauvinismo anti-russo. Outros já se revoltam contra o reflexo condicionado e declaram que não podemos julgar os eventos de Belarus pela ótica dos eventos ucranianos, e que avaliações não deveriam ser feitas na função inversa da grande mídia. Me deparando com a diversidade de problemas que podem ser desenvolvidos a partir do problema de Belarus, decidi começar com um problema simples de imagem e simbologia, mas que nos traz muitas informações. As imagens que estampam os jornais são dominadas por duas cores: branco e vermelho.

Uma disputa pela história

Uma faixa branca em cima, uma faixa vermelha no meio e outra faixa branca embaixo – esta bandeira domina as manifestações oposicionistas em Belarus. Ela surgiu primeiro em 1919, em uma breve experiência política chamada de República Popular Bielorrussa, órgão liderado por nacionalistas mas criado pela ocupação alemã no contexto do pós-Primeira Guerra, Guerra Civil na Rússia e intervenção estrangeira que ocorreu naquele período. Uma bandeira diferente do símbolo oficial de Belarus: do lado esquerdo, uma faixa vertical reproduz um padrão tradicional bielorrusso, como na costura, em vermelho e branco, do lado duas faixas horizontais, vermelho sobre verde (somente um terço em verde). Bandeira muito similar à velha bandeira da República Socialista Soviética de Belarus, com a diferença que na antiga o padrão tradicional estava com as cores invertidas e na massa vermelha horizontal brilhava a foice-e-martelo amarela com uma estrela vermelha em cima. Os manifestantes também usam um brasão de armas histórico do Grão Ducado da Lituânia, a Pahonia, onde vemos um cavaleiro branco, brandindo sua espada e segurando um escudo adornado por uma cruz jaguelônica. O emblema oficial de Belarus, no entanto, é diferente, correspondendo à simbologia soviética, onde um sol que se levanta sobre o globo ilumina o mapa de Belarus, com bagos de trigo nos flancos e uma estrela vermelha coroando a imagem. Essa diferença entre símbolos do governo e da oposição não é só uma diferença política momentânea, mas remete a uma disputa pela identidade nacional de Belarus, a processos divergentes de formação de consciência nacional, conforme exemplificados por Grigory Ioffe. Quando Belarus se tornou independente da União Soviética nos anos 90, isto aconteceu apesar da vontade popular, sem movimentos separatistas como os que ocorreram vigorosamente nas repúblicas soviéticas bálticas, vizinhas de Belarus pelo norte, ou na parte ocidental da Ucrânia, país que faz fronteira com Belarus pelo sul. Pelo menos até pouco tempo atrás, a maioria dos cidadãos se identificava com a Rússia e concebia a história de Belarus no marco de uma história soviética. Para a maioria da população, o evento mais importante da história de Belarus foi a Grande Guerra Patriótica, isto é, a resistência contra os invasores nazistas, o movimento partisan como primeiro ato de vontade coletiva. É depois da guerra que os bielorrussos se tornam maioria nas cidades do país (antes de maioria judaica, polaca e russa), bem como dirigentes da república soviética – líderes partisans se tornaram líderes do partido. Esse discurso filo-soviético também é acompanhado pela ideia de proximidade com a cultura russa, inclusive a constatação de que é difícil fazer uma diferenciação nacional entre as duas culturas. Em termos de narrativa histórica, isso é acompanhado por afirmações como a de que a Rússia salvou o povo das “terras de Belarus” da opressão nacional e religiosa dos poloneses. Então, figuras históricas da Rússia são lembradas, como por exemplo o general Alexander Suvorov (1730 – 1800), que é celebrado como um herói da luta contra a invasão polonesa das “terras de Belarus” e da Rússia em geral. Essa ideia de união entre Rússia e Belarus é fundamental para o pan-eslavismo. A revolução em 1917 também é considerada um episódio nacional, o começo da criação nacional de Belarus dentro da União Soviética, com sua própria seção bolchevique e adesão dos camponeses à utopia comunista, mas nem isso e nem a história nacional russa superam a Segunda Guerra Mundial como fator de consciência nacional. Contra esta visão surgiu uma alternativa ocidentalizante, que propõe que Belarus é um país completamente diferente da Rússia, que foi dominado pela Rússia e que precisa romper com Moscou para ser um país europeu. Essa tendência tenta afirmar a existência de um componente bielorrusso específico na Comunidade Polaco-Lituana, identificando a elite pré-nacional com nobres locais. Atribuem a “falta de consciência nacional” no país à intrigas externas. Seus heróis de forma geral são heróis poloneses, e celebram quando os poloneses invadiram a Rússia. Se esforçam por fazer uma revisão histórica que justifique a existência de uma nacionalidade bielorrussa atacando a narrativa ligada à Segunda Guerra Mundial, renegando a luta dos partisans e enquadrando sua nação como uma “vítima do estalinismo”, que passa ser comparado com o nazismo como uma força externa. Suas preocupações centrais, além de tentar construir uma história de Belarus antes do século XX, está a preservação da língua bielorrussa em particular, com suas diferenças em relação ao russo. Nessa visão, as repressões do período Stálin deixam de ser uma realidade compartilhada com os russos e outras nacionalidades soviéticas, para ser entendida como uma repressão contra a nação de Belarus, exemplificada principalmente pela repressão de intelectuais nacionalistas. Na tentativa de desconstruir o “estalinismo” e os partisans, os nacionalistas defenderam a Rada Central de Belarus, um órgão colaboracionista criado pela ocupação alemã, que não pode ser chamado sequer de governo títere, mas que adotava a visão histórica dos nacionalistas e fez escolas de língua exclusivamente bielorrussa em Minsk. A Rada foi liderada por Radasłaŭ Astroŭski, que foi para o exílio norte-americano e dissolveu órgão depois da guerra para evitar responsabilização por crimes de guerra. A versão nacionalista não só defende a “posição complicada” dos colaboradores nos anos 40, como revisa positivamente o papel do oficial nazista Wilhelm Kobe, Comissário Geral para Belarus entre 1941 e 1943 (até ser assassinado pela partisan Yelena Mazanik). Argumenta-se que Kobe seria um homem interessado nas coisas bielorrussas e seu domínio permitiu o florescimento nacionalista. Do lado colaboracionista existiu uma Polícia Auxiliar e a Guarda Territorial Bielorrusa, as duas ligadas aos massacres nazistas e associadas a uma das unidades mais infames da SS, a 36ª Divisão de Granadeiros da SS “Dirlewanger”. Depois, foi formada por uma brigada bielorrussa na 30ª da SS. A colaboração usava as bandeiras vermelha e branca, com a Guarda Territorial usando braçadeiras nessa cor. Essas cores seriam retomadas na independência do país em 1991, mas foram muito atacadas por sua associação com a colaboração. Por isso ela foi rechaçada por uma maioria esmagadora em um referendo realizado em 1995, que definiu os símbolos nacionais de hoje e mudou o “Dia da Independência” para 3 de Julho, dia em que Minsk foi libertada das forças de ocupação nazista, em 1944. A visão nacionalista e ocidentalizante é minoritária, compartilhada por algo entre 8% e 10% da população; número que é consistente com o número de católicos do país – um pouco maior, na verdade, o que serve para contemplar uma minoria de jovens de Minsk, que proporcionalmente tendem a ser mais adeptos de uma visão distinta da história soviética. Em 1991, o nacionalismo se reuniu na Frente Popular Bielorrussa, em torno da figura do arqueólogo Zianon Pazniak, que representava uma militância radical, anti-russa, europeísta e guardiã dessa simbologia nacional. O movimento fracassou e parte disso provavelmente se deve à liderança de Pazniak, tido como intolerante. Havia também um movimento paramilitar chamado Legião Branca, que se confrontaria com Lukashenko no final dos anos 90. Estes seriam “os nazis bielorrussos dos anos 90”, pecha que é disputada por seus defensores, que os retratam até mesmo como democratas, mas que é justificada por seus detratores baseada em seu separatismo étnico e intolerância dirigida aos russos apesar de viverem no mesmo espaço e a maioria do seu próprio país falar a língua russa. Ainda assim, o alvo-rubro vem sendo reivindicado como um símbolo de liberdade, democracia e independência: seus defensores vêm tentando firmar a identidade dessa bandeira mais em 1991 do que em 1941. Para todos os efeitos, se tornou um símbolo de oposição Lukashenko, símbolo de “outra Belarus”, com boa parte dos jovens mantendo uma atitude receptiva em relação a ela – um símbolo carregado de controvérsia, mesmo assim. Essas divergências simbólicas escondem diferentes histórias e questões políticas radicais. Além disso, é possível constatar que Belarus tem dois componentes nacionais externos em sua formação: os poloneses e os russos. No plano religioso, o catolicismo associado com Polônia e a ortodoxia associada à Rússia (segundo dados de 2011, 7,1% da população católica, 48,3% ortodoxa e 41,1% diz não ter religião, 3,5% se identificam com outras). Na disputa histórica, existe uma narrativa filo-soviética e outra ocidentalizante. Nesta última década, o próprio governo Lukashenko presidiu sobre uma política de aproximação e conciliação dessas narrativas históricas sobre Belarus, tentando ocupar uma posição mais nacionalista, mesmo que mantendo o núcleo soviético como fundamental. Esta aproximação foi muito criticada por um núcleo duro de patriotas e irredentistas russos. Por outro lado, dentre os manifestantes não necessariamente há uma ruptura total com a narrativa histórica partisan e motivos antifascistas, pelo menos não se buscarmos casos individuais – nesse caso, o uso histórico da bandeira seria ignorado ou superado por outra proposta. Apesar de existir uma oposição que busca lavar a bandeira alvirrubra, é possível identificar nacionalistas radicais na oposição?

Belarus não é Ucrânia – mas pode ser ucranizada?

Pelo menos em meios ocidentais, se afirmou muito que “a crise de Belarus não é geopolítica”. Muitos textos publicados no Carnegie Moscow Center elaboraram em torno dessa afirmação. A declaração da Comissão Europeia afirmou isso. O professor e colunista Thimothy Garton Ash escreveu no The Guardian que sequer se pode esperar um regime democrático liberal depois da saída de Lukashenko, e relata contatos com bielorrussos que dão a impressão de um sentimento ao mesmo tempo oposicionista e pró-russo. Por esse argumento, Belarus é diferente da Ucrânia, as manifestações não têm relação com geopolítica, os bielorrussos até gostam da Rússia e a lógica extrapola ao ponto de dizer que, portanto, Putin tende a apoiá-las. Mais de um texto fala de como a identificação entre bielorrussos e russos, como povos irmãos ou até iguais, “anula” essas questões – isto é, estes textos têm como pressuposto uma solidariedade nacional, uma continuidade entre os dois povos, algo distinto do radicalismo nacionalista. Até parecem acreditar que isto tiraria de Putin o interesse de ajudar Lukashenko ou da Rússia enquadrar esses eventos na sua visão estratégica como algo equivalente ao problema ucraniano. De fato, Belarus não é a Ucrânia. A divisão sobre a identidade nacional não é tão polarizada em Belarus como é na Ucrânia. A divisão regional e linguística, bem como as diferentes orientações geopolíticas, não é tão radical. A marca da colaboração e suas consequências políticas não é tão forte em Belarus como é na Ucrânia – não acredito que o nacionalismo em Belarus está no mesmo patamar do ultranacionalismo ucraniano. No plano da operação política, a comparação com a Ucrânia é feita em função do Maidan de 2014, onde também existem diferenças. O Maidan teve a participação decisiva de partidos políticos consolidados e posicionados dentro do Parlamento, que no momento final tomaram o poder do presidente Yanukovich usando seu poder parlamentar. Partidos ligados a oligarcas multimilionários, com políticos que enriqueceram em negócios de gás, e nas ruas uma tropa de choque de manifestantes formada por nacionalistas bem organizados. Dito isso, devemos olhar para o posicionamento da oposição bielorrussa e não aceitar de forma acrítica as narrativas de que a manifestação não tem nada a ver com geopolítica e que não possuí liderança. Alegam que questões como adesão à OTAN e integração europeia não são primárias na política de Belarus – será mesmo? E essas questões nacionais, não têm relação alguma com as manifestações? Primeiro, um dos movimentos que protagoniza enfrentamentos de rua em Belarus desde outros anos (especialmente nos enfrentamentos de rua de 2010) e se destaca nos meios oposicionistas, inclusive com reconhecimento ocidental, é a Frente Jovem, que é um movimento nacional radical, acusado de filo-fascista e ligado aos neofascistas ucranianos. Este movimento também é ligado ao partido Democracia Cristã Bielorrusa (DCB), o qual ajudou a fundar. Ambos são contra o status oficial da língua russa e querem retirar o russo das escolas. Pavel Sevyarynets, um dos fundadores da Frente Jovem e liderança da DCB, é frequentemente referido como dissidente e “prisioneiro de consciência” foi organizador da campanha “Belarus à Europa”. Ele foi preso antes das eleições como um organizador de distúrbios. A Revista Opera teve acesso ao material de um jornalista internacional que entrevistou um professor de artes bielorrusso, autoproclamado anarquista e defensor das manifestações, que se referiu à prisão de Sevyarynets como um ato preventivo do governo e respondeu a uma pergunta sobre as reivindicações do movimento dizendo que as pessoas tem em sua maior parte bandeiras nacionalistas. Em segundo lugar, cabe ressaltar que um dos principais partidos de oposição e representante das declarações atuais é o Partido da Frente Popular Bielorussa (PFPB), descendente da Frente Popular dos anos 90, um partido de direita, adepto da interpretação nacionalista, hostil à Rússia e pró-europeu. O PFPB, a Democracia Cristã, a Frente Jovem e o partido “Pela Liberdade” são parte de um “Bloco pela Independência de Belarus”. Estes movimentos tiveram vários contatos com grupos neofascistas ucranianos, com a Frente Jovem em específico mantendo relações de longa data e tomando parte em marchas em homenagem a colaboradores como Stepan Bandera e Roman Shukeyvich (que na SS Natchigall foi um carrasco dos habitantes e partisans do sul de Belarus) – diga-se, entretanto, que não necessariamente funcionam da mesma forma que as organizações extremistas. Mesmo movimentos que se organizam como ONGs, com aparência de ativismo genérico e recebendo dinheiro de programas para promover a democracia a partir da Lituânia (que por sua vez direciona dinheiro do Departamento de Estado dos Estados Unidos), servem como organizações nacionalistas, como é o caso da ONG BNR100. Em terceiro lugar, podemos olhar para algumas lideranças de oposição presentes no Conselho de Coordenação formado para derrubar Lukashenko. Foi proclamado que o Conselho de Coordenação é composto por “pessoas destacadas, profissionais, verdadeiros bielorrussos”, por aqueles que “representam o povo bielorrusso da melhor maneira, que nestes dias estão escrevendo uma nova página da história bielorrussa”. Olga Kovalkova, peça importante da campanha de Sviatlana Tsikhanouskaya, que já havia listado pessoas do conselho antes dele ser anunciado oficialmente, em sua página do Facebook. Ela mesma é um dos membros. É graduada pela Transparency International School on Integrity e pela Eastern European School of Political Studies (registrada em Kiev, patrocinada pela USAID, National Endowment for Democracy, Open Society Foundation, Rockefeller Foundation, Ministério das Relações Exteriores da Polônia, União Europeia e estruturas da OTAN). Kovalkova é co-presidente da Democracia Cristã Bielorrussa; defende a saída de Belarus da Organização Tratado de Segurança Coletiva (OTSC; Tratado de Takshent), a separação do Estado da União com a Rússia e a retirada do russo da vida pública. O outro co-presidente da DCB, Vitaly Rymashevsky, também está no conselho. Ales Bialiatski, famoso como defensor dos direitos humanos e que foi preso sob acusação de enganar o fisco a respeito da extensão de sua fortuna, também fez parte do movimento nacionalista da Frente Popular de Belarus, do qual foi secretário entre 1996 e 1999 e vice-presidente entre 1999 e 2001. Também é fundador da organização Comunidade Católica Bielorrussa. É presidente do Viasna Human Rights Centre (financiado por Eurasia Foundation, USAID e OpenSociety) e recebeu o prêmio liberdade do Atlantic Council, além de prêmios e financiamentos na Polônia. Sua prisão em 2011 foi baseada em dados financeiros fornecidos por promotores poloneses e lituanos, enquadrado por um artigo de sonegação da lei bielorrussa.
Na hoste dos nacionalistas mais comprometidos representados no Comitê de Coordenação temos também Yuras Gubarevich, fundador do partido “Pela Liberdade”, antes um dos fundadores da “Frente Jovem” e foi durante anos liderança do Partido Popular; uma das grandes lideranças oposicionistas.
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Pavel Belaus é ligado à Frente Jovem, um dos líderes da ONG Hodna e dono da loja de símbolos nacionalistas Symbal. Ele também é ligado ao movimento neofascista ucraniano Pravy Sektor e esteve envolvido na rede de voluntários bielorrussos para a Ucrânia. Andriy Stryzhak, do BNR100, ligado ao Partido da Frente Popular, coordenador da iniciativa BYCOVID19. Participou do Euromaidan, de campanhas de solidariedade com a “Operação Antiterrorista” de Kiev no leste da Ucrânia e de articulação com voluntários bielorrussos. Andrey Egorov promove a integração europeia. Alexander Dobrovolsky, líder liberal ligado ao velho eixo de aliados de Boris Yeltsin no parlamento soviético, é pró-ocidente. Sergei Chaly trabalhou em campanhas de Lukashenko no passado, é um especialista do mundo financeiro, ligado a oposição liberal russa e pro ocidente. Sim, também existem elementos de esquerda liberal ligados ao Partido Social Democrata de Belarus (Hromada), uma dissidência do PSD oficial, que é a favor da adesão à União Europeia e da OTAN. Dito isso, não falamos o suficiente da influência nacionalista. Tomemos por exemplo o grupo Charter 97, apoiado pelo ocidente, principalmente pela Radio Free Europe, que se estiliza como um movimento demo-liberal. Dão espaço para a Frente Jovem, onde naturalmente seu líder pode chamar os bielorrussos que combatem na Ucrânia de “heróis” pois combatem a “horda” (se referindo a Rússia da mesma maneira que o Pravy Sektor). Voluntários bielorrussos combateram ao lado de unidades do Pravy Sektor e do Batalhão Azov. Durante as manifestações, o Charter 97 publicou, no dia 15 de agosto, um texto comemorando o “Milagre sobre o Vistula: no dia 15 de agosto o exército polonês salvou a Europa dos bolcheviques” e “Dez Vitórias de Belarus”, em que a Rússia é retratada como “inimigo secular” dos bielorrussos. Ações de ocupação de poloneses contra a Rússia são celebradas como “vitórias bielorrussas”. É importante também observar o papel que padres católicos vêm cumprindo nas manifestações, inclusive se colocando à frente de algumas delas. O bispo católico Oleg Butkevich questionou as eleições no dia 12 de agosto. Pelo menos em Lida, em Vitebetsk, Maladzyechna e em Polotsk, clérigos organizaram manifestações. Em Minsk, tomou parte o secretário de imprensa da Conferência de Bispos de Belarus, Yury Sanko. Em Polotsk, sobre a justificativa de ser uma procissão, o padre Vyacheslav Barok falou do momento político como uma “luta do bem contra o mal”. É claro que padres católicos podem participar de movimentos políticos de massa, eles também são parte da sociedade, mas este dado não deixa de ter uma significação política específica, visto que os radicais do nacionalismo bielorrusso se organizam no seio da comunidade católica. Ao mesmo tempo, isso gera ansiedade em um “outro lado”, no que seria um lado “pró-russo”, não só por conta de conspirações sobre “catolicização” do país, mas por ter visto na experiência ucraniana a associação de clérigos do catolicismo grego a neofascistas e eventualmente o Estado bancando uma ofensiva contra a Igreja Ortodoxa russa, o que inclui tomada de terras e expropriação de templos. O mesmo problema está ocorrendo neste ano com os ortodoxos sérvios em Montenegro; existem dois precedentes recentes no mundo religioso cristão ortodoxo que podem servir para uma mobilização contra as manifestações.

Programa de oposição: em busca do elo perdido

A candidatura de Tikhanovskaya não tinha um programa muito claro fora a oposição a Lukashenko. Porém, um programa de plataforma comum da oposição, envolvendo o Partido da Frente Popular, o Partido Verde, o Hramada, a Democracia Cristã e o “Pela Liberdade” chegou a ser formulado em uma “iniciativa civil” envolvendo estes partidos e ONGs que estava no site ZaBelarus. Depois, parte deste programa foi transferido para o portal ReformBy. Quando o programa passou a ser exposto no contexto das manifestações (por volta do dia 16), a oposição tirou o site do ar, mas ele ainda pode ser acessado com a ferramenta Wayback Machine. O programa quer anular todas as reformas e referendos desde 1994, retornando à Constituição daquele ano (e conforme escrita pelo Soviete Supremo). Se compromete a retirar da língua russa seus status oficial, além de substituir a atual bandeira por uma vermelho e branca. Existe uma proposta de reforma total de todas as instituições: bancárias, centrais, locais, judiciais, policiais, militares.
O programa também tem uma sessão dedicada à previdência, criticando o sistema de repartição solidária de Belarus como “falido” e responsável por uma “alta carga tributária sobre os negócios”. Propõem “simplificação”, “desburocratização” e “alfabetização financeira da população” para que esta assuma sua parcela de responsabilidade pela aposentadoria. O sistema seria “insustentável” no ano de 2050 por razões demográficas. Também criticam o “monopólio” da previdência pública, “sem alternativas no mercado”. A proposta oposicionista é de contas individuais de pensão com contribuição obrigatória, mas sem eliminar o sistema solidário, tornando o sistema “baseado em dois pilares”; elevar a idade de aposentadoria das mulheres (57) para igual a dos homens (62); “desburocratização” através da eliminação e fusão de órgãos públicos de seguridade social; eliminar diversos tipos de benefício e igualar os valores para todos os cidadãos (independente da ocupação). Essas propostas previdenciárias em específico são assinadas por Olga Kovalkova. Na seção de economia, o programa fala de um “problema do emprego” criticando as empresas estatais e demandando flexibilização da legislação, “incentivos para os investidores”, “uma política macroeconômica de alta qualidade, i.e. inflação baixa, política fiscal disciplinada, escopo amplo para a iniciativa privada”; “o mercado de trabalho é super-regulado”, diz o documento. “Melhorar o ambiente de negócios e o clima de investimentos”, “tomar todas as medidas necessárias para atrair corporações transnacionais”, “privatização em larga escala”, “criação de um mercado de terras pleno”, “desburocratização e desmonopolização da economia”, “adoção das normas básicas de mercado e padrão de mercadorias da União Europeia”, enumera o programa dentre as diversas propostas, que incluem privatização de serviços públicos e criação de um mercado de moradia competitivo. Até aqui, com exceção da referência à língua russa, estamos falando mais de neoliberais do que nacionalistas propriamente. Podemos dizer também que pontos como adoção de padrões europeus e reformas econômicas influenciam a questão geopolítica. Ainda assim, boa parte dessas reformas econômicas também são defendidas por Viktor Barbaryka, empresário bielorrusso que era tido como principal candidato de oposição a Lukashenko que está preso por crimes financeiros; Barbaryka é considerado um “amigo do Kremlin”, pró-russo. Existe uma seção perdida, a seção de “Reforma da Segurança Nacional”. Na primeira semana de protestos, surgiu na rede uma suposta reprodução do conteúdo dessa seção¹. O conteúdo é uma análise ocidentalista que enquadra o Kremlin como uma ameaça, propondo a saída do Tratado de Takshent, da União com a Rússia e medidas para fortalecer o país com “educação patriótica”. Muitos temas que já foram vistos na Ucrânia, com a identificação do Kremlin como uma ameaça tendo como consequência a proposição de medidas contra “agentes do Kremlin” dentro do país, na mídia e na sociedade civil (e, dentre elas, uma proposta de “bielorrussificação” das igrejas). Tão logo isso passou a ser denunciado na primeira semana depois das eleições, o site inteiro foi tirado do ar. A oposição, tendo entrado em um confronto prolongado que pelo visto não esperava (contando com a queda rápida de Lukashenko) sabe que esse tipo de coisa favorece o governo e cria um campo favorável para ele, por isso agora tentam se dissociar, falando deste programa como produto de uma iniciativa privada, apesar de ser uma articulação política envolvendo líderes da oposição. Tanto seus elementos de reforma econômica combinam com o que diziam políticos de oposição liberal em junho, como as supostas posições geopolíticas casam com os nacionalistas que tomam parte da coalizão (e na verdade, é um tanto óbvio que pelo menos uma parte considerável dos liberais é pró-OTAN). No mesmo dia que tal documento foi exposto na mídia estatal bielorrussa – e mais tarde, comentado por Lukashenko em reunião do Comitê Nacional de Defesa – o Conselho de Coordenação declarou oficialmente que desejam cooperar com “todos os parceiros, incluindo a Federação Russa”. Desinformação? Por mais provocativas que sejam as posições do suposto trecho do programa, é fundamentalmente o discurso normal de nacionalistas e liberais atlantistas em Belarus; agora que os dados foram lançados, é natural que a direção oposicionista que não reconhece os resultados das eleições procure se desvencilhar desses posicionamentos estranhos aos seu objetivo mais imediato, que é derrubar Lukashenko.² Ainda que os manifestantes possam ter motivações diversas, a situação atual está longe de ser livre do peso da geopolítica e das narrativas históricas que sustentam o caminhar de um país.
Notas:¹ – Procurando o trecho em russo no Google com um intervalo de tempo entre o primeiro dia de janeiro de 2020 até o primeiro dia de agosto (isto é, antes disso virar uma febre na rede russa), o próprio mecanismo de pesquisa oferece uma página do “Za Belarus” que contém o trecho, mas com um link quebrado – sinal de que há algum registro no cache do Google. A data é dia 25 de junho.
² – O Partido da Frente Popular da Bielorrússia acusou Lukashenko de “fake news” ao divulgar o que seria o seu programa como se fosse de Tikhanovskaya, tratando as medidas como “inevitáveis para Belarus” porém “fora de questão” no momento. O programa, naturalmente, é marcado pela retórica nacionalista e defende adesão de Belarus na OTAN, mas não usa o mesmo palavreado. Da mesma forma o programa do PFPB também tem princípios liberais-conservadores na economia.
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2020.07.28 04:12 assis96 Porque eu acredito que o Esperanto será a língua internacional do futuro

O Esperanto é uma língua artificial criada pelo médico oftamologista Lázaro Luiz Zamenhof e nascida no ano de 1887 pela publicação do livro "Internacia Lingvo". Zamenhof nasceu na cidade de Bialystok, atualmente na Polônia, mais especificamente próximo a fronteira onde hoje se encontra a Bielorrusia, Lituânia e Kaliningrado (território russo). Ele era judeu, seu pai era professor de alemão e francês, em razão do meio social e geográfico, desde pequeno conviveu com várias línguas: iídiche, russo, polonês, alemão, hebraico, francês. Lázaro tinha inclinação e facilidade em aprender línguas, cresceu em um ambiente onde problemas de comunicação, preconceito linguístico e étnico eram uma constante. Nesse contexto, sentiu-se impelido a buscar uma solução para esses conflitos por meio da criação de uma língua nova, neutra, fácil e democrática.
Apesar de eu não ser um falante do Esperanto, nem ter contacto com esperantistas, sei que há inúmeros estudos de conceituados linguistas que apresentam pontos tecnicamente favoráveis ao ensino e difusão do Esperanto como língua viável para ser adotada pela comunidade internacional. Se não fosse assim, ele não seria a língua planejada mais falada do mundo e a ONU nem teria recomendado em 1985 sua difusão entre seus países-membros. Esse artigo não visa apresentar a viabilidade do Esperanto do ponto de vista técnico linguístico, visa sim mostrar a possibilidade real da materialização do sonho esperantista no mundo tendo como base a História, a evolução da cultura ética-moral dos povos e a revelação espírita.
Antes de avançarmos na argumentação é preciso ter em conta que estou escrevendo em português, em uma rede social relativamente popular no mundo ocidental e em um canal de comunicação onde o inglês é dominante. Bem provável, os leitores desse artigo podem ser caracterizados como pessoas esquisitas (em inglês WEIRD, sigla em referência a pessoas western, educated, industrialized, rich and democratic) que não retratam a ampla realidade social do mundo. Inevitavelmente sou ocidental, tenho acesso a educação superior, estou integrado em uma sociedade industrializada e nativo brasileiro, apesar dos pesares, um país rico e ainda democrático. A verdade é que não conhecemos de fato o mundo todo, o que a gente pensa que sabe do mundo é muito pouco e extremamente deturpado do que realmente é o nosso planeta. Por mais que tenhamos acesso a internet e programas que falem como é a vida dos outros povos e países, não podemos dizer que sabemos com propriedade como é a vida e cultura dos outros povos e países. O mundo é bem mais complexo e diverso do que a gente imagina, são inúmeras religiões, tradições, línguas, climas, histórias, economias, políticas, filosofias, etc. Queremos refletir sobre uma língua que se aplique no mundo como um todo e não apenas no lado ocidental, para pessoas WEIRD.
Agora posso começar a explicar "Porque eu acredito que o Esperanto será a língua internacional do futuro". Primeiro, vamos nos basear na História, hoje a língua internacional é o inglês, mas em outras épocas poderíamos considerar o latim e o grego. O paradigma materialista econômico aceito pela maioria dos homens permite a qualquer país ou nação que se tornar mais influente, mais forte e dominante, submeter as demais nações ao julgo de sua cultura e consequentemente de sua língua. É claro que o mundo nunca antes em sua História esteve tão globalizado e internacionalizado como nos dias de hoje, nesta singularidade dos nossos tempos são as nações de língua inglesa as detentoras de grande poder na política mundial, por isso o inglês está sendo a língua internacional mais forte e em melhor opção para se estabelecer em definitivo como língua global. Todavia, precisamos ampliar nossa visão de tempo e aprender com a História. Não podemos pensar no futuro considerando apenas os últimos 150 anos de glória das nações anglo-saxãs. Por mais que estes últimos 150 anos de nossa história sejam os mais intensos e impactantes no globo como um todo, o futuro ainda está em aberto, rapidamente pode ocorrer uma inusitada mudança de ordem política-econômica-cultural.
Se voltássemos no tempo há 2000 anos e discutíssemos sobre qual seria a língua internacional do futuro, um cidadão do império romano muito provavelmente não diria ser o Inglês. Quem visse o império romano de dois milênios atrás dificilmente poderia imaginar que hoje ele estaria em ruínas. Por que não poderíamos aplicar esse exemplo nos dias de hoje? Todos os impérios que passaram pelo planeta tiveram seu tempo de nascer, crescer, atingir um ápice, declinar e morrer. O império consolidado pelas línguas inglesas seriam uma exceção? Uma língua que se propõe a ser duradoura e "universal" deve se associar ao mundo das ideias primeiro antes do mundo físico. O mundo físico é transitório, efêmero, está em constante mudança. O mundo das ideias é imperecível, você pode matar um homem, mas não consegue matar uma ideia. Foi essa essência ideológica forte que fez o cristianismo se estabelecer hoje a religião com maior número de adeptos no mundo. Eu comparo os esperantistas de hoje como os cristãos do século II, 133 anos depois da morte de Jesus de Nazaré na cruz. No século II, poucas pessoas levavam o cristianismo a sério, ele era uma minoria, a maioria dos homens e nações de fama do século II não apostariam nas imensas proporções e desdobramentos que o cristianismo seria capaz de acarretar no futuro da humanidade. Por que hoje, no segundo século do nascimento do Esperanto poderíamos duvidar do potencial dessa nova ideologia?
Lembramos do cristianismo e agora para ilustrar o problema da evolução ética-moral da cultura dos povos, vamos pensar na cultura Islã. Não podemos pensar no mundo ignorando a cultura do islamismo, os muçulmanos são tão expressivos numericamente quanto os cristãos, há projeções estatísticas que indicam uma ultrapassagem do Islã ao cristianismo em número de adeptos até o fim deste século. O Islã tem preferência pelo idioma árabe, isso em virtude do Alcorão, seu livro sagrado, ter sido revelado pelo profeta Maomé em árabe e também pela beleza sonora de se ouvir a declamação dos textos contidos no Alcorão no idioma original. A cultura dos países de predomínio muçulmano também possui forte influência do idioma árabe. Muito dos valores morais dos países de predomínio do idioma inglês são bem diferentes e até mesmo antagônico aos valores morais da cultura árabe, sem falar dos recorrentes conflitos políticos entre as nações desses dois mundos linguísticos diferentes. Sabendo dessas hostilidades históricas, da expansão de ambas as culturas, como conciliar por parte dos muçulmanos a supremacia internacional do inglês ao árabe ou vice-versa?
A evolução ética-moral da cultura dos povos mostra que século após século o homem avança um pouco mais no desenvolvimento de suas leis, de seus costumes, de seus conhecimentos e culturas. A Declaração do Direito dos Homens é um exemplo, a valorização das mulheres e o combate ao preconceito racista outro exemplo de avanço da mentalidade humana. A evolução do conceito de Justiça é a alavanca ética-moral dos povos e com base nessa ideia o Esperanto ganha força e tem destino promissor. O Esperanto não é apenas uma língua planejada, o Esperanto representa uma filosofia, um modo de pensar, um estilo de vida que tem como objetivo principal não ter supremacia em relação a outras filosofias, línguas e estilos de vida, mas sim colaborar com a fraternidade entre os povos e nações do mundo todo por meio de uma comunicação em língua neutra. Muitos podem dizer que a língua Inglês, ou qualquer outra língua, também busca colaborar com a paz na Terra e fraternidade entre os homens, não duvido dessa intenção, mas há um problema intrínseco nessa boa intenção que fere o conceito de orgulho dos homens e quando o orgulho dos homens é ferido dificilmente há fraternidade. Todos nós temos orgulho, querendo ou não, não gostamos de nos sentir ou pensar que valemos menos do que os outros, na verdade os seres humanos não devem ser vistos como inferiores ou superiores uns aos outros, mas sim como seres únicos, como "fim em si mesmo" nos dizeres do filósofo Kant. Da mesma forma vejo as línguas, elas também expressam os indivíduos e povos, cada língua deve ser vista como um "fim em si mesmo". O Esperanto não fere a dignidade de nenhum povo justamente porque ele não está associado a nenhum povo ou país em específico, o Esperanto é mais despersonalizado, mais neutro do que qualquer outra língua, por isso poderia melhor colaborar com a fraternidade entre os homens.
Por fim, mas não menos importante, ressaltamos o caráter da revelação espírita em aprovação e consonância com a difusão do Esperanto. Sem pretensões, posso dizer que tenho um pouco mais de conhecimento de causa do Espiritismo, afinal nasci e cresci em família espírita e também sou bem integrado ao movimento espírita de minha cidade. Emmanuel, um dos principais espíritos responsáveis pela divulgação do Espiritismo no Brasil, juntamente com o médium Chico Xavier, em várias mensagens reforça o valor do Esperanto e incentiva seu estudo. Não só Emmanuel, mas vários outros espíritos nobres por meio de diversos médiuns respeitáveis dos mais variados lugares do mundo e em vários momentos diferentes desde o nascimento do Esperanto em 1887 são coerentes em acreditar no projeto esperantistas para solução dos problemas de comunicação entre os povos.
O Espiritismo defende a ideia da evolução moral e espiritual do planeta Terra, atualmente viveríamos em período de transição entre duas fases claramente distintas, de maneira geral, estaríamos saindo do estágio de mundo de provas e expiações (onde há predominância do mal sobre o bem) para o estágio de mundo de regeneração (onde o homem teria mais consciência da necessidade de viver a fraternidade). O Espiritismo diz que nesse terceiro milênio a humanidade estaria predestinada a viver a sua regeneração e, para tal período, os espíritos responsáveis pela condução deste processo já teriam definido e legitimado o Esperanto como a língua do estágio de regeneração. Mesmo havendo espíritas encarnados que não levem a sério o Esperanto, muitos inclusive gostariam que houvesse uma retratação por parte das instituições espíritas que defendem a difusão do Esperanto, a contragosto os espíritos desencarnados guias do Espiritismo continuam acreditando e convocando os homens ao ideal esperantistas de fraternidade. Em síntese, esses espíritos superiores dizem que não é conveniente para o período de regeneração da Terra a apropriação de um idioma (inglês, por exemplo) contaminado por impressões deletérias desagregadoras devido o seu uso em ações de domínio cultural, político e econômico. Esses guias da humanidade, mereceriam nossa consideração em razão de possuírem uma visão liberta da transitoriedade do mundo material, mais ampla e nítida da realidade dos fatos, diferente de nós, encarnados, que temos a visão embotada pelos preconceitos.
Enfim, diante do exposto, digo com tranquilidade, com segurança e esperança: O Esperanto será a língua internacional do futuro! Digo isso não porquê sou espírita e os espíritos também acreditarem nisso. Digo isso porquê vejo lógica e razão em acreditar nisso. Quando será esse futuro? Isso não sou capaz de precisar, mas arriscaria dizer que esse futuro seja daqui uns 200 anos, quem sabe? 200 anos na história da humanidade é logo ali.
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2020.07.01 01:41 TURIMADMIN COMO USAR NOSSA AUTORIDADE E VENCER AS TEMPESTADES DA VIDA - AUTORIDADE ...

COMO USAR NOSSA AUTORIDADE E VENCER AS TEMPESTADES DA VIDA - AUTORIDADE DO CRISTÃO
Mensagem fala da importância de usarmos a autoridade que Jesus nos Deus em seu nome, que em muitos momentos não podemos somente assistir os problemas, temos que repreender os problemas e situações.
Moisés usava a vara para fazer os milagres e prodígios no Egito, e Jesus nos deu seu nome.
Êx 4.17 Tomarás, pois, na tua mão esta vara, com que hás de fazer os sinais.
Jesus nos ensinou declarar com fé a palavra de autoridade ao problema, ao monte, repreender, em seu nome.
Mt 8.23 E, entrando ele no barco, seus discípulos o seguiram.
Mt 8.24 E eis que se levantou no mar tão grande tempestade que o barco era coberto pelas ondas; ele, porém, estava dormindo.
Mt 8.25 Os discípulos, pois, aproximando-se, o despertaram, dizendo: Salva-nos, Senhor, que estamos perecendo.
Mt 8.26 Ele lhes respondeu: Por que temeis, homens de pouca fé? Então, levantando-se repreendeu os ventos e o mar, e seguiu-se grande bonança.
Jesus queria que seus discípulos usassem a autoridade, fez menção da sua pouca fé. Jesus se levantou e repreendeu os ventos e o mar, natural e espiritual, falou e deu ordem e o mar se acalmou. Que possa usar nossa autoridade em Cristo.
Use sua autoridade, que recebeu em Cristo. Use sua autoridade de filho, de corpo de Cristo.
https://youtu.be/Du1SJe4u300
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2020.06.29 13:09 AntonioMachado [2011] Domenico Losurdo - Crítica ao liberalismo, reconstrução do materialismo

Entrevista: https://www.ifch.unicamp.bcriticamarxista/arquivos_biblioteca/entrevista19Entrevista.pdf
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2020.06.28 13:53 AntonioMachado [2016] Domenico Losurdo - Stalin e Hitler: Irmãos Gémeos ou Inimigos Mortais?

Artigo: https://www.marxists.org/portugues/losurdo/2016/03/29.htm
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2020.06.14 17:47 fabiojose767 A militância identitária e racialista está destruindo a esquerda

Boa parte da esquerda "tradicional" não está tão entusiasmada com a crescente hegemonia de ideologias identitárias e racialistas, importadas das universidades Norte-Americanas e colocadas no Google Tradutor, que estão invadindo o ambiente político Brasileiro (e mundial) e marginalizando o debate econômico.
A "nova esquerda" que domina as redes sociais se comporta mais como uma guerrilha cultural, cujo objetivo não é a elevação sócio-econômica dos menos favorecidos ou a criação de um contraponto ao capitalismo globalizado como antes, mas sim a abolição da civilização ocidental e a subversão dos hábitos, das crenças e da cultura do povo para a criação de uma "nova sociedade", supostamente livre da opressão exercida por grupos abertamente rechaçados, como homens heterossexuais, brancos conservadores, cristãos e qualquer pessoa que não se encaixe no padrão de juventude urbana militante desconstruída.
Esse novo foco impossibilita que a esquerda seja um contraponto real aos interesses do capital. Isso porque ao abandonar a luta abrangente e inclusiva pelos "direito dos trabalhadores" em favor de pautas identitárias cada vez mais agressivas, a militância aliena a maioria dos brasileiros, causando repulsa automática e uma reação raivosa de boa parte do povo, que vê sua cultura, seus valores e suas famílias sob ataque. A questão econômica é colocada de lado em favor de um tribalismo que em um país miscigenado como o Brasil não tem a mínima chance de ter qualquer efeito positivo.
Poderíamos ir até mais longe e dizer que essa "revolução cultural" é apoiada com entusiasmo pelo capital internacional. Corporações Norte-Americanas já doaram, ao todo, US$ 1,7 bilhões para o movimento BlackLivesMatter. Seria apenas uma questão de imagem, ou será que tais corporações são beneficiadas pela morte da esquerda tradicional e ascensão de uma esquerda vazia, polarizadora e fadada ao fracasso?
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2020.05.25 22:55 GreenDayTodayEver Talvez um pedaço da minha história ajude alguém

Galera, há um tempo eu queria escrever uma série de conselhos que desenvolvi durante a vida, em episódios que vivi. Hoje com quase 40, bem casado, posso talvez dar algumas dicas. Me machuquei muito na vida, mas a vida começou mudar quando entendi certas coisas e principalmente quando comecei a me importar mais com as pessoas sem querer nada em troca.
1 - Ache a sua turma e entenda: vc pertence a ela
Quando eu era criança, sofria bullying na escola, todos meus amigos me chamavam de gordinho, eu não ligava e mostrava o dedo do meio para eles. Era ruim de futebol, mas mesmo assim me enturmava com outra galerinha que gostava de mim, que tinha gostos parecidos e foda-se o resto. Sim. Isso machucava porque as pessoas que eu pensava que eram bacanas, não eram.
2 - As expectativas podem te machucar muito
Sempre fui feio. Para falar a verdade, horrível. Até hoje me olho no espelho e falo: cara como tu é feio pra kct e pergunto para a minha mulher: como vc foi gostar de mim assim? Ela ri e me acha o cara mais lindo do mundo, e isso que me importa. E ela é a mais linda para mim e acabou.
Mas curiosamente eu levei diversos foras quando adolescente. Lembro até hoje quando me apaixonei por uma garota e ela me disse exatamente assim: Cara vc é feio pra caramba, vc só sabe tocar guitarra (eu tinha uns 17) vc acha que será alguém na vida? Eu fiquei sem dizer nada, enfiei a viola no saco, como diz o ditado popular e fui embora para casa chorando que nem um bobo com uma roupa nova da bad boy que tinha acabado de comprar com minha mesada e meses que guardei grana para um Rebook Pump só para ficar bonitão e me declarar para ela. (Edit com esse detalhe)
3 - Cuidado com as pessoas que te humilham por vc ser pobre (ser pobre não é para sempre)
Na cidade pequena onde nasci, eu frequentava uma igreja medíocre que existe até hoje, que tinha pessoas "ricas" da cidade. Até hoje, continua a mesma bosta. Não sabem o que é amor ao próximo e continuam "seletivos". Pessoas daquela "casta" sempre humilharam os mais pobres e classe média. Isso incluiu minha família e eu. Não era pobre necessitado na época, mas minha família era de classe média. Meus colegas viviam dizendo que iam para a Disney etc e contavam e contavam como era lá e me traziam um lápis com uma borracha só, mas eu ficava com vontade... Eu não podia ir, meus pais não tinham como pagar, era tempo de vacas magras e, como se não bastasse, tinham falido.
Todos sem exceção tiravam sarro e me humilhavam de graça. Tinha 1 ou 2 amigos de verdade naquela época dentro daquela MERDA DE IGREJA. Hoje eu sei a REAL definição de igreja. Depois no final vcs entenderão.
4 - Não seja o bobo que compartilha conhecimento de graça
Descobri uma grande vantagem no ensino médio: por conta dos meus problemas eu era vagabundo para estudar mas inteligente. Então, percebia que as menininhas bonitinhas e os carinhas populares queriam material de aula para "copiar" minhas notas de aula, exercícios, tiravam dúvidas. Eu não perdoava, mandava a merda e não compartilhava, porque como adolescente, eu via meu pai falar de sucesso, de coisas que vc deve ou não compartilhar e que as pessoas vem sorrindo para geralmente pedir. Me tornei um cara amargo mas ainda inexperiente na vida e as vezes até imbecil no trato com as pessoas. Só não queria me machucar mais.
5 - Seja o melhor. Sempre há tempo. Mas não humilhe ninguém.
Quando entrei na faculdade decidi que a vagabundagem iria me deixar. Conquistei 5 amigos que eram fodas. A gente era a elite da turma no sentido do conhecimento. Não perdoávamos as outras panelas. Nós éramos os Ramones da computação hahahaha. A gente era foda. Só tirávamos notas fodas. Eu tinha amigos DE VERDADE, perdi dois por câncer já. Uma pena, mas, a gente mostrava que estava ali para estudar. Eu era feio, mas as meninas me amavam porque eu era foda. Eu era inteligente, só tirava 8, 9 e 10. Não me formei com nenhum 5, não tive uma DP e fiquei em exame só uma vez numa baita universidade. Mas minha tristeza com as decepções do passado da adolescência me fizeram ficar esperto com as mulheres.
Tratava todos bem. Ajudava a galera e quanto mais ajudava, eu não sei exatamente o que acontecia mas as coisas davam certo para mim. Ajudava todos.TODOS sem exceção e me tornei menos amargo e mais altruísta. Meu apelido entre os maldosos era o bom samaritano, porque os caras falavam: lá vem o crente que não vai em baladas e é mala. Mas não ficava falando de evangelho nada disso. mas minha vida era levada a sério. Só. Eles percebiam que eu estava ali para tentar mudar de vida e não para perder tempo.
6 - Não tenha vergonha de quem vc é
Eu tinha arrumado um estágio no segundo ano da faculdade já. Mas eu teria que ir de carro ... falei para meu pai: e agora pai? fodeu? Eu era quebrado... ele comprou um corcel 2 para mim, velho. Todo ferrado. Demos uma reformada no bicho mais ou menos porque meu pai não tinha dinheiro para comprar um carro melhor. Eu chegava para estudar no inverno de corcelzão vermelho hahahahaha com insulfilme g5 (única coisa que eu tive grana para colocar para não pegar sol na cara) e um rádio pionerr que um amigo da faculdade me deu... e parava ao lado do carro do meu melhor amigo que tinha uma caminhonete da Dodge vermelha que dava para comprar uns 20 carros iguais o meu. E esse cara, grande amigo meu, foi um anjo que Deus colocou na minha vida. Ele falava assim: cara, vc é demais cara, vc é o irmão que não tive, cara vc é foda, vem de corcel todo dia, pega pista, porra cara vc é corajoso (tudo era necessidade) e ele era bom de coração demais para mim.
A gente fazia nossos churras, eu me lembro uma vez que cheguei em um dia de inverno tom o vidro aberto, ouvindo Ramones dentro do corcel ahahahahah e a galera ficava hahahahaha tipo: porra quem é esse cara idiota, nossa que besta, de corcel aqui na faculdade? Credo... essa faculdade tá perdendo o nível.
7 - As oportunidades certas na hora certa
No segundo ano da faculdade, conheci minha esposa! claro tínhamos só 20 anos hahahaha. Minhas notas melhoraram ela me jogou para cima. Foi a melhor coisa que me aconteceu. Conheci ela e começamos a namorar. A minha vida ficou boa e eu estava assim meio ansioso, mas, deixei a vida rolar. Resumo? hoje estamos há 18 anos juntos :-) hahahahahah lembro até hoje quando ela pegou na minha mão dentro do corcel e falou: vc é tão gatinho e inteligente hahahahah (gente eu sou mais feio que o corcel hahahaha), mas, foi assim demais e lembro de cada detalhe.
Conselho: não tenha medo, as coisas acontecem na hora certa. Acredite.
8 - Sendo correto, tudo dá certo
Eu e meus amigos não colamos durante a graduação inteira. Nunca.
Foi tudo uma beleza, todos nós nos formamos! Todos nós demos certo na vida. Todos nós queríamos o bem das pessoas, todos nós estamos casados com as namoradas que conhecemos na época de faculdade e todos nós tivemos ou temos empresa, todos nós JÁ PASSAMOS POR MUITO SUFOCO (nem tudo foi fácil). Um dos meus amigos foi assaltado, tomou um tiro e está vivo. É... galera... vários sufocos.
Com exceção de 2 que tiveram câncer que infelizmente fazem falta pra caramba para nós. O resto está bem, a gente se apoia a gente se importa e a gente sempre faz o bem a quem puder.
9 - Não ligue o foda-se em situação nenhuma - importe-se
Eu mudei bastante minha personalidade por conta dos traumas de infância e passei a querer o bem de todo mundo sem nada em troca e sem medo de me machucar. Porque entendi: pessoas que vem para nos causar mal, estão causando mal a si mesmas. Eu vi muito cara da cidade onde nasci passar necessidades e era o popular da escola, o bonzão. Uma pena. A vida muda, a vida escolhe quem presentear.
Passamos perrengues juntos. Perdemos pessoas queridas, mas éramos fodas juntos. Um ajudava o outro, estávamos ali. Ninguém abandonava ninguém. Até hoje, somos confidentes. Uns estão melhor que outros financeiramente (mas nós mesmos sabemos que isso não importa porque ninguém mudou), mas somos todos iguais e nos ajudamos sempre. Já teve um amigo nosso que perdeu emprego agora na quarentena e estamos sustentando ele e a família. É isso que somos. Unidos, uma família de verdade.
10 - Seja você e tenha seus amigos como Porto Seguro
Seja você. Se vc quer usar jaqueta do Ramones ao invés de dobrar a manga da camiseta porque está na moda para os homens, use a jaqueta. Esqueça a moda se não se importa. Seja você. As pessoas gostarão de vc pela sua autenticidade, pela seu jeito de viver. Por vc ser você! Aproxime-se de quem gosta de vc. Essas pessoas serão um porto seguro. Porque vc será autentico confiável e principalmente AMIGO. não quele coleguinha sem conversas profundas, sem conselhos e sem se importar. Nossa eu tenho tantos coleguinhas galera... é um porre... o cara dá bom dia reclama da vida, quando acontece uma coisa boa na vida dele ele não te conta. hahahahaha. Coleguinhas que querem só encher seu saco e acham que vc é uma cesta de lixo. Coisa boa não conta, mas desgraça é todo dia. É um porre.
Ame quem te ama! Procure amar as pessoas também e desenvolver laços de amizades verdadeiros. Isso demora anos, mas vale a pena.
Continuo sendo cristão, mas não naquela igreja seletiva e podre. Numa igreja que realmente faz a diferença. Todos eles Continuam com suas religiões, mas isso não importa porque nos respeitamos e somos muito amigos. Porque a amizade é verdadeira e nos importamos e convivemos bem com nossas diferenças.
Finalmente...
Enfim galera, espero que essa experiência tenha motivado vc a ser uma pessoa humana, que tenha um grupo de amigos e que se importe. Que vc não se sinta menor por conta das suas dificuldades, ou se "está pobre" vc não é pobre, vc está pobre, mas isso não é para sempre. Tenha o grupo CERTO de amigos e pessoas que gostam de vc e vc não precisará buscar "aceitação" de ninguém. Existe muita gente boa no mundo galera! Minha vida até os 18 foi uma bosta. Mas, da faculdade em diante graças a Deus muita coisa mudou! Mas eu mudei também, larguei a tristeza e parti em direção ao: fazer, ser, se importar, fazer o bem e não ligar para quem nos faz mal e pronto!
Espero ter ajudado.
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2020.05.11 01:06 jhacksondiego Estamos sendo governados por uma política fascistas há quase 2 anos, mas as pessoas tem dificuldade em se convencer. Vou dar aqui alguns argumentos para sustentar isso.

Em outro tópico um user falou que não vivemos em um governo fascista ainda, pois não estamos em uma ditadura. E eu, baseado no livro do Jason Stanley - Como Funciona o Fascismo fiz um levantamento das características do fascismo que ele aponta lá, e como podemos ver todas aqui no Brasil. Apesar desse post ser baseado no livro do Jason Stanley, o George Orwell tem um ótimo livro sobre o mesmo assunto, mas não terminei de ler ainda. Vou deixar o link para download também. O que é o Fascismo e Outros Ensaios - George Orwell. O canal Meteoro Brasil tem também 2 vídeos sobre o assunto. Recomendo assistir: 1984: Pilares do Fascismo e Como Funciona o Fascismo (No Brasil)
Vou copiar a resposta que eu dei ao user:
Então você acha que só é fascista se tiver um ditador? Assim como só é nazismo se tiver antisemitismo no discurso? Parece fácil assim, eu posso seguir toda a cartilha fascista e deixar só um ponto sem preencher, que assim eu não sou fascista, sendo que a presença de um ditador passa longe de ser obrigatória.
Deixo aqui a indicação de leitura do livro do Jason Stanley - Como Funciona o Fascismo
Aqui ele enumera alguns pontos que se fazem presentes na política fascista.
Passado Mítico - Ideia de que antigamente tudo era melhor, antes existia um tempo em que essa bagunça que é hoje não existia e a gente precisa voltar pra lá, pro tempo de prosperidade, antes da perversão que os vagabundos fizeram.
No Brasil? Os fascistas defendem que é a Ditadura Militar. Ou o REGIME Militar, como gostam de eufemizar
Propaganda - Citando do próprio livro:
A propaganda política usa a linguagem dos ideais virtuosos para unir pessoas por trás de objetivos que, de outra forma, seriam questionáveis. (pg 28 do PDF que eu mandei)
No Brasil? BANDIDO BOM É BANDIDO MORTO! Temos que limpar o Brasil da corrupção, e da violência, não importa como seja! Tem que metralhar favela dentro de um helicóptero, pois assim a gente acaba com os traficantes!
Anti-Intelectualismo - Citando do livro novamente:
A política fascista procura minar o discurso público atacando e desvalorizando a educação, a especialização e a linguagem. É impossível haver um debate inteligente sem uma educação que dê acesso a diferentes perspectivas, sem respeito pela especialização quando se esgota o próprio conhecimento e sem uma linguagem rica o suficiente para descrever com precisão a realidade. Quando a educação, a especialização e as distinções linguísticas são solapadas, restam somente poder e identidade tribal. Isso não significa que não haja um papel para as universidades na política fascista. Na ideologia fascista, há apenas um ponto de vista legítimo: o da nação dominante. As escolas apresentam aos alunos a cultura dominante e seu passado mítico. (pg 37 do PDF)
Preciso mesmo exemplificar isso no Brasil, onde membros do governo praticam diariamente revisionismo histórico, onde cientistas renomados são demitidos por divulgar dados públicos sobre queimadas? Onde membros do governo tentam descreditar cientistas lutando contra uma pandemia?
Irrealidade - Citação
Quando a propaganda política consegue distorcer ideais fazendo-os voltarem-se contra si mesmos e as universidades são solapadas e condenadas como fontes de preconceito, a própria realidade é posta em dúvida. Nós não podemos concordar com a verdade. A política fascista substitui o debate fundamentado por medo e raiva. Quando é bem-sucedida, seu público fica com uma sensação de perda e desestabilização, um poço de desconfiança e raiva contra aqueles que, segundo foi dito, são responsáveis por essa perda. A política fascista troca a realidade pelos pronunciamentos de um único indivíduo, ou talvez de um partido político. Mentiras óbvias e repetidas fazem parte do processo pelo qual a política fascista destrói o espaço da informação. (pg 53)
Não vejo necessidade de exemplificar esse né? E só ir no Twitter do presidente, dos filhos, do Ministro da Educação, da Ministra da Mulher.
Hierarquia - Citação
A ideologia fascista, então, aproveita a tendência humana de organizar a sociedade hierarquicamente, e os políticos fascistas representam os mitos que legitimam suas hierarquias como fatos imutáveis. Sua justificativa principal para a hierarquia é a própria natureza. Para o fascista, o princípio da igualdade é uma negação da lei natural, que estabelece certas tradições, das mais poderosas, sobre outras. A lei natural supostamente coloca homens acima de mulheres, e membros da nação escolhida do fascista acima de outros grupos. (pg 69)
Estamos aqui pois somos enviados de Deus. Homem tem que ganhar mais do que mulher mesmo, mulher tem filho e fica afastada, como pode ser justo o homem ganhar o mesmo tanto? A natureza fez a mulher assim
Vitimização -
Na política fascista, as noções diametralmente opostas de igualdade e discriminação misturam-se uma com a outra. (pg 79)
Eu, branco e hétero, sou oprimido por essa turma do MIMIMI, sou perseguido por ser cristão! Sou perseguido por não ser favelado!
Lei e Ordem -
A retórica fascista de lei e ordem é explicitamente destinada a dividir os cidadãos em duas classes: aqueles que fazem parte da nação escolhida, que são seguidores de leis por natureza, e aqueles que não fazem parte da nação escolhida, que são inerentemente sem lei. (pg 92)
Se você não faz parte do padrão, ou segue as regras que o grupo dominante impõe, você é o inimigo. Ou você apoia o Líder Supremo Bolsonaro ou você é nosso inimigo.
Ansiedade Sexual -
Se o demagogo é o pai da nação, então qualquer ameaça à masculinidade patriarcal e à família tradicional enfraquece a visão fascista de força. Essas ameaças incluem os crimes de estupro e agressão, assim como o chamado desvio sexual. A política da ansiedade sexual é particularmente eficaz quando os papéis masculinos tradicionais, como o de provedor familiar, já estão sob a ameaça das forças econômicas. (pg 105)
Os esquerdistas querem tornar seus filhos em homossexuais e acabar com a família tradicional brasileira! Não deixe um transsexual usar o banheiro feminino, ele vai estuprar as mulheres!!!
Sodoma e Gomorra -
Enquanto as cidades, para o imaginário fascista, são a fonte da cultura corrompida, geralmente ocasionada por judeus e imigrantes, o campo é puro. (pg 117)
O que vem da cidade está corrompido, o povo simples da favela é vagabundo. Mas o povo simples do campo está intocado e temos que proteger o homem do campo, armar ele pra proteger suas terras dos invasores
Arbeit Macht Frei -
Na ideologia fascista, o ideal de trabalho duro é utilizado como arma contra populações minoritárias. O partido neofascista francês Le Front National é cruelmente anti-imigração. Representantes do partido rejeitam os imigrantes, taxando-os de parasitas que vivem às custas do trabalho duro e da diligência do “verdadeiro” povo francês.
Pra ter um exemplo recente dessa mentalidade, é só ver as últimas publicações da SeCom. Ou o discurso de que tem que reabrir o comércio no meio de uma Pandemia, pois a economia é mais importante do que alguns poucos mortos.

Então, nossa política federal marca categoricamente todos os pontos no bingo do Fascismo, estamos sendo governados por fascistas ou só podemos chamar de fascistas quando o líder supremo se intitular Ditador?
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2020.05.01 01:44 didx Qual é, afinal, o papel do Presidente da República?

Eu não sei, e parece que o presidente atual também não. Entretanto, diferente do presidente da República, eu não sou responsável pela vida de 210 milhões de brasileiros.
A CF determina as competências e crimes de responsabilidade, mas não explica direito o que ele deve fazer.
É uma pergunta, e ao mesmo tempo uma carta aberta de repúdio. Coloquei o flair Desabafo, pois acho que cabe.
Repudio veementemente qualquer pessoa que abuse de seu cargo frente a uma calamidade pública.
Estamos presenciando uma verdadeira tragédia nacional, e ele ignora e parece não se importar com o número crescente de brasileiros, morrendo em solo nacional. Já passamos o maior país do mundo em número de mortes pelo Coronavirus. 5.901 pessoas que perderam a vida, 5.901 pessoas que tiveram cerceado seu direito à vida e à segurança. Isso, sem considerar todas as outras mortes "suspeitas" Ao que tudo indica, esse número só irá aumentar. Seguindo a curva, até o final de Maio teremos, o quê, 8, 10, 15 mil mortos?
Enquanto isso, o presidente solta um "E daí? Quer que eu faça o quê?" Pois bem, Sr Presidente, queremos que o senhor cumpra o seu papel, assegurando, nos termos da lei, a vida da população que foi eleito para representar e proteger, e não use e abuse do cargo apenas para encher o bolso e garantir que seus filhos não sofram o peso da lei. Queremos que o senhor, sr presidente, simpatize com os milhares de brasileiros que perderam suas vidas, e as dezenas — que logo serão centenas — de pessoas que correm risco de perder o bem mais precioso que têm.
O Brasil não é só as pessoas que o elegeram, sr. Presidente. Cabe ao senhor olhar por todas as pessoas, não apenas os empresários e pastores cristãos, não apenas os integrantes do seu exército paramilitar, não apenas os ignorantes que não sabem votar e acreditam fielmente em qualquer besteira que chega-lhes pelo Twitter e Whatsapp, mas todos. Os brasileiros que votaram no Fernando Haddad no segundo turno não são menos dignos da vida. Os brasileiros que não votaram, os que rasgaram seus votos, esses também são dignos do direito incerceável à vida. Os estudantes de escola pública e os de escola particular, os cidadãos que dependem do SUS e os que podem usufruir do Instituto Albert Einstein e do Sírio-Libanês, os moradores do Vivendas da Barra e os moradores de rua; o senhor é responsável por todos.
Se o senhor, sr Presidente, não é capaz de conhecer todas as leis que regem o país sobre o qual o senhor foi eleito para presidir, se o senhor desconhece as necessidades do seu povo, e até mesmo as obrigações que o seu cargo traz; se o senhor está cansado de ter uma vida pública, onde cada espirro que o senhor dá é passível de escrutínio; se o senhor não aguenta mais, assume a hombridade que brada aos sete ventos e renuncia. Entrega o cargo a pessoas mais preparadas, menos irracionais, mais dispostas a fazerem o que o senhor não é capaz de fazer.
Não é fácil, eu sei; ter que entregar seu cartão presidencial, e aquele outro com limite de R$24.000,00, é doloroso, eu sei; mas nunca é tarde para assumir que errou, e diferente do que possa parecer, não é nenhum demérito admitir a incapacidade de presidir sobre um país tão grande como o nosso. O senhor não será menos homem por isso; pelo contrário, conquistará o respeito, pelo menos em parte, daqueles que o odeiam.
O que realmente não pode continuar é o seu power trip, sua viagem de abuso de poder; pessoas estão perdendo suas vidas. Crianças, jovens, adultos, idosos, todos perdendo suas vidas, enquanto o senhor joga pra sua base, e foge da responsabilidade, foge de responder por isso. O que não pode é o senhor continuar a torrar o dinheiro do contribuinte em benefício próprio, abusando das instituições democráticas, que outrora foram passíveis de reconhecimento internacional, apenas para proteger a si e aos seus, à custa de milhares de vidas brasileiras.
Eu não sou cristão, como o senhor diz ser, mas no livrinho sagrado da sua religião, tem alguns mandamentos que o senhor está infringindo, e nesse mesmo livro explica que, no final da sua vida, passará por um julgamento. Diferente das leis que o senhor diz desconhecer, as do seu Deus não são passíveis de interpretação e jurisprudência. Também nesse livro está escrito que quem se arrepender de seus pecados terá como prêmio o Céu.
O que eu quero, sr Presidente, é que o senhor honre com dignidade o cargo que foi eleito para representar; se isso é difícil demais, pede pra sair. Usa sua caneta pra assinar o termo de renúncia que está certamente queimando um buraco na sua mesa. Homens maiores e melhores que o senhor já o fizeram.
Não espere o fim da sua vida para se arrepender de ter jogado seu povo aos lobos. Arrependa-se agora, enquanto ainda há tempo, e entregue o cargo, para impedir que mais pessoas morram.
Ou aguarde os lentos processos contra o senhor tomarem força e forma, até o momento em que não seja mais aceito que o senhor pule fora; perdendo no processo sua liberdade e qualquer resquício de honra que, doutra forma, poderia salvar. Milhares de homens e mulheres brasileiros perderão suas vidas, e o sangue deles estará em suas mãos.
Vivemos em tempo de guerra, e o inimigo é doméstico, nacional, e tem residência fixa no Vivendas da Barra e no Planalto Central. O inimigo do Brasil, sr Presidente, não é a esquerda nem a direita, que representam duas partes de um coletivo; não são os jornalistas, que cumprem o papel de reportar à população tudo o que é digno de conhecimento público; não são os cientistas brasileiros, reconhecidos e renomados no mundo todo, cumprindo o papel deles de avançar o desenvolvimento da sociedade humana; não são os pobres, que ocupam as praças e praias que o senhor outrora visitava, quando não estavam cumprindo o papel essencial de movimentar a economia e a indústria brasileiras; o inimigo do Brasil, sr Presidente, é você.
Assuma que o senhor não está apto para ser presidente, coisa que 70% dos brasileiros já sabem. Assuma que o senhor é incapaz, e abandone seu cargo. O senhor não é maior que o Brasil que representa, e as vidas do seu clã não são maiores que a de todos os outros brasileiros.
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