Como falar doce um cara sobre o texto

Uma vida amorosa e sexual bem triste. E um rapaz que me dá atenção.

2020.11.08 06:49 sad__cloud Uma vida amorosa e sexual bem triste. E um rapaz que me dá atenção.

*ATUALIZADO
*conta descartável
**Texto longo porém separado por parágrafos e bem escrito <3
***Talvez eu devesse postar isso no DeadBedrooms mas não me sinto com emocional para traduzir tudo para o inglês.
****Edits: concordância, erros gramaticais
*****Tudo que foi feito fora de casa foi com máscara e muito álcool em gel!
Namoro faz quatro anos. Cursamos o mesmo curso, mesma faculdade, mesma turma, mesmos colegas de sala. Ele é três anos mais novo que eu (tenho 25).
Meu namorado tem muitos defeitos. Muitos mesmo. Mas muitas qualidades também, que eu admiro e simplesmente amo. Colocando na balança, essas qualidades pareciam compensar os defeitos e decidi tolerá-los. Mas sabe quando esses defeitos aparecem com tamanha frequência e com tamanha intensidade que as qualidades simplesmente desaparecem? Então.
Moramos juntos, um cantinho alugado. Ele pediu demissão do estágio por odiar o serviço (e agora decidiu que odeia o curso também) e como recebe mesada dos pais, fica tranquilo. Eu ralo no estágio e pra dar aquela complementada na renda, comecei a vender bolos no meu bairro.
Meu namorado sempre reclamou do curso. A ponto de chorar de desespero de madrugada. Como fazemos trabalhos juntos, sempre tenho que dividir meu tempo entre fazer de fato o trabalho e consolá-lo (e nesse momento ele para a produção dele totalmente e no final eu sempre termino o meu para ajudá-lo). É o tipo de situação que nenhum conselho está bom. Nada que eu diga ajuda. Ele já me acusou de dar mais atenção aos trabalhos do que para ele. Esse ano, após uma briga colossal, ele resolveu procurar ajuda psicológica.
Sobre sexo, ele não existe mais, atualmente. E quando existe é com uma qualidade tão ruim (pra mim)... Como tirei a virgindade dele, achei que com o tempo e com a minha ajuda, ele melhoraria. Nunca melhorou. E se comento sobre algo que não me deixa feliz, ele diz que faz de tudo para me agradar e não sabe mais o que fazer pq eu sou muito difícil e fica bastante nervoso. Então desanimei de comentar qualquer coisa. Finjo que atingi o orgasmo só para ele gozar logo e terminar tudo. Quando eu o procuro na intenção de eu iniciar o ato e aí quem sabe controlar um pouco mais a situação ao meu favor, ele faz birra. Não vai continuar se eu não fizer tudo.
Faz uns seis meses que notei que ele estava me procurando bem menos e tentei criar uma situação para transarmos. Calhou de ele me falar que não sentia vontade de transar por estar se masturbando demais. Conversei sobre como uma vida sexual é importante para um casal e que seria bacana ele diminuir a frequência que ele assiste pornô (e ele assiste com muita frequência).
Eis que ele abre o celular e mostra que ele tá usando algumas fotos de usuárias do Reddit como material para masturbação. Nem cheguei a ver de que sub era pq meus olhos encheram de lágrimas muito rápido. Dei uma desculpa qualquer e fui chorar no banheiro, coisa que eu não faço desde a sexta série. Eu não sei dizer exatamente a diferença entre o pornô e uma foto, mas eu me senti humilhada como poucas vezes na minha vida.
Tenho uma amiga muito querida que, lá por março, de aniversário, me deu um vestido que eu queria muito (e que era bem caro. Meu namorado me deu uma noite frustrante de sexo). É um vestido azul que faz eu me sentir uma princesa. Como em agosto foi aniversário dela, fiz um bolo surpresa e fui entregar para ela a pé. Ela mora em um conjunto de prédios a quinze minutos (a pé) do meu cantinho. Lá fui eu, meu vestido azul e a cesta que eu uso para levar os bolos por aí. Ela tirou uma foto minha e divulgou no grupo do prédio. Viralizei!
Eu nunca vi TANTA encomenda e TANTO dinheiro aparecendo na minha frente. Chamei meu namorado para me ajudar a dar conta de tudo, prometi ensinar ele a fazer com a maior paciência.
Ele negou. E reclamou que meu cabelo andava muito feio. Meu cabelo é cacheado e eu o pinto de ruivo, então ele anda realmente um pouco judiado. Pra variar, me senti muito triste. Jurei que daria conta de todas as encomendas e com o dinheiro que sobrasse eu daria um trato no cabelo.
Dei conta? Dei. Virei noites? Sim. Gastei 1/8 do que ganhei comprando produtos de cabelo. Essas coisas são caras mas fiz minhas contas e considerei que seria uma compra prudente e que não nos afetaria economicamente no futuro. Em duas semanas eu estava amando o resultado. Me sentia mais bonita e preparei um jantar e comprei um vinho, decidida a mudar a nossa vida sexual.
Meu namorado comeu tudo correndo pois tinha um RPG marcado com não sei quem. A garrafa de vinho nem deu tempo de abrir.
Sabe o seu valor? Naquela hora eu sentia que tava valendo menos que a poeira do tapete da sala. Valendo menos que as meninas desconhecidas do Reddit.
Mas as encomendas de bolo no prédio da minha amiga continuavam. E como fiquei famosa com o vestido azul, fiz dele meu uniforme já que ia uma vez por semana lá entregar e todo mundo passou a me reconhecer com ele.
Um dia recebi um pedido de bolo de cenoura com chocolate de um apartamento Y que nunca tinha ido. Fiz tudo, como de praxe e no dia da entrega, quem me atendeu foi um rapaz com um sorriso tão imenso que eu cheguei a ficar sem graça. Quem encomendou de fato foi a avó dele, e da porta mesmo ele chamou dizendo "Vó, a moça gracinha veio trazer o seu bolo!"
Eu não sei dizer a quanto tempo não recebo um elogio. Mas o gracinha foi o suficiente pra eu me atrapalhar toda na hora de entregar o bolo. Quase saí correndo de nervoso. Atendi a vizinha do andar de cima e ela tinha perguntado se eu havia entregado no apartamento Y, pois a senhora que morava ali era amiga dela. Respondi que quem atendeu foi o neto e ela rasgou elogios, que ele era um doce de pessoa e que havia ajudado ela a instalar algumas lâmpadas na semana passada.
De setembro para cá eu entreguei bolo todas as semanas no apartamento Y. E o tal do neto, que é meses mais velho que eu, sempre estava lá para me receber. Já me convidaram para tomar um cafézinho (aceitei) e para o almoço (recusei). Semana passada, fui convidada novamente para o almoço, dessa vez pelo neto. Em um horário que a avó dele não estava em casa (não faço ideia de onde ela poderia estar nessa pandemia). Confesso que recusei para não cair em tentação.
Ontem tentei novamente uma surpresa para quem sabe transar com o meu namorado. Não deu certo. E dessa vez o porque foi que eu estou sempre ocupada e nunca dou atenção para ele. Discutimos e eu chorei, nunca me senti tão sozinha mesmo estando em uma relação. Fui dormir e ele foi jogar.
Hoje fiz mais uma entrega no apartamento Y. O neto estava fazendo faxina na casa, mas me recebeu. Quando pedi para ele segurar a cesta para que eu retirasse o bolo, ele se aproximou e colocou o nariz no meu cabelo, dizendo baixinho que eu era muito cheirosa. Eu agradeci e ele sugeriu de irmos tomar um café (em um café de fato), assim que acabasse a pandemia e que ele conhecia um ótimo lugar. Eu não aceitei e nem neguei (famoso "vamos ver hahaha"), mas voltei para casa muito abalada.
A verdade é que não vejo mais futuro para o meu relacionamento e estou exausta de me sentir sozinha dentro de um. Cansada de ser a única a tentar. Se eu tivesse uma relação sexual com o meu namorado eu não sei nem como reagiria, pois essa chateação toda me fez perder toda e qualquer atração que já tive por ele. As vezes acho que tento para no final de tudo pensar "pelo menos eu tentei".
Meu namorado foi rejeitado anteriormente por uma garota que ele amava e isso o deixou um ano de cama. Meus sogros me tratam muito bem e quase me endeusam, e as vezes acho que é por isso que ainda não tomei uma atitude. Gosto muito dos meus sogros, não quero chateá-los. Tenho medo que meu namorado fique de cama por minha causa também. Estamos tão próximos de concluir o curso que não quero me sentir responsável se ele jogar tudo para o alto caso eu termine. Não quero, caso o curso volte presencialmente, ter que encontrá-lo todo dia e ainda bagunçar nosso círculo de amizades em comum.
Por outro lado, eu me sinto tão ansiosa, tão pedinte por contato. Queria um abraço. Um beijo. Um carinho que faz arrepio. Uma noite de sexo. O cara do apartamento Y parece um sonho e pelo que sondei do condomínio, ele é tranquilo, faz as tarefas domésticas pela avó, concluiu o curso, trabalha (agora em home office) e já comentaram que ele é caidinho por mim. Sempre que faço uma entrega e ele está sozinho é um deus-me-acuda, quase um teste de fidelidade. Cada mensagem no whats pedindo uma encomenda ou perguntando que horas farei a entrega faz o meu coração bater rápido.
Me sinto errada por querer outro cara, de querer tentar uma possibilidade que pode dar muito certo. Sei que possivelmente a carência tá me fazendo fantasiar muito a situação toda, mas não consigo evitar. Não quero trair meu namorado mas não sei por quanto tempo mais aguento esse deserto de relacionamento.
Conselhos?
ATUALIZAÇÃO: Sentei essa noite e coloquei as cartas na mesa. Falei sobre como eu me sentia só, sobre ele sempre me trocar por qualquer coisa (pornografia, jogos, amigos) e que eu não vejo outra solução a não ser encerrar nossa relação.
Ele ficou mais chocado do que eu achei que ficaria e disse que nosso relacionamento não parecia ter nada de errado. Pontuei vários casos (os citados aqui no texto e outros) e ele ficou na defensiva, negando tudo ou dizendo que "não era isso". Perdi a cabeça e comecei a falar que qualquer cara que me olha na rua me dá mais atenção em um olhar do que o que ele anda me dando dentro do relacionamento.
Ele abaixou a cabeça e ficou quieto e sei que é nessas horas que eu fraquejo e volto atrás em tudo que disse. Ele me perguntou se ele nunca me fez feliz e eu disse que não era o caso. Ele prometeu mudar, mas quando nos reconciliamos várias vezes de várias outras discussões ele sempre me prometia a mesma coisa, então eu disse que não conseguia mais acreditar e nem ter mais vontade de tentar.
Ele pegou algumas coisas e chamou um Uber. Por mensagem só disse que ia para os pais dele e que não me responderia por um tempo. Ok, entendo, sem problemas.
Faz quase duas horas que minha sogra me mandou mensagem dizendo que ele chegou lá muito abatido e perguntando o que aconteceu. Eu não respondi e pra ser sincera, nem quero papo. Ainda me sinto muito responsável por ele estar mal agora, mas ele tem que aprender a lidar com isso. E eu também tenho que aprender.
Obrigada pelas mensagens carinhosas e pelo apoio de todos.
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2020.09.18 03:55 MEIXXMO Isso ta desnecessariamente longo hein

Vou falar várias coisas sobre mim nesse desabafo, não é nada interessante então é... só avisando.
Porra, 3 vez escrevendo essa merda hein... é realmente difícil escrever sobre si, porque eu quero anotar tudo o que se passa, mas são tantas coisas... sinceramente seria legal se eu parasse de complicar tudo, porque eu sei que sou eu quem está impondo muros e sendo uma merdinha, saca. Mas fazer o que, to na adolescência, e dizem que é uma fase conturbada mesmo, não?
"Por que você é tão estranha?" "Sua depressivazinha" "seus bostinhas" kkkk, ela provavelmente nem se lembra, mas eu fico aqui remoendo isso, e porra, por que que quando eu me sinto triste e choro, eu fico rindo????? VAI SE FODEEEER ISSO E BIZARROOO
Detalhe: desculpem pelas palvras de baixo calão, normalmente sou muito quieta, mas sei lá, eu sou "doente da cabeça" de acordo com ela, né? Kk porra, to fazendo muito drama sobre isso.... eu realmente queria ser calma do jeito que aparento por fora sabe, conseguir silenciar minha mente enquanto ouço lofi ou sei lá, mas fico lembrando das merdas que já fiz e isso me deixa tão, sei lá, é uma mistura de nervosismo com raiva e tristeza e arrependimento sabe, porque tipo, PRA QUE?! Eu SABIA que aquilo era algo extremamente burro, então POR QUE?!
Caara, sabe, foi com uns 11 anos que comecei a me afastar das minhas amigas, essa época foi uma merda. Eu adorava descontar minha raiva na minha pele, e consequentemente acabei usando moletom todos os dias quando ia pra escola~ kkk, minha mãe tinha vergonha de mim, odiava que que eu deixasse minha franja na frente do olho, mas adivinha, eu não deixava, ela que caía por eu sempre estar olhando pra baixo, e eu também acabei ficando cansada de colocar atrás da orelha. E sabe, até hoje isso é bem conveniente, porque quando eu acabo chorando na sala a franja esconde, na maioria das vezes, NA MAIORIA ESSA MERDAAA
A garota que sei la, eu gosto? Nao? Eu realmente não sei, só sei que quero estar com ela, ou sei la, pelo menos saber que ela está bem, as vezes percebe isso. "Você está bem?" Ela diz "sim" e ela sabe que eu minto, mas como? Eu sou tão mal mentirosa assim vey? Uma vez isso aconteceu num amigo secreto que eu deicidi de forma impulsiva ir, e quando vi como todos eram tão próximos, eu chorei... ela foi, perguntou sobre e eu menti, ae ela chamou o professor ;-; poxa, aquele dia me deixou triste, tipo, sei lá, eu fui muito estranha?? Quando ele tirou minha franja da frente e viu minha cara eu me senti humilhada, nao isso, mas tipo, envergonhada sabe? Ahhh sei laaaa
Minha relação com a minha classe não é das melhores, e por minha culpa. Lá todos são muito gentis, e eu acabo afastando todo mundo ao ponto de ja terem falado que sou "macumbeira" ou "satanista", mas sinceramente eu acho que mereço... antes dos 11 anos, quando eu tinha amigas, eu era mentirosa com minhas amigas, sempre exagerando verdades ou contando mentiras absurdas, me sentia superior a todos, disfarçava minha inveja por ódio e sei lá, quando notei isso eu realmente fiquei em choque... tipo, eu era muito amigável com elas e tudo mas quando eu sentia raiva eu acabava descontando nelas, ao ponto de ja ter deixado uma com dor de cabeça por causa da porra de um jogo. Até hoje me amaldiçoo por isso...
Sabe, eu nem duvido que seja só eu pensando nessas coisas, mas ainda assim... sei lá, me sinto mal perto das pessoas, nunca sei o que falar e acabo sempre mudando a conversa pra um rumo estranho ou desagradável. Eu prefiro muito mais me expressar agindo, tipo, eu já cozinhei doces para uma garota que não sei se gosto no sentido romântico, talvez eu só esteja confundindl porque sou uma virjona solitária ;-; mas ainda assim, adoraria poder conversar normalmente com ela... Enfim, agir é tão melhor, tipo, eu realmente queria chamar alguém pra ficar deitada comigo ouvindo lofi ou sei lá, cozinhando (amooo fazer doce, só sei fazer isso, comida de verdade é saudável demais pro meu gosto Ò ^ Ó kk mas eu ja disse isso né? Hum, acontece) mas é...
Foda que mesmo antes da quarentena, eu não posso sair de casa. Eu realmente odeio esse fato, sei la, queria poder ir no shopping mesmo que sozinha, saca. E deve ser muito reclamação de burguesa, mas ainda assim, odeio, ODEIO o fato de que eu sou atrasada, no sentido de só ter tido permissão pra lavar a própria louça com uns 12 anos ou até mesmo cortar minha própria comida. Ou sei lá, só participar de modinhas adolescentes de forma atrasada e vergonhosa. Eu só faço merda cara...
Sabe, agora eu tenho aquela coisa de controle dos pais porque eu não quis mostrar meu whats pra minha mãe (porque tipo, qualquer coisinha pra minhha mãe já é algo grande) e ela acabou explodindo. Odeio isso, não posso nem mais ter amigos online, e nem conversar com o Italo, um cara que realmente era um amigo foda que conheci por uns 1 ano e meio sabe, era tão hilário passar a madrugada com ele, E DROGAAAAA EU TO CHORANDO AGORA serio eu tenho tanta saudade dele :( mas sei lá, já se passaram uns anos e agora conversar com ele não tem mais aquele clima sabe, de tipo, eu poder falar abertamente sobre qualquer coisa. E se alguém começar com o papo de "ah ele pode ser perigoso e blablabla" primeiro: ele tinha namorada. Segundo: a gente só zoava vey, eu mal falava da minha vida mesmo, a nossa coonversa só fluía...
Bom, sei lá, é inútil ficar pensando nessas coisas mas ainda assim, não dá pra evitar, que hoje as coisas estão tão, tipo, chatas? Não é isso, talvez sem graça? Eu realmente não sei explicar... mas é, dá pra entender o que uma idiota introvertida e rude pensa nessa quarentena né? Eu não duvido que esteja enlouquecendo aos poucos, porque tipo, tá tudo tão perfeito, a gente vai se mudar agora pra uma casa muito melhor, eu tenho uma cachorrinha linda, agora posso mexer no fogao pra fazer minhas coisa mas sei la, eu teimo em ser a bosta que sou, hein, MERDAAAA Sabe Sempre que to sozinha eu acabo aprofundando esses e outros pensamentos, Eu sempre acabo chorando. Ae eu sempre repito: "Acontece" Isso realmente me deprime. Era pra acontecer? É normal isso? Tipo, deve ser, mas ainda assim, é tão doloroso, é tão irritante não poder mais sentir que posso me salvar. Tipo, eu não consigo imaginar meu futuro saca, eu sempre me vejo indo pra sacada aos 18 anos ou indo trabalhar pra uma empresa qualquer e ter uma vida qualquer. Talvez seja algo muito futuro, mas ainda assim, eu TENHO que pensar sobre isso.
Eu sei de todas as minhas falhas, sou chata, orgulhosa, feia, burra, lenta, desonesta e etc. E é por isso que eu me odeio... odeio tirar fotos, odeio fazer provas, odeio ter que me levantar e me esforçar pra qualquer coisa, porque no fim das coisas, nada disso vale o esforço. Eu vou morrer de qualquer jeito, então pra que me importar? Sabe, isso é um pensamento constante que inclusive uso para me acalmar. Eu cochicho um "eu vou morrer amanhã", e surpreendentemente, dá certo! Olha que legal, nossa! ;-;
Enfim, é, também não sei qual o objetivo desse texto, só acabei fazendo mesmo... nah, acontece.
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2020.07.13 05:38 Nacgt_the_Elyts Murmúrios de Sheol

Gabe estava na secretaria da faculdade, acabara de finalizar as formalidades para trancar o curso. Havia feito de tudo para continuar com a rotina, esforçando-se ao máximo do máximo. Mas um trauma o impedia de realizar os deveres do dia a dia. Era o óbito recente de sua noiva que lhe desestabilizava, um óbito ocorrido em circunstâncias muito mal explicadas...
Olhou ao redor e viu a decoração da sala. Piso de mármore, cadeiras enfileiradas, plantas decorativas, um televisor. Algumas pessoas esperavam atendimento.
“Obrigado”, disse Gabe com apatia, enquanto recebia a cópia do documento de dispensa.
A diretora acadêmica olhou para ele e sorriu com a doçura que lhe era peculiar, seu nome era Clarice Duo. “De nada, Gabriel”, respondeu, lendo o nome dele na ficha. Ela tinha uma aparência ambígua. Sombria, por causa da olheira profunda e da palidez, mas calorosa a partir dos olhos sorridentes, dourados como mel. “Vá, mas volte. Sua falta será sentida”, finalizou. A voz de Clarice era toda acolhedora.
“Ela sabe da morte de Helena, todos sabem”, pensou.
O luto deveria estar escancarado na face dele, Gabe imaginou, porque fazia meses que Lena morrera, mesmo assim o tratavam com a delicadeza de como se ela tivesse morrido ontem. Gabriel forçou um sorriso, assentiu a cabeça e andou em direção à saída da secretaria. Era inverno, por isso sentiu o frio quando segurou o pingente que usava escondido debaixo da camisa. Era a aliança de compromisso deles. No entanto, somente a de Gabriel. A de Helena havia desaparecido, decerto roubada pelo assassino no fatídico dia. Não era de surpreender, as alianças haviam sido caríssimas.
Largou-a ao perceber que algo estranho estava acontecendo. Ruídos muito sonoros vinham do lado de fora, um tumulto. Por que razão? Voltou o rosto para a secretaria e notou olhares curiosos. Assim como ele, tentavam entender o que se passava. Clarice agarrou o telefone e começou a falar com alguém, parecia nervosa. Nunca havia visto Clarice nervosa. Gabe não queria ter nada a ver com aquilo. Atravessou a porta da secretaria e foi em direção à saída da faculdade, cauteloso.
Nos corredores, viam-se pessoas fora das salas de aula. Conversavam ansiosas sobre o que acontecia. Gabriel dobrou em um corredor. De soslaio, percebeu duas pessoas correrem, eram seguranças indo em direção à praça da faculdade. Era lá, então, que o caos ocorria. Não estava surpreso. O tumulto só poderia vir da praça mesmo. Nenhum outro local era capaz de suportar tanta gente ao mesmo tempo. O que o fez refletir...aquelas pessoas não poderiam ser compostas somente de estudantes. De onde haviam vindo? Ficou apreensivo. Enquanto andava, Gabe escutou comentários feitos por transeuntes, mas não entendeu bem. Imaginava tratar-se de protesto, talvez motivado por assédio ou racismo. “Seguranças, policiais, juízes cuidarão disso”, pensou. Gabe não tinha sanidade mental para tragédias.
Estava bem perto da saída da faculdade, quando dobrou mais um corredor e deu de cara com uma jovem apressada. O tombo foi grande. A primeira coisa que Gabe notou nela foram os seus olhos dourados como mel.
“Ai! Desculpa! ”, disse ela, enquanto alisava o machucado na testa. “Está tudo bem com...”. Os olhos da garota arregalaram de súbito quando o viu. “Gabriel! ”, disse de uma vez.
“Sim, sou eu. Como você sabe o meu nome? ”, perguntou, confuso por causa da reação dela.
A garota sorriu. “Todos sabem o teu nome, desde...”, então ela hesitou.
Gabriel percebeu que a garota iria mencionar Helena. Achou engraçado como ela ficara sem jeito por causa disso. “Desde a morte de Helena”, Gabe sorriu. Estendeu a mão para levantá-la. “Pode falar dela comigo, não tem problema”, disse.
A garota voltou a sorrir, mas ao se levantar... “ai, ai, ai!”, sentiu dor. Ao que parecia, tinha machucado o tornozelo.
“Está doendo muito? Tem uma enfermaria aqui perto. Posso te levar até lá. Venha, apoie-se em mim”, disse ele.
Ela abanou a mão, dispensando-o. “Estou bem”. A garota apoiou-se na parede para não forçar o pé. “A propósito, o meu nome é Emília Duo”, estendeu a mão. Emília tinha um aspecto amigável e doce, era o tipo de pessoa que ganhava a confiança das outras com facilidade. Cumprimentaram-se.
Emília voltou à seriedade. “Gabriel, essa confusão toda, você sabe qual a razão? ”. Os olhos cor de mel de Emília Duo atravessavam-no ferozes, havia urgência na maneira como ela falava.
“Não”, ele respondeu intrigado.
“Imaginei que não. Escute, certo aluno foi acusado de cometer um crime, um crime terrível. Essa informação deveria ser restrita da polícia, mas, de algum modo, vazou nas redes sociais há algumas horas. A notícia se espalhou muito rápido, e a revolta popular, mais rápido ainda. O resultado foi este alvoroço. Formado não só por alunos mas de invasores que conseguiram atravessar a entrada da faculdade, como você deve ter percebido pela proporção do tumulto. Gabriel, o aluno está em apuros. Estão prestes a matá-lo pelo crime, Gabriel. Querem muito matar. Se ainda não o mataram, é porque existe uma razão. E a razão é esta: Helena vive”.
Um raio gelado perfurou a barriga dele. Era a ansiedade que lhe tomava.
“...Helena vive? ”, disse descrente.
“Sim! Ela está viva, Gabriel! “.
Gabriel reparou que começava a ofegar, então respirou fundo para se acalmar. “Você está me dizendo que Helena vive, mesmo depois de ela ter a morte formalmente confirmada? ”. Ele duvidava, mas queria acreditar na possibilidade. Tudo no Caso Helena era, de fato, mal esclarecido. Inclusive essas constatações oficiais.
Emília agarrou-o pelos ombros. “A polícia está a caminho, porém não sei quanto tempo mais esse aluno vai aguentar apanhar. Os seguranças lutam para controlar o linchamento, contudo ninguém os escuta. Mas a você, Gabriel, eles talvez escutem! Se quiser salvar Helena, não pode deixar aquele aluno morrer! ”, disse Emília urgente.
Gabriel foi tomado por vários sentimentos ao mesmo tempo, todos intensos. Alegria e esperança. Também angústia e aflição, pois temia pela vida de Helena. Mas, acima de tudo, Gabriel estava furioso.

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Obrigado pelo espaço para publicar esse texto!
Se alguém, porventura, estiver interessado em ler futuros capítulos, podem acompanhar a estória no meu perfil do wattpad: https://www.wattpad.com/useDacipri
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2020.01.08 08:07 Bloodao Paixão por uma personagem fictícia.

Olá, esse é o segundo site em que posto isso, por mais que seja um tanto vergonhoso pra min, sinto que é nescessário, por favor se você acha esse título uma brincadeira ou uma fanfic, pelo menos não comente nada pra não piorar minha situação, irei contar como tudo começou desde o primeiro dia.

Naquele dia eu estava jogando tranquilamente, e chega uma mensagem no meu celular, eu abro e é meu amigo, me recomendando um anime, eu curto animes e ultimamente tem sido o meu hobby além de jogar, então eu fui ver, pra quem assiste bastante animes, provavelmente já deve conhecer,Rascal Does Not Dream of Bunny Girl Senpai, ou só pelo nome curto que as pessoas chamam normalmente, Bunny Girl Senpai, e bom, eu assisti o anime inteiro e achei maravilhoso e incrível, creio que tenha sido o melhor anime da minha vida inteira, depois de terminar o anime assisti o filme do anime, que também é espetacular, depois disso eu fui continuar meu dia normal de férias, jogar ou assistir mais anime, mas eu tavo sentindo um peso enorme, e eu não sabia o que era, e eu ficando confuso comecei a entrar em pânico, tentando descobrir o que estava me causando essa agonia, esse frio na barriga absurdo, então sem querer eu descobri, quando eu pensei em uma das personagens do anime, eu cai em lágrimas, tinha acabo de descobrir que estava apaixonado por uma personagem fictícia, me refiro a Mai Sakurajima, ou apenas Mai-San, e eu estava tentando achar uma solução e me veio a cabeça ''eu posso ficar tranquilo, isso é só uma apaixonite por uma personagem, obviamente não vai durar nada ou algo do tipo'', emfim.... aqui estou eu, com um belo tempo passado, e já estou ficando com medo de me sentir assim pra sempre, pode parecer muito exagero, afinal estamos tratando de algo impossível, mas eu realmente percebo que estou apaixonado por ela, ela conseguiu ser perfeita aos meus olhos, provavelmente não só aos meus, isso que me deixa ainda mais furioso, além de ser uma personagem, ou seja, é algo que nunca conseguirei, se por um acaso eu conseguisse, eu não seria o único, pode parecer egoísmo mas é o que eu sinto, eu cada vez só sinto mais afeto por ela, eu realmente à amo, eu percebo isso por que um dia eu já fiquei apaixonado por uma garota, e senti as mesmas coisas, e eu só consegui esquece-la por que ela realmente parou de existir pra min, eu não lembro dela mais, e quando eu lembro não sinto mais nada, provavelmente muitos de vocês que estão vendo esse texto vai tentar responder que esse é o exemplo mais forte de que eu vou um dia quem sabe esquecer a Mai-San, mas pra min esse é o exemplo mais forte de que eu não vou esquecer, por que pra esquecer uma garota que eu praticamente não tinha contato nenhum com ela, quase não a via, foi um inferno, imagina pra uma personagem, que é algo que aparece toda hora, ainda mais ligada a tantas coisas importantes pra min, por exemplo, quem me recomendou o anime foi um dos meus melhores amigos, pra min ele é uma pessoa inesquecível, e o anime foi o melhor que já vi na vida, então também é inesquecível, eu já não sei o que fazer, muitas pessoas também podem falar que eu só estou apaixonado por ela ser uma personagem bonita, mas a personalidade dela pra min é a melhor do mundo, eu não consigo acreditar que exista algo assim, uma pessoa tão boa e doce, que se preocupa com você a ponto de largar o trabalho que estava fazendo em outro país, pra viajar até você pra te confortar, talvez possa existir várias pessoas assim, mas eu queria me casar com ela, queria dormir com um abraço quente dela, e pensar nessas coisas só aumentam meu amor por ela.

Eu sou um cara muito realista, nem um pouco utópico, reconheço o que é impossível, e talvez por isso eu esteja mais triste do que deveria estar, eu sei que não vou consegui-la, e isso me dói muito, acho que é a dor mais forte que já senti, superou até a que eu senti na morte do meu avô.

Não sou uma pessoa triste, não vivo dizendo por ai que quero cortar os pulsos nada do tipo, e como eu já disse essa sensação não é nova pra min, já que já senti isso um dia, eu fico com um ódio de mim mesmo por ter me apaixonado por uma personagem de um desenho japonês, kkkk me da até vontade de rir, mas a tristeza bate muito mais forte por culpa de todos esses fatores, eu não vou esquece-la, e nunca vou ter ela junto comigo.

Eu realmente agradeço você que leu tudo isso e que provavelmente quer me ajudar, eu não sei o que fazer, e não sei o que quero que aconteça no meu futuro, já que uma parte de min que esquece-la, pra acabar com esse sofrimento que estou sentindo, mas a outra parte quer que eu lembre dela, essa parte quer ser utópica, a ponto de ter esperança de um dia eu me juntar a uma personagem de desenho, eu não sei como eu deixei isso acontecer (me apaixonar por uma personagem), mas eu me culpo todo dia por isso.

Antes de terminar queria dizer que se você for responder uma frase pra me ajudar que seja do tipo: ''fale com seus pais sobre isso, eles são as melhores pessoas pra conversar com você'' ou ''tente achar uma pessoa igual a ela, tanto em aparência (apesar de ser impossível pois além dela ser perfeita rsrs... ela é uma personagem de anime) quanto em personalidade''. Digo pra não responder isso pois se eu falo pros meus pais sobre isso, e que foi assistindo anime que aconteceu, eles vão cortar minha assinatura com o site de animes, pois pra assinar foi uma luta, já que meu pai havia ouvido rumores de que adolescentes/jovens estava se suicidando e coisa do tipo por causa de animes, e assistir animes está sendo meu hobby principal, é o que eu mais gosto de fazer. E pela parte de encontrar alguém parecida, por que eu não vou ficar com uma garota apenas por que ela parece com uma outra pessoa que eu gostaria de estar namorando, além de ser ruim pra min, em questão de eu estar sendo egoísta e deixando a garota triste por isso, eu vou estar apenas aumentando as esperanças de que um dia eu tenha ela.
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2019.11.30 03:57 altovaliriano Euron Greyjoy, um legado do Corvo de Três Olhos

Quando conhecemos Euron, sua figura é repleta de autoconfiança e ganância. Euron oferece o mundo a seus seguidores, não se limitando à tradicional pilhagem do Oeste e Norte.
No salão dos Hewett, em Escudorroble, quando seus planos de viajar para Essos são contestados, Euron se torna um pouco mais introspectivo e enigmático, e começa a falar de uma experiência do passado, particularmente familiar ao leitor:
– Quando era rapaz, sonhei que podia voar – anunciou. – Quando acordei, não podia... ou pelo menos foi o que o meistre disse. Mas, e se ele mentiu?
[...]
– Talvez possamos voar. Todos nós. Como saber, a menos que saltemos de uma torre alta qualquer?
(AFFC, O Pirata)
Esta frase inaugural de Euron no diálogo carrega uma interessante semelhança com a experiência de Bran logo no começo da saga. Enquanto estava em coma, o garoto sonhava vividamente que estava em queda livre, ouvindo o Corvo de Três Olhos lhe pedindo para que voasse e vivesse.
Não chore. Voe.
– Não posso voar – disse Bran. – Não posso, não posso…
Como sabe? Alguma vez já tentou?
[...]
– O que você está me fazendo? – perguntou ao corvo, choroso.
Estou lhe ensinando a voar.
– Não posso voar!
Está voando agora mesmo.
(AGOT, Bran III)
Assim como Euron, Bran procura um meistre (Luwin) para contar dos sonhos que estava tendo, mas o meistre se mostra cético quanto a sua natureza mística.
– Quero aprender magia – disse lhe Bran. – O corvo prometeu que eu voaria.
Meistre Luwin suspirou.
– Posso ensinar história, artes de curar, as ervas. Posso ensinar a língua dos corvos, e como construir um castelo, e o modo como um marinheiro orienta o navio pelas estrelas. Posso ensinar a medir os dias e a marcar a passagem das estações, e na Cidadela, em Vilavelha, podem lhe ensinar outras mil coisas. Mas, Bran, ninguém pode lhe ensinar magia.
(AGOT, Bran VI)
Em razão da semelhança entre as experiências, muitos leitores passaram a se questionar se Martin não estaria deliberadamente criando paralelos, para indicar ao leitores que Corvo de Sangue também havia contatado Euron no passado.
A partir desta hipótese, os fãs passaram a coletar elementos no texto que podem ser encarados como paralelos entre as histórias de Bran e Euron.
Por exemplo, durante o supramencionado sonho em A Guerra dos Tronos, o corvo de três olhos parece querer abrir um terceiro olho em Bran, tanto para despertar o garoto de seu coma quanto para metaforicamente despertar seus poderes místicos:
Levantou voo, batendo as asas contra o rosto de Bran, reduzindo-lhe a velocidade, cegando-o. O garoto hesitou no ar quando as asas da ave bateram em seu rosto. O bico do corvo apunhalou-o ferozmente, e Bran sentiu uma súbita dor cegante no meio da testa, entre os olhos.
(AGOT, Bran III)
De modo similar, este é um efeito que Euron parece querer replicar ao consumir obsessivamente as Sombras da Tarde, também em uma tentativa de despertar algo dentro de si:
– Beba comigo, irmão. Prove isto – ofereceu uma das taças a Victarion.
O capitão pegou a taça que Euron não oferecera, cheirou desconfiadamente seu conteúdo. Visto de perto, o líquido parecia mais azul do que negro. Era espesso e de aspecto oleoso, e cheirava a carne podre. Experimentou um pequeno gole e o cuspiu imediatamente.
– Que porcaria. Quer me envenenar?
– Quero abrir seus olhos [...].
(AFFC, O Pirata)
De fato, a semelhança entre os discursos é chamativa. Euron certamente pode ser identificado como o primeiro grande vilão humano westerosi envolvido com algum tipo de arte mágica. Anteriormente, a magia era exclusiva apenas dos grandes vilões em Essos (Mirri Mas Durr e Pyat Pree).
Contudo, não basta que constatamos esses paralelos para que a possibilidade de uma conexão entre Euron e Corvo de Sangue seja formada. Precisamos também saber por que Brynden Rivers entraria em contato com Euron. E há uma passagem em A Guerra dos Tronos parece indicar que Corvo de Sangue não teria feito contato apenas com Bran nos últimos anos:
Bran olhou para baixo. Agora, nada havia abaixo dele além de neve, frio e morte, um vazio gelado onde agulhas denteadas de gelo azul esbranquiçado esperavam para abraçá-lo. Voavam em sua direção como lanças. Viu os ossos de mil outros sonhadores empalados em suas pontas. Sentia um medo desesperador.
– Pode um homem continuar a ser valente se tiver medo? – ouviu sua voz dizer, uma voz pequena e distante.
E a voz de seu pai lhe respondeu.
– Essa é a única maneira de um homem ser valente.
E agora, Bran, insistiu o corvo. Escolha. Voe ou morra.
(AGOT, Bran III)
Os ossos dos sonhadores parecem ser um indicativo de Brynden Rivers submetara outras pessoas a esta mesma experiência, mas elas, ao contrário de Bran, falharam. Porém, no sonho de Euron, ele voou, o que significa que ele teria passado no teste. Deste modo, era de se esperar que ele tivesse recebido notícias de Brynden novamente depois desta experiência.
De fato, quando Bran despertou ele estava longe de ser um Vidente Verde. Ele precisou das lições de Jojen e de Corvo de Sangue, bem como foi necessário tomar a pasta de Represeiro. Entretanto, é provável que nada disso tenha ocorrido a Euron. No passado de Euron não existe qualquer relato que sugira uma aptidão mágica, tampouco Euron relata qualquer continuação a sua experimentação mística durante a infância.
De todo modo, e certo que a experiência lhe causou impacto. Essa poderia, inclusive, ser a razão que o fez ser chamado de Olho de Corvo, assim como que ele adotasse um brasão pessoal em que figuram corvos e um olho vermelho. Com efeito, o brasão tem tamanha semelhança temática com a vida de Brynden Rivers que fica difícil alegar-se ser ser apenas uma coincidência.
No entanto, Corvo de Sangue e Euron não parecem estar trabalhando com os mesmo objetivos. Enquanto Brynden procura salvar o reino dos homens, Euron quer conquistar o reino dos homens à custa de milhares de vidas. Talvez justamente por ter percebido que tipo de pessoa Euron era que Corvo de sangue não tenha insistido
De qualque maneira, a falta de contato posterior entre Euron e Corvo de Sangue deixou o primeiro com um poder, mas nenhum treinamento. Portanto, é muito provável que Euron tenha passado a maior parte de sua vida na ignorância sobre seus poderes. E até onde sabemos, Euron não tinha sonhos de dominação mundial antes de seu exílio. Alguma coisa mudou dentro dele para que passasse a acreditar que era realmente seria capaz de dobrar corações e mentes.
Provavelmente isso tem relação com o obsessivo consumo de Sombras da Tarde. O vinho dos Magos de Qarth é especificamente conhecido por despertar poderes mágicos. Dessa forma, quando vemos Euron bebendo Sombras da Tarde, na verdade estamos presenciando um vidente verde sem treinamento tomando algo feito para destravar poderes mágicos.
Mas temos motivos para acreditar que a pasta de Represeiro e as Sombras da Tarde conferem poderes semelhantes de modo semelhante. Pyat Pree explica que um simples copo dará uma sentidos sobrenaturais a quem o bebe:
– Vai deixar meus lábios azuis?
– Um copo servirá apenas para destapar seus ouvidos e dissolver a membrana que cobre seus olhos, para que possa ver e ouvir as verdades que lhe serão mostradas.
(ACOK, Daenerys IV)
Quando Bran bebe a pasta de represeiro, Corvo de Sangue diz que é o seu sangue dele o fez um vidente, mas a pasta ajudará a acordar seus dons e casá-lo às árvores.
– Isso vai me tornar um vidente verde?
– Seu sangue o fará um vidente verde – disse Lorde Bry nden. – Isso apenas despertaráseu dom e o casará com as árvores.
(ADWD, Bran III)
Mais enfaticamente, o gosto de ambos os compostos são estranhamente similares:
O gosto do primeiro gole era muito ruim, de tinta e carne estragada, mas quando o engoliu pareceu ganhar vida dentro de si. Conseguia sentir gavinhas espalhando-se por seu peito, como dedos de fogo enrolando-se no coração, e na língua ficou um sabor que era como mel, anis e creme, como leite materno e o sêmen de Drogo, como carne crua, sangue quente e ouro derretido. Era todos os sabores que já tinha experimentado e nenhum deles… e então o copo ficou vazio.
(ACOK, Daenerys IV)
Tinha um gosto um pouco amargo, embora não tão amargo quanto pasta de bolotas. A primeira colherada foi a mais difícil de descer. Ele quase a vomitou. A segunda teve um gosto melhor. A terceira estava quase doce. O restante, ele comeu ansiosamente. Por que havia pensado que era amargo? Tinha gosto de mel, de neve recém-caída, de pimenta e canela, e do último beijo que sua mãe nunca lhe dera. A tigela vazia escorregou de seus dedos e retiniu no chão da caverna.
(ADWD, Bran III)
Contudo, ainda que o gosto e os poderes se assemelhem, as árvores de onde são extraídos os compostos parecem tematicamente opostas. Não só as cores dos represeiros e das árvores de casca negra parecem inversas; a própria localização geográfica denota oposição. Os represeiros são comuns no Norte e além da Muralha; as Árvores de Casca Negra são comuns em Quarth, no Sul.
Além disso, as substâncias impõem resultados diferentes sobre o corpo de quem os consome. Os Videntes se unem com as árvores, retornando à natureza, enquanto que os Imortais se tornam almas azuis corrompidas. Euron, entretanto, não mudou:
Parece não ter mudado, pensou Victarion. Parece igual ao que foi no dia em que riu na minha cara e partiu.
(AFFC, O Capitão de Ferro)
Portanto, isso parece indicar que Euron não tenha sido, em momento algum, um discípulo dos Imortais ou de Corvo. Na verdade, o Euron que conhecemos está mais para uma mistura perigosa entre a magia verde, qarthena e valiriana (esta última através dos artefatos supostamente adquiridos nas ruínas da Antiga Valíria).
Segundo este ponto de vista, Euron não seria aprendiz ou protegido, mas alguém com quem Corvo de Sangue teve contato e aos poucos está se tornando um risco. Mas um risco pelo qual Corvo de Sangue tem uma parcela de culpa.
Alguns até apostam que Euron seria um troca-pele poderoso, capaz de escorregar para dentro da Mulher Morena e espionar Victarion e ouvir seus planos e pensamentos. Mas isso me parece poderoso em excesso.
Contudo, o desenvolvimento de uma aptidão mágica seria uma boa justificativa para o comportamento de Euron. De fato, seria uma ótima explicação para como ele foi capaz de chegar a Pyke exatamente no dia seguinte à morte de Balon e sentar na Cadeira de Pedra do Mar antes de qualquer outro dos pretendentes.
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2018.10.23 00:26 L0rDarK Hoje percebi que ainda sou um trouxa

Bem, como me explicar? Sempre fui um cara que se apaixonava fácil e passei todo o fundamental/médio apaixonado por garotas que nunca tive nada. Tive um ótimo relacionamento que durou dois anos, e agora faz um ano que chegou ao fim.
Depois disso, resolvi que não ia mais ser trouxe, por melhor que tenha sido o relacionamento, agora eu queria curtir somente, não digo isso no sentido de sair pegando geral, mas de não apegar. Bem, estava funcionando perfeitamente... Até que ela apareceu!
Estuda comigo na mesma sala, uma 9/10 (talvez 10/10 se eu não tivesse bolado com ela) loira de olhos verdes. Começamos a conversar sem interesse, chamei ela para sair (sem segundas intenções) e ela recusou por ter medo de rolar algum clima e ela não conseguir se controlar (quando ela disse isso eu fiquei: ?!?!?!?) O tempo passou e o interesse da minha parte foi surgindo, mas como nunca tínhamos oportunidade, aquilo foi aumentando cada vez mais, até que chegou meu aniversário e ela disse que íamos fazer alguma coisa para comemorar (eu nunca faço nada no dia).
Saímos para comer hambúrguer artesanal e ficamos conversando por horas, até que eu percebo que era a oportunidade, que eu precisava agir agora ou ia perder a chance de ficar com ela. Era agora ou nunca!
Bem, o problema começou aí...
Depois do hambúrguer, tomamos um milkshake que estava doce pra caralho e meu estômago não aceitou, mas tudo bem, ignorei e bora que bora! Fomos para o carro com o intuito de ir embora e o momento era aquele, precisava agir. Você deve estar pensando: então você foi e beijou ela, né? Então jovem, eu devia ter feito isso, mas não, pela primeira vez na vida (e espero que a última) eu betei! Várias coisas causaram o que se segue, mas posso listar as principais, como o nervosismo pelo momento, a ansiedade pelo beijo que esperava a meses, a pressão por ter que tomar uma atitude, a dor de barriga imensa que o maldito milkshake me deu. Eu simplesmente fiz o clichê de filmes de adolescentes e comecei a falar sem parar, narrando o que queria fazer no momento. Sério, sinto vergonha até de escrever isso, mas tentem imaginar a cena, ela parada me olhando sem entender e absolutamente calada e eu lá, nervoso pra caramba e tentando fazer alguma coisa.
No fim o beijo rolou, foi simplesmente uma MERDA, não tinha sincronia nenhuma, foi um completo desastre! E quando chegamos na casa dela, não aconteceu de novo.
Ficamos sem falar sobre isso por algumas semanas, até que ela diz que não iríamos ficar mais, mas que gostava muito de mim e que não queria perder a amizade. Eu tentei entender o porque daquilo, mas ela não quis conversar.
Obs: ela é do interior e por ter vindo para uma capital estudar em uma universidade, resolveu que precisava sair pegando geral para “ter história pra contar” (palavras dela)
No fim eu percebi que não ia ter como acontecer de novo e decidi que era melhor me afastar para não sofrer por algo que não existe (oba! Alguma coisa aprendeu né?!)
Isso aconteceu a 5 meses e desde então temos pouco contato, nunca conversamos sobre e ficou por isso. Segui minha vida normalmente e nesse tempo já conheci outras garotas e tive experiências ótimas com elas, por mais que aquela vontade de ficar com ela de novo para poder “fazer direito” ainda exista (vulgo orgulho ferido), eu não pretendia fazer mais nada com relação a isso.
Bem, hoje na faculdade, vi ela sentada com o macho dela, está namorando a pouco mais de um mês pelo o que sei, é no momento que vi ela com o cara, senti um puta ciúme! Não aquele ciúme que normalmente as pessoas alimentam, é bem no subconsciente esse. Me vi rindo sozinho por sentir isso, nunca pensei que poderia ser trouxa com alguém que não é nada pra mim, ainda mais depois de ter decidido que iria me afastar para que nada do tipo acontecesse.
Enfim, fui trouxa e aparentemente ainda sou kkkkk’ Será que um dia eu consigo aprender com a vida?
Desculpem o texto gigante, mas nesse momento agora, a única coisa que consegui fazer foi rir e escrever o episódio.
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2018.01.19 19:14 desafiodos7anos A História do Olho.

Numa aula de Teoria da Comunicação de Massa no semestre passado, tive uma breve conversa com o professor Rüdiger a respeito de obras de arte que poderiam ser consideradas “perturbadoras”. Eu mencionei o romance “Viagem ao Fim da Noite” do Céline, os romances do Albert Camus (“O Estrangeiro”, “A Queda” e o ensaio “O Mito de Sísifo”), e também os filmes e textos do Pasolini (nunca vi nenhum, mas li a respeito). O Rüdiger citou o filme “Henry, Retrato de um Assassino”, o “Filosofia na Alcova” do Marquês de Sade e, sobretudo, um livro do qual eu nunca tinha ouvido falar: “A História do Olho”, de um falecido autor francês chamado Georges Bataille. Ele definiu este como o livro “mais terrível” que ele já tinha lido.
Saí à procura do livro. É completamente desconhecido nas livrarias ou sebos de Porto Alegre. Descobri que até mesmo na França e EUA é uma obra difícil de encontrar, um típico livro “maldito”, muito mais citado do que lido. Mas consegui encomendá-lo pela Livraria Cultura através da internet, numa edição portuguesa (“Livros do Brasil” de Lisboa, 1988), por cerca de 20 reais mais frete.
Li o livro, curiosíssimo para saber o que poderia ser tão “terrível” numa obra literária. Bem, não é que a História do Olho seja “terrível”. Mas é sem dúvida perturbadora. O livro narra episódios na vida de um adolescente de 16 anos que, junto com uma amiga chamada Simone, mergulha num caminho aparentemente sem fim de atos obscenos e perversos. Logo na primeira página do livro o narrador conhece Simone. Na segunda página, ela levanta o vestido e, sem calcinha, agacha-se sobre um prato de leite, mergulhando ali a buceta. Vendo o leite escorrer pelas coxas da garota, o narrador “esfrega sua verga, debatendo-se no chão” (traduções portuguesas são um barato…).
Esta já é uma cena com aspecto obsceno maior do que a média encontrada nos livros e filmes por aí. Mas é só o começo da História do Olho. Em cada página seguinte o nível de perversão aumenta, as situações ficam cada vez mais perturbadoras, passando por uma trágica suruba de adolescentes, onde uma menina se enforca dentro de um armário enquanto urina, e culminando no último capítulo com uma indescritível “missa” celebrada pelos protagonistas numa igreja, com a participação não-voluntária de um padre. Outra característica do texto é lidar com símbolos surrealistas. Há muitos elementos recorrentes: o olho, o ovo, os testículos de um touro, o sangue, a urina, o orgasmo (Bataille: “uma doce morte, particularmente ameaçadora para a censura e a burguesia, por seu caráter de ruptura e anarquia”), a morte. Numa cena do livro, os personagens assistem a uma tourada, e no exato momento em que o touro acerta o toureiro na arena, fazendo com que seu olho “esvazie-se para fora da cara”, Simone introduz na vagina um testículo de boi, tendo um orgasmo.
O olho, no mundo “normal”, é um órgão nobre, símbolo da visão, da percepção, da beleza, da razão e da virtude do corpo. O ovo é símbolo da vida, pureza, exatidão, natureza. No livro de Bataille, ambos são instrumentos de perversão, símbolos da obscenidade, do sexo e da irracionalidade do corpo; olhos são arrancados do rosto de um padre e introduzidos na vagina, ovos são enfiados no cu de Simone e ali apertados até se quebrarem. É deste tipo de evento surreal (porém incomodamente realísticos) que a narrativa de “A História do Olho” se compõe.
Mas o que torna tudo isto “perturbador” não é a mera obscenidade dos fatos, e sim a atitude dos personagens diante destes fatos: é como se fossem a coisa mais normal do mundo: não há questionamentos e nem consequencias. O leitor fica tentado a admitir que todas estas coisas são toleráveis e normais, e que portanto o mundo é por natureza sórdido e obsceno, resultando, finalmente, no efeito “perturbador”: a ruptura, no leitor, das noções de normalidade, de moralidade, das idéias positivistas de razão e pureza do corpo.
Este é o segredo íntimo de qualquer obra de arte considerada perturbadora: o de romper com ilusões que nem sabemos existir, chamar a tua atenção pra algumas verdades que inquietam, ou que subvertem a tua visão de mundo usual. Geralmente isto só é possível através da violência, da obscenidade, do humor negro ou da revolta. “A historia do olho” consegue isso através da obscenidade. O “Viagem ao fim da noite”, através da violência. “O Estrangeiro”, através da revolta. Perturbar é, de certa forma, romper com ideologias, ainda que temporariamente. Assim fizeram Céline (“a única verdade do mundo é a morte”), Sade, Pasolini, Henry Miller, Bataille, Buñuel e outros, e conseguiram atingir as pessoas e produzir obras de arte porque tinham idéias poderosas e criatividade estética.
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